Bel: Cuidar bem para transformar melhor

CadernosNotícias
Marketeer
08/01/2026
09:50
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A Bel Portugal está a redesenhar a gestão de pessoas com uma ambição clara: tornar cada colaborador um agente activo de mudança – dentro e fora da empresa.

A sustentabilidade não é um departamento na Bel – é o ponto de partida para todas as decisões, também na área de Recursos Humanos. Emília Roseiro, directora de Recursos Humanos para a Europa do Sul da Bel, explica como a empresa tem vindo a construir uma cultura que une impacto ambiental, responsabilidade social e bem-estar emocional. Através de programas de capacitação, iniciativas de voluntariado, governação descentralizada e uma forte ligação às comunidades locais, a Bel procura que cada pessoa se sinta parte de um propósito comum: cuidar, crescer e transformar.

A Bel tem uma forte ligação à sustentabilidade – ambiental, social e emocional. Como é que esta visão se reflecte na estratégia de Recursos Humanos?

A nossa ambição em matéria de sustentabilidade assenta em dois eixos: sermos a empresa mais sustentável, do prado ao prato, pioneira em agricultura regenerativa; e sermos a empresa que melhor acolhe e cuida, construindo relações positivas, a que todos pertencem.

Esta ambição exige uma política de pessoas rigorosa ao seu serviço. Apostamos na capacitação das nossas pessoas em duas dimensões: por um lado, para os perfis mais seniores ou especialistas, com foco na especialização, autonomia, proactividade e resiliência; por outro, conhecimento essencial para todos, garantindo que cada colaborador toma decisões conscientes e informadas, avaliando os múltiplos impactos, tanto na vida profissional, quanto na vida pessoal.

Paralelamente, promovemos a participação activa através de voluntariado e comunidades internas que reforçam sentido de missão e propósito. Estes movimentos alimentam os pilares Believe (propósito) e Become (desenvolvimento), mas também inf luenciam Belong (pertença) e Be Well (bem-estar), porque quando as pessoas se sentem parte e cuidam do seu bem-estar, a cultura torna-se mais forte e sustentável.

O que significa, na prática, ter uma “cultura de sustentabilidade” dentro da organização? Que valores ou comportamentos procuram cultivar internamente?

Significa criar uma cultura que valoriza a aprendizagem contínua, colaboração e impacto positivo. Procuramos comportamentos como responsabilidade, curiosidade e espírito de comunidade. Queremos que cada pessoa seja protagonista da mudança, consciente do impacto das suas decisões e alinhada com o propósito da Bel. Um exemplo: durante algum tempo, por iniciativa de dois colaboradores, era feita uma comunicação regular sobre opções sustentáveis na economia doméstica (como melhorar o conforto térmico em casa, programas de apoio em vigor, como optimizar o uso de electrodomésticos, etc.) – as pessoas valorizavam muito e foi uma activação proposta pelos nossos “activistas pelo bem”.

A sustentabilidade começa nas pessoas. Como é que a Bel envolve os colaboradores – desde as equipas de fábrica até à gestão – na concretização dessa missão?

Através do programa “Actors for Good – I know, I act, I become an activist”, incentivamos todos a serem agentes de transformação. Em 2025, cerca de 20% dos colaboradores participaram em acções de voluntariado, reforçando o nosso compromisso com as comunidades e o planeta.

Este envolvimento não é apenas pontual: é parte da nossa cultura. Criamos espaços para ideias, iniciativas locais e projectos que conectam propósito pessoal à missão corporativa, tornando cada colaborador protagonista da mudança.

Este modelo é reforçado pelo nosso governança descentralizado, que assegura uma visão global consistente e, ao mesmo tempo, dá espaço para contributos das equipas locais. Assim, cada mercado pode propor soluções alinhadas com a estratégia, mas adaptadas às suas realidades, garantindo impacto e relevância.

Que tipo de programas ou iniciativas a Bel tem desenvolvido para promover o bem-estar dos colaboradores, em linha com o propósito “For All, for Good”?

Temos um programa robusto de bem-estar “Be Well”, estruturado em três áreas: nutrição, actividade física e saúde psicológica. Desenvolvemos planos de prevenção de riscos psicossociais e lançámos, ainda em 2025, um Guia de Comportamentos Respeitosos, que reforça ambientes inclusivos, positivos e colaborativos.

Complementamos com a comunidade Fun @ Bel, que organiza eventos para aproximar pessoas e para alimentar este ecossistema. Em 2026, vamos acrescentar um quarto pilar: bem-estar financeiro, ajudando na gestão de finanças pessoais e promovendo a segurança económica.

Em que medida o Programa Leite de Vacas Felizes (PLVF) e outros projectos da Terra Nostra inspiraram a forma como a Bel pensa também o bem-estar humano dentro da empresa?

Este programa é uma grande inspiração para todos nós, porque estende a filosofia interna da empresa aos nossos produtores de leite. Este é um exemplo claro de como construímos especialização e promovemos parcerias e colaboração, através da co-construção com o nosso ecossistema.

Tal como cuidamos do bem-estar animal, cuidamos dos nossos parceiros e do planeta, garantindo relações de confiança, ambientes saudáveis e práticas que reforçam propósito e impacto positivo.

Em 2025, lançámos o PPLL – Programa Produtores de Leite Limiano, com vários ensinamentos do PLVF, porque os produtores de leite Bel (Açores e continente) são parte da família Bel e queremos envolvê-los no caminho da sustentabilidade económica, social e ambiental.

Como é feita a formação ou sensibilização dos colaboradores para temas como sustentabilidade, economia circular ou impacto social?

Acreditamos que a sensibilização é um processo contínuo e integrado na nossa cultura. Procuramos criar momentos de reflexão e aprendizagem que ajudem cada pessoa a compreender o impacto das suas decisões e a agir de forma responsável.

Um exemplo marcante é o Climate Fresk, uma experiência colaborativa sobre alterações climáticas que já conta com mais de 80% dos nossos colaboradores. Este programa tem um papel transformador, não só para a Bel, mas também para a comunidade. Outro exemplo, talvez mais disruptivo: fizemos algumas sessões de “cinema” no escritório, para passar um documentário sobre agricultura regenerativa. Um momento de aprendizagem, reflexão e convívio.

A atracção e retenção de talento são hoje grandes desafios. A sustentabilidade e o propósito da marca ajudam a atrair pessoas com o mesmo alinhamento de valores?

Sem dúvida. Hoje, os candidatos procuram respostas sobre sustentabilidade, ambiente de trabalho positivo e desenvolvimento/carreira – são temas incontornáveis em qualquer entrevista e influenciam escolhas.

A nossa abordagem assenta em duas pernas: sustentabilidade e rentabilidade, criando um equilíbrio que garante impacto positivo e solidez do negócio. Este posicionamento tem um enorme poder de atracção e retenção, porque oferece propósito e oportunidades reais de desenvolvimento.

Gostariam de partilhar algum exemplo concreto de como a Bel integra critérios de sustentabilidade – ambiental ou social – nos processos de decisão de RH?

Nos processos de RH, a sustentabilidade social é uma prioridade. Garantimos diversidade de perfis nos recrutamentos, promovendo inclusão e integração de pessoas com necessidades especiais – não apenas como cumprimento legal, mas como reflexo da nossa cultura e posicionamento. Além disso, desenvolvemos planos de desenvolvimento individual, liderados pelos colaboradores e a sua ambição, que dão espaço para que todos possam crescer e alcançar a sua melhor versão, realizada e feliz.

A marca fala de felicidade como forma de cultura. De que maneira essa ideia se traduz em práticas internas, no dia-a-dia das equipas?

Na Bel, felicidade é mais do que um conceito – é uma prática diária que nasce do nosso modelo Nurture, colocando as pessoas no centro. Cada pilar contribui para esta cultura: Belong (inclusão), Be Well (bem-estar), Become (desenvolvimento) e Believe (propósito). Esta combinação transforma felicidade em algo tangível, reflectido em relações de confiança, colaboração e realização pessoal.

Como é que medem o impacto das vossas políticas de responsabilidade social interna – seja em engagement, produtividade ou equilíbrio vida-trabalho?

O que não se mede, não se gere. Sabemos que não é fácil definir indicadores e acompanhar resultados, mas é essencial para sustentar o nosso modelo. Monitorizamos métricas como engagement, participação em voluntariado, planos de desenvolvimento e indicadores de bem-estar.

Complementamos com inquéritos internos e análises qualitativas para perceber se estamos a criar ambientes inclusivos, colaborativos e produtivos. Estes dados ajudam-nos a ajustar estratégias e garantir impacto real.

O tema da igualdade de oportunidades e da diversidade é também uma dimensão importante da sustentabilidade. Que passos têm dado nessa área?

O nosso pilar “Belong” endereça estes temas. O grupo assumiu um conjunto de compromissos ambiciosos com metas concretas para 2030. Em Portugal, estamos focados em três prioridades: ambiente inclusivo, liderança feminina e inclusão de pessoas com necessidades especiais. Os resultados dos nossos estudos internos mostram evolução positiva em todos os indicadores. Somos, orgulhosamente, uma empresa equilibrada em termos de género em todos os níveis da organização – mantemos a prioridade no tema da liderança feminina porque entendemos que manter esse foco é continuar a apoiar uma causa que ainda tem muito para ser feito até que culturalmente deixe de ser um assunto. A inclusão de pessoas com necessidades especiais é particularmente desafiante em ambiente fabril, mas já iniciámos esta “viagem” há alguns anos e acreditamos que há ainda muito a fazer, até que deixe de ser um tema. Este compromisso é reforçado pelo nosso modelo de governança descentralizado, que permite adaptar práticas às realidades locais, garantindo que cada contexto contribui para soluções inclusivas e eficazes.

A Bel tem raízes fortes em territórios como os Açores. De que forma o vosso trabalho em RH também procura reflectir essa ligação ao território e à comunidade local?

As comunidades locais junto das nossas fábricas são especiais para nós e procuramos ser activos e contribuir. Os Açores são especiais pela sua circunstância geográfica, que tem tanto de desafiante quanto de entusiasmante, e onde temos projectos que nos apaixonam e acreditamos que podemos mudar o mundo, nomeadamente os projectos com os nossos produtores.

Olhando para o futuro, quais são as prioridades da Bel na área de RH para a sustentabilidade?

A sustentabilidade é uma viagem, que para nós já começou há muitos anos (quando ainda não era capa de jornal), mas onde ainda há muito a fazer. Temos de ser humildes e ambiciosos na mesma medida. Há muitas mudanças a fazer, algumas que ainda desconhecemos como, porque tecnologicamente ainda não temos uma solução. Ao nível das pessoas, gostaria de ver chegar o dia em que não preciso de pedir aos parceiros de recrutamento uma short list diversa. Num processo de gestão de mudança sabemos que só se muda quando todos mudarem – um a um. E por isso semeamos muito em termos de capacitação e convite à participação activa dos nossos colaboradores e comunidades, para que todos sejam actores do futuro que sonhamos. Queremos ser a empresa que melhor acolhe e cuida, construindo relações positivas, onde todos pertencem.

Este artigo faz parte do Caderno Especial “Sustentabilidade e Responsabilidade Social”, publicado na edição de Dezembro (n.º 353) da Marketeer.




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