EDP: Caminhos para uma transição energética inclusiva

CadernosNotícias
Marketeer
06/01/2026
09:50
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O programa global de Impacto Social da EDP está a apoiar comunidades em todo o mundo, conciliando sustentabilidade, inclusão e desenvolvimento local.

A transição energética tornou-se um eixo determinante das políticas públicas e das estratégias empresariais, mas o seu impacto social continua a depender da capacidade de incluir quem parte de posições mais vulneráveis. É neste contexto que se enquadra a estratégia global de impacto social da EDP, estruturada para garantir que a transição para energias limpas decorre de forma justa, equitativa e alinhada com o desenvolvimento das comunidades. Esta visão é partilhada por Martim Salgado, responsável global de Impacto Social da EDP, que descreve como o grupo organiza, mede e reforça o seu investimento social em diferentes geografias, assegurando coerência estratégica e proximidade às realidades locais.

Em entrevista à Marketeer, Martim Salgado afirma que a transição energética, apesar de essencial para o futuro, não é vivida da mesma forma em todos os territórios. Recorda que «nem todas as pessoas partem do mesmo ponto» e que, por isso, o desafio é tanto tecnológico como social. É a partir desta premissa que a EDP implementa, em 2022, o programa global EDP Y.E.S. – You Empower Society, criado para definir e consolidar a estratégia de impacto social do grupo numa única estrutura. O programa agrega, coordena e dá identidade comum a todas as iniciativas sociais desenvolvidas em mais de vinte países, mobilizando até 30 milhões de euros por ano para mais de 500 projectos relacionados com acesso à energia, inclusão social, protecção ambiental, cultura e desenvolvimento de competências, distribuídos por mais de 20 países na América do Norte e do Sul, Europa, África e Ásia-Pacífico.

PROJECTOS COM IMPACTO

Martim Salgado explica que esta estratégia global se estrutura em cinco eixos temáticos – Energia, Planeta, Cultura, Competências e Comunidade – que organizam o portefólio de projectos e garantem coerência e foco. A implementação é feita através de várias entidades do grupo, incluindo as Fundações EDP em Portugal, Espanha e Brasil, bem como programas e parcerias locais que permitem ajustar as iniciativas ao contexto de cada território. Entre os projectos estruturantes, destaca o Fundo A2E – Access to Energy, que apoia o acesso a energia renovável em países africanos e, este ano, também no Brasil. Desde 2018, o fundo mobiliza 5,5 milhões de euros para 56 projectos em oito países, impactando mais de nove milhões de pessoas. É um exemplo claro de como o programa Y.E.S. funciona como plataforma global, integrando iniciativas que actuam em frentes muito distintas, mas convergentes na missão social da empresa.

Entre os cinco eixos, o Y.E.S. to Energy é um dos que assume maior centralidade por estar directamente ligado ao propósito da empresa. Para Martim Salgado, a transição energética exige um olhar social atento, porque «o desafio não é apenas tecnológico, mas sobretudo social». É preciso garantir acesso a energia limpa, combater vulnerabilidades e apoiar a requalificação profissional. O eixo Y.E.S. to Energy procura precisamente dar resposta a estes desafios, através de programas que combinam inclusão energética, eficiência energética, energias renováveis e mobilidade sustentável.

A medição de impacto é uma dimensão essencial desta estratégia. A empresa baseia-se na metodologia internacional B4SI – Business for Societal Impact – que vai além da contabilização financeira e avalia inputs, outputs e outcomes. O responsável explica que a EDP recorre a indicadores quantitativos e qualitativos, comparação com baseline e estudos ao longo do tempo, complementados por validação externa quando possível. A preocupação é garantir que «o foco não está apenas no montante investido, mas sobretudo na transformação gerada na comunidade».

Outro pilar da estratégia é o alinhamento com os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. Os ODS funcionam como uma referência universal e permitem estruturar iniciativas de forma integrada com metas globais, reforçando a credibilidade junto de reguladores, investidores e clientes. Martim Salgado realça que, ao associar os seus projectos a objectivos como energia limpa (ODS 7), acção climática (ODS 13) ou redução das desigualdades (ODS 10), a empresa demonstra o compromisso com desafios globais e reforça o posicionamento ESG.

A adaptação a contextos locais é também central. Embora o programa Y.E.S. tenha identidade global e objectivos comuns, cada país adapta a intervenção às necessidades específicas das suas comunidades. O responsável exemplifica com o projecto Green Home, que combate a pobreza energética, incluindo famílias vulneráveis que vivem nas proximidades dos centros de produção da EDP, nos diferentes países onde a empresa actua. Em países como Brasil ou Roménia, a intervenção vai além da melhoria da eficiência energética, integrando obras estruturais nas habitações, como reparação de redes de água e saneamento.

O programa EDP Energia Solidária é outro exemplo da forma como a empresa liga impacto comunitário e transição energética justa. Promovido pelas três Fundações da EDP, apoia projectos sociais dedicados a conhecimento energético, inclusão e eficiência energética, renováveis, mobilidade sustentável, economia circular, vida selvagem, património natural e educação. Em 2024, o programa apoiou 13 projectos em Portugal, 15 em Espanha e dois no Brasil, incluindo iniciativas de capacitação profissional de mulheres para instalação de sistemas fotovoltaicos. Desde 2004, o EDP Energia Solidária já apoiou 744 projectos nos três países, impactando mais de 2,4 milhões de pessoas.

Para avaliar estes projectos, a EDP utiliza dois frameworks complementares: o B4SI e uma nova metodologia própria desenvolvida em 2024, baseada no Impact Management Project e na metodologia Lean Data. O objectivo é recolher dados fiáveis directamente junto das partes interessadas e garantir comparabilidade entre projectos e geografias. A medição de impacto integra indicadores como o número de beneficiários directos e indirectos, poupança energética obtida, redução de emissões e melhoria das condições de vida das comunidades.

Outro eixo relevante é o desenvolvimento de competências e o apoio ao empreendedorismo, especialmente em comunidades afectadas pelo encerramento de centrais térmicas ou localizadas junto a centros de produção de energia. A EDP promove formação profissional para jovens em áreas técnicas como redes eléctricas, manutenção de parques eólicos ou instalação de sistemas fotovoltaicos. O projecto Skills – Energy Professionals, por exemplo, inclui um curso técnico com equivalência ao 12.º ano em Portugal e garante 100% de empregabilidade. Envolveu já 156 alunos, 11 escolas e 600 horas de estágio. Paralelamente, mais de 930 jovens foram formados em programas semelhantes em diferentes países.

A empresa desenvolve também projectos de empreendedorismo local que funcionam como alavancas para revitalização económica e social de territórios fragilizados. O projecto Entama, já com resultados expressivos em Espanha, permitiu criar mais de 400 empregos em 73 projectos apoiados. Em 2024, começou a ser implementado igualmente em Portugal, abrangendo regiões como Minho, Trás-os-Montes e Douro.

No eixo Cultura, a empresa reforça o compromisso de democratizar o acesso à arte, património e cultura local. O MAAT, um dos projectos mais emblemáticos, soma mais de 125 exposições e 2,5 milhões de visitantes desde 2016. A Fundação EDP atribui ainda o Prémio Novos Artistas e o Grande Prémio Arte, estimulando carreiras emergentes e reconhecendo trajectos consolidados. No domínio da arte pública, o grupo desenvolve projectos em Portugal e Espanha que envolvem directamente as comunidades na criação de obras. Um exemplo é a requalificação do Palácio Bustillo-Ceballos, na Cantábria, com participação activa de mais de 300 pessoas. No Brasil, iniciativas como a exposição “Favela é Giro”, apoiada pelo Instituto EDP, valorizam artistas locais em municípios onde a empresa actua. Martim Salgado considera que promover cultura é abrir portas para «o pensamento crítico, a expressão individual e o sentimento de pertença».

A estratégia integra ainda o voluntariado corporativo, que se posiciona como instrumento essencial do impacto social da empresa. O programa nasceu de forma espontânea em 2010, mas evoluiu para um modelo estruturado e integrado na área de impacto social. Os colaboradores dispõem hoje de 11 dias laborais por ano para dedicar ao voluntariado, seis para acções gerais e cinco para voluntariado de competências, iniciativas internacionais ou gestão de projectos. Esta participação permite desenvolver competências e reforçar o bem-estar dos colaboradores, o que, segundo Martim Salgado, tem um «impacto muito positivo na organização». Até ao final de 2024, registaram-se 68 mil participações em acções de voluntariado, envolvendo mais de 35 mil voluntários EDP e mais de 12 mil Amigos EDP, totalizando quase 400 mil horas de voluntariado e impactando mais de 1,9 milhões de pessoas.

A resposta a emergências sociais é outra dimensão activa do programa Y.E.S. A empresa combina investimento social contínuo com agilidade na resposta a crises, como tempestades Dana em Espanha, Boris na Polónia, o furacão Helene nos Estados Unidos, o tufão Yagi no Vietname ou incêndios em Portugal. Historicamente, já apoiou crises em várias geografias, incluindo incêndios em Portugal e Espanha, furacão Harvey, ciclone Idai e pandemia de Covid-19. Em 2022, a resposta à emergência humanitária na Ucrânia mobilizou equipas e recursos em múltiplos países, reforçando a capacidade de actuação integrada do grupo.

ENERGIA, PLANETA E COMUNIDADES

Olhando para daqui a três a cinco anos, Martim Salgado antecipa reforço em todos os eixos do programa Y.E.S., com destaque para Energia e Planeta. No eixo Y.E.S. to Energy, a prioridade passa por combater a pobreza energética, expandir o acesso a energia limpa, desenvolver soluções de eficiência energética e promover a mobilidade eléctrica. No eixo Y.E.S. to Planet, o foco incide em iniciativas de biodiversidade, recuperação de oceanos e florestas, economia circular e sensibilização para alterações climáticas.

Segundo o responsável, o objectivo é acelerar a transição energética de forma inclusiva, envolvendo comunidades locais numa mudança colectiva. Resume esta missão afirmando que a empresa pretende «liderar com propósito, criar valor sustentável e garantir que o futuro que deixamos às próximas gerações é mais justo, mais verde e mais resiliente».

Este artigo faz parte do Caderno Especial “Sustentabilidade e Responsabilidade Social”, publicado na edição de Dezembro (n.º 353) da Marketeer.




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