M.ª João Vieira Pinto
Directora de Redacção Marketeer
Somos excelentes. Ponto. E temos grandes marcas. Ponto final! Temos um vinho do Porto que é singular e design intocável, o melhor calçado, o melhor peixe e os mais finos têxteis, os melhores kayaks e o melhor do Mundo a atirar à baliza. Mas não conseguimos marcar golos que nos afirmem, que afirmem as nossas marcas no campeonato global.
Há anos que a discussão não difere muito. Sendo nós referência e tendo tantas referências, o que nos falta? O que nos falta para disputar com aquelas cujo nome é quase sinónimo de categoria? É uma questão de dimensão? Atitude? Arrojo? Vontade de ganhar e persistência? Consistência ou qualidade?
Ao contrário do que fomos apreendendo e nos fomos convencendo, Portugal não está no fim da lista quando se olha à dimensão geográfica por terras da Europa. Não, não somos tão pequenos como queremos acreditar que o somos. Aliás, estamos mesmo a meio da tabela quando olhamos para os nossos vizinhos. Só que a Dinamarca, mais pequena que nós, joga neste tabuleiro com uma LEGO. Os Países Baixos atiram com uma Shell ou Philips, e a Suíça cozinha com uma Nestlé… O que é que nos falta?
Somos avessos à incerteza. Ou melhor, passámos a ser. Quando o mapa se dividiu entre Portugal e Espanha, não nos faltava coragem e vontade de conquista. Entretanto, tornou-se cultural. Ainda nos resta o espírito, a vontade de criar, mas desapareceu-nos a determinação de querer, desde o início, ser o “melhor do mundo”. Falta-nos aposta contínua no skilling, reskilling e upskilling, investimento em formação de excelência, a necessidade de querer ter sempre as melhores ferramentas, os melhores ingredientes, os melhores artesãos e as maiores vontades. Só assim se constroem as marcas de excelência. Mas só assim, também, se consegue alavancar em escala e chegar ao topo, marcando, com as marcas portuguesas, o Mundo!
Editorial publicado na revista Marketeer n.º 352 de Novembro de 2025














