Warner Bros diz mesmo ‘não’ a proposta de 108,4 mil milhões da Paramount

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Marketeer
17/12/2025
13:43
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O conselho de administração da Warner Bros. Discovery já confirmou formalmente que não está interessado na oferta de aquisição de 108,4 mil milhões de dólares da Paramount, tendo reiterado de forma unânime o seu apoio ao acordo já anunciado com a Netflix. A Paramount vai agora avaliar a notificação de rejeição e decidir se irão fazer uma oferta maior.

Apesar de a Paramount ter defendido que a sua oferta era “superior” e e que teria um caminho mais fácil para a aprovação regulatória do que o acordo de 83 mil milhões de dólares entre a Warner Bros e a Netflix, o conselho de administração da Warner Bros não ficou convencido, tendo recomendado “unanimemente” a rejeição da oferta e concordado que o acordo com a Netflix era o que mais interessava à empresa, segundo um comunicado enviado aos acionistas.

Os motivos para esta rejeição incluíram também preocupações relacionadas com o modelo de financiamento proposto pela Paramount e com a independência do processo de aprovação do negócio por parte dos reguladores, sendo que a Affinity Partners — uma das principais apoiantes da tentativa da Paramount para comprar a Warner Bros. e que foi fundada por Jared Kushner, empresário e genro do presidente Donald Trump — também já tinha anunciado a sua saída do negócio, alegando o envolvimento de “dois fortes concorrentes”, segundo a BBC.

Recorde-se que a Paramount contava com o apoio da família bilionária Ellison, que possui laços estreitos com Trump e que a aquisição da Warner Bros. deverá ser alvo de escrutínio por parte dos órgãos reguladores da concorrência norte-americanos. A sua oferta contava com um financiamento de 41 mil milhões de novo capital, com o apoio da família Ellison e da RedBird Capital, e por 54 mil milhões em compromissos de dívida do Bank of America, Citi e Apollo. A oferta da Paramount era em dinheiro — 30 dólares por ação — e representava cerca de 18 mil milhões de dólares a mais do que o valor oferecido pela Netflix.

Mas, em carta aos acionistas, o conselho de administração escreveu que a Paramount “enganou consistentemente” os acionistas da Warner Bros, afirmando que a sua oferta em dinheiro de 30 dólares por ação era totalmente garantida pela família Ellison, liderada pelo bilionário e presidente-executivo da Oracle, Larry Ellison. “Não é o caso, e nunca foi” acrescentou, observando que a oferta apresentava “inúmeros riscos significativos”.

A Warner Bros mantém assim o seu compromisso com o acordo já anunciado no dia 5 de dezembro com a Netflix, no âmbito do qual o serviço de streaming comprará os estúdios da Warner Bros, a HBO e a HBO Max por 27,75 dólares por ação. Isso ocorrerá após a já cisão da Discovery Global pela WBD no terceiro trimestre de 2026, que englobaria principalmente a rede de canais por cabo da empresa (como CNN, TBS e TNT). A conclusão do negócio está prevista para depois desta separação já anunciada, prevendo-se que a mesma seja concluída no terceiro trimestre de 2026.

A transação foi aprovada por unanimidade pelos conselhos de administração da Netflix e da Warner Bros Discovery, ficando a conclusão da mesma sujeita à conclusão da separação, às aprovações regulatórias necessárias e à aprovação dos acionistas da Warner Bros Discovery. A expectativa é que a transação seja concluída em 12 a 18 meses.

Esta trata-se da maior operação de consolidação no setor do entretenimento desde a compra da Fox pela Disney, por 71 mil milhões de dólares (60,96 mil milhões de euros), em 2019. Recentemente, a Skydance Media e a Paramount Global também se fundiram através de uma operação de 8,4 mil milhões, que reacendeu o debate sobre imparcialidade nos media norte-americanos.




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