Quando pensamos em Warren Buffett, a primeira imagem que nos vem à cabeça é a do bilionário e investidor lendário, conhecido pelos investimentos em McDonald’s e Coca-Cola. O que muitos não sabem é que, há mais de 50 anos, Buffett já dominava estratégias de marketing que continuam extremamente atuais. A prova está numa carta escrita em dezembro de 1972 ao presidente da See’s Candy Shops, pouco depois de adquirir a empresa de doces, recorda a pixeld.
Na carta, Buffett partilha ideias sobre posicionamento, vendas e experiência do cliente que hoje soariam modernas. Um dos pontos centrais é a apresentação do produto: ele percebeu que a perceção de qualidade não depende apenas do sabor, mas também do ambiente da loja, da embalagem e da forma como os doces são expostos. Criticava, por exemplo, lojas que colocavam os produtos premium ao lado de doces baratos, desvalorizando a marca. É uma lição que se aplica hoje às lojas online, redes sociais ou embalagens: tudo comunica valor ou o diminui.
Outro conceito que Buffett abordou é a educação do consumidor. Muito antes do inbound marketing ou do storytelling se tornarem conceitos populares, ele sugeria criar folhetos que contassem a história da cozinha da See’s Candy Shops, transformando o produto numa experiência e construindo valor na mente do cliente. O objetivo era ensinar o consumidor a apreciar o produto e a perceber a sua singularidade, mostrando que criar valor envolve mais do que apenas vender.
Por fim, Buffett falou sobre exclusividade e escassez. Defendia limitar o número de lojas e a presença geográfica da marca, tornando os produtos mais desejáveis. Segundo ele, a percepção de luxo aumenta quando algo é difícil de obter. Esta estratégia é hoje aplicada por muitas marcas de luxo e continua a ser uma lição valiosa sobre como criar prestígio e valor percebido.
O mais impressionante é que Buffett combinava visão financeira com marketing de forma natural. Para ele, investir numa empresa não era apenas injectar capital, mas também ajudar a criar uma marca forte e desejável. A carta de 1972 mostra que o segredo não está em fórmulas complicadas ou truques de vendas, mas em fazer o básico bem feito: cuidar do produto, da experiência do cliente e da forma como a marca é percebida.
Mesmo mais de meio século depois, as ideias de Buffett continuam surpreendentemente modernas e aplicáveis. Em 2024, podemos aprender com ele que marketing não é magia: é estratégia, história e atenção aos detalhes.














