A gama Caiado tem um novo posicionamento e entra agora para a distribuição moderna, tendo como objectivo uma maior aproximação ao cliente final.
A maioridade de uma marca de vinhos é sempre um momento de balanço, mas também de reposicionamento, num mercado cada vez mais competitivo, fragmentado por canais e marcado por consumidores mais exigentes. A celebração dos 18 anos da Adega Mayor surge, assim, como ponto de partida para reflectir sobre estratégia, inovação e proximidade ao consumidor. Em entrevista à Marketeer, Rita Nabeiro, CEO da Adega Mayor, aborda o papel da gama Caiado na sua evolução recente.
A Adega Mayor celebrou 18 anos de existência. Que marco é este na história da empresa e que balanço faz até agora?
Dezoito anos é um marco importante na história de uma marca. É reconhecer quase duas décadas de trabalho, dedicação, evolução contínua e um compromisso profundo com a terra que nos inspira todos os dias.
A Adega Mayor nasceu de um sonho do meu avô Rui Nabeiro, guiado pela coragem e pelo potencial de Campo Maior. Desde o primeiro dia, a Adega Mayor sempre teve um propósito: afirmar-se como uma referência no panorama nacional e internacional. Hoje, esse propósito cumpre-se em cada garrafa. A Adega Mayor é uma marca que prova que o vinho pode ser, simultaneamente, tradição e futuro, memória e visão, herança e reinvenção. É este equilíbrio, profundo, genuíno e sempre fiel às origens, que continua a inspirar o nosso caminho.
O balanço destes 18 anos faz-se com orgulho, mas também com a ambição renovada de quem sabe que o caminho continua e que ainda há muito por fazer. Crescemos, surpreendemos, inspirámos. E, acima de tudo, preservámos a essência que sempre nos guiou, a vontade de levar em cada garrafa a alma alentejana e a certeza de que, no universo Mayor, há sempre novos sentidos por despertar e novos sabores por descobrir.
De que forma este momento influencia a estratégia da empresa e, em particular, o posicionamento da gama Caiado?
Este momento reforça o compromisso da Adega Mayor em aliar desde sempre tradição e inovação e de estar cada vez mais próximo de todos os portugueses. Para a gama Caiado representa um passo estratégico na sua evolução: consolidar uma marca já muito apreciada no canal Horeca e aproximá-la ainda mais dos consumidores, com a entrada na distribuição moderna. Caiado é hoje uma gama acessível, fiel ao espírito alentejano, reconhecida pela sua frescura e versatilidade, e desta forma é também uma marca mais democrática.
Em 2024, Caiado entrou para o Top 3 nacional dos vinhos da Região do Alentejo mais consumidos no canal Horeca, segundo dados da Nielsen. O reconhecimento internacional também tem acompanhado este percurso, com o Caiado Tinto 2019 a ser distinguido com o selo “Best Buy” pela revista “Wine Enthusiast”, destacando a sua excelente relação qualidade/ preço. A nível nacional, o Caiado Branco 2018 conquistou o Prémio Escolha do Mercado, na primeira edição do Concurso Brancos de Portugal da revista “Grandes Escolhas”, reforçando a aposta da Adega Mayor em vinhos que unem qualidade e acessibilidade.
Caiado está há vários anos no Top 3 das gamas mais consumidas no canal Horeca, mas deu um passo decisivo ao entrar na distribuição moderna. Que significado tem esta expansão para a marca e a Adega Mayor?
A entrada da gama Caiado na distribuição moderna simboliza a nossa vontade de estar cada vez mais próximos dos consumidores. Por isso, esta expansão é um passo natural na estratégia de crescimento da marca e na democratização do acesso aos nossos vinhos. Caiado é uma referência muito acarinhada no canal Horeca e, com esta presença nos hiper e supermercados de norte a sul do País, queremos que acompanhe o quotidiano dos nossos clientes, tornando-se parte dos seus momentos em casa. É uma forma de estar onde os consumidores estão, com conveniência e proximidade, oferecendo vinhos que traduzem a nossa paixão pela terra, pelo vinho e pela excelência, e que convidam todos a descobrir o universo Mayor em cada garrafa.
Que metas estratégicas ambicionam atingir através da presença desta gama em grandes superfícies e no retalho especializado?
Queremos que a gama Caiado se torne uma presença natural no dia-a-dia dos consumidores, acompanhando os seus momentos de partilha e de celebração. Mais do que aumentar notoriedade ou volume, o nosso objectivo é fortalecer a ligação com os consumidores, oferecendo propostas que aliam qualidade, autenticidade e conveniência.
A nossa ambição é que cada garrafa de Caiado seja uma escolha de confiança e prazer, e que a marca se torne parte das mesas das famílias.
Introduzir uma marca já consolidada no Horeca num novo canal apresenta desafios. Quais os principais obstáculos e como planeiam superá-los?
A entrada de Caiado na distribuição moderna é, sem dúvida, um desafio, mas também uma oportunidade única de levar os nossos vinhos a novos públicos. Cada obstáculo é, na verdade, uma oportunidade para reafirmarmos o nosso compromisso com a qualidade e a excelência que nos tornaram uma referência no canal Horeca.
Acreditamos que, com a dedicação de uma equipa experiente, conseguimos superar os desafios mantendo a nossa essência e a nossa presença: com vinhos de qualidade, activações estratégicas, inovação, e com a certeza de que ambos os canais só podem beneficiar com esta expansão da gama que terá, desta forma, mais visibilidade. O consumidor de Caiado passa a encontrar a marca no restaurante, mas também pode partilhá-la com os amigos em casa.
Que experiência ou percepção esta gama deseja criar junto do consumidor final na distribuição moderna? Na prática, qual o significado de construir proximidade num mercado tão competitivo como o dos vinhos?
Queremos que o consumidor reconheça em Caiado tudo aquilo que já o conquistou no Horeca: a frescura, a versatilidade e a qualidade que fazem desta gama uma referência. Na distribuição moderna, queremos fortalecer essa percepção, tornando-nos uma presença natural e relevante no quotidiano dos consumidores.
Construir proximidade significa estar onde os consumidores estão, com a máxima conveniência, acompanhando cada momento do seu dia-a-dia com propostas que reflectem a nossa paixão pela terra, pelo vinho e pela procura constante da excelência. É criar uma relação que ultrapassa a prateleira – uma ligação que inspira, que acompanha e que transforma cada ocasião num momento repleto de significado.
Existem planos para novos lançamentos, edições limitadas ou produtos especiais que acompanhem esta expansão?
A inovação está no ADN da Adega Mayor. Olhamos para o futuro com a mesma inquietação criativa que sempre nos definiu, procurando novas formas de surpreender, seja através de novas referências, edições especiais ou formatos pensados para novos momentos de consumo.
O nosso portefólio está em constante evolução, incorporando novidades que reflectem as tendências e necessidades dos consumidores. Exemplo disso é o lançamento das colheitas de Pinot Noir e Verdelho num novo formato de garrafa Borgonha, um tributo à elegância e à origem das grandes castas que inspiram estes vinhos. Outro projecto que abraçámos este ano com muita atenção foi o lançamento de um vinho Low Álcool, que acabou por ser muito bem recebido, porque vai ao encontro de uma larga fatia de consumidores que é cada vez mais exigente e mais jovem. A comunicação do selo Vegan também passou a incorporar os nossos vinhos biológicos, mais uma certificação que está a ter muita visibilidade e importância no momento de escolha. Mais do que acompanhar o mercado, queremos inspirar e despertar os sentidos, proporcionando experiências cada vez mais marcantes.
À medida que a distribuição aumenta, a consistência da qualidade continua a ser essencial. Como conseguem garantir, nos dias que correm, que a marca mantém a sua reputação?
A Adega Mayor cresceu com consistência sem nunca comprometer a qualidade. Cada etapa, da vinha ao trabalho da equipa de enologia, é guiada por critérios rigorosos que asseguram que cada garrafa reflecte o melhor do que sabemos fazer.
À medida que expandimos a nossa presença no mercado, aumentamos também os nossos recursos e estruturas, e consolidamos as nossas parcerias com produtores locais. Desta forma mantemos intacto aquilo que sustenta a nossa reputação: o equilíbrio, a precisão, e uma relação qualidade/preço que continua a ser reconhecida dentro e fora de Portugal.
É essa exigência diária, aliada ao cuidado pelo detalhe, que nos permite crescer sem perder aquilo que nos distingue.
Na sua perspectiva, de que forma vai evoluir o papel da gama Caiado no panorama dos vinhos do Alentejo nos próximos anos?
Caiado será, cada vez mais, uma referência de confiança e acessibilidade na região do Alentejo. Um vinho que representa o terroir e que acompanha as novas tendências de consumo. A sua presença na distribuição moderna reforçará o papel da marca como uma escolha natural no quotidiano dos consumidores, consolidando-a como um dos grandes embaixadores do Alto Alentejo.
Que tendências de consumo no retalho moderno prevê e de que forma poderão influenciar a estratégia da marca para os próximos anos?
O consumidor está a mudar: é mais informado, mais atento ao impacto das suas escolhas e valoriza conveniência, qualidade, sustentabilidade e experiências que deixem marca. Esta evolução reforça a procura por vinhos produzidos com respeito pela natureza e por práticas agrícolas sustentáveis.
É precisamente este o caminho que a Adega Mayor está a trilhar. A viticultura regenerativa, cada vez mais reconhecida como uma revolução verde nas vinhas portuguesas, inspira-nos a cuidar do solo, da biodiversidade e do equilíbrio do ecossistema. A aposta em cobertos vegetais, na redução de fertilizantes sintéticos e em métodos que devolvem vitalidade à terra permite-nos produzir vinhos que reflectem um Alentejo mais vivo, mais sustentável e mais resiliente.
A nossa estratégia para os próximos anos acompanha estas tendências: vamos continuar a reforçar a oferta de vinhos biológicos, a explorar perfis que valorizam a frescura e a elegância e a desenvolver produtos que respondem a novos momentos de consumo. Ao mesmo tempo, reconhecemos um consumidor de vinho menos preso a códigos tradicionais, mais pragmático e atento à forma como as marcas comunicam e se integram no seu quotidiano, o que reforça a importância de uma abordagem cada vez mais centrada no consumidor final no contexto do retalho moderno. Tudo isto com transparência, responsabilidade e ambição.
Este artigo faz parte da edição de Janeiro (n.º 354) da Marketeer.














