Ir mais longe: como as PME portuguesas estão a conquistar o mundo com propósito

Opinião
Marketeer
07/11/2025
16:30
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07/11/2025
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Opinião de Sofia Tavares, estudante de Mestrado em Marketing, e Cláudia Ribau, docente no ISCA-Universidade de Aveiro, na área do marketing e diretora do Mestrado em Marketing e Comunicação Digital

A internacionalização deixou de ser um luxo das grandes empresas. Hoje, são as PME que estão a redefinir o mapa da competitividade portuguesa, com estratégia, inovação e sensibilidade cultural.

Durante décadas, internacionalizar era visto como um passo reservado a quem tinha dimensão. Hoje, esse paradigma está ultrapassado. Cada vez mais pequenas e médias empresas (PME) portuguesas provam que o sucesso lá fora depende menos da escala e mais da visão. O segredo está em alinhar estratégia, propósito e autenticidade, três pilares que transformam limitações em oportunidades.

Entrar num novo mercado é muito mais do que abrir fronteiras. É compreender pessoas, hábitos e culturas. É perceber o que muda e o que deve permanecer igual. As PME, que triunfam globalmente, são as que dominam o equilíbrio entre a coerência e a adaptação, mantêm uma identidade forte e reconhecível, mas ajustam a oferta e a comunicação à realidade de cada mercado. É o princípio da glocalização: pensar globalmente, agir localmente.

Num mundo onde as marcas competem por atenção, a diferenciação sustentável tornou-se essencial. O design, a inovação e a responsabilidade ambiental são hoje tão estratégicos como o preço ou a distribuição. As empresas que integram a sustentabilidade no seu ADN não cumprem apenas exigências; criam valor percebido. Exportam não só produtos, mas também valores. E é isso que gera confiança e fidelização nos mercados internacionais.

Outro elemento decisivo é a força das redes. As PME portuguesas têm vindo a afirmar-se através de parcerias sólidas, quer com distribuidores e agentes locais, quer em plataformas digitais que ligam a marca ao consumidor final. As feiras internacionais continuam a ser espaços de contacto e aprendizagem, mas o verdadeiro motor da expansão está na capacidade de construir relações duradouras, baseadas na confiança e na reciprocidade.

A digitalização veio acelerar esta transformação. Hoje, é possível comunicar, vender e medir resultados em tempo real, adaptando mensagens e estratégias com base em dados concretos. O marketing digital internacional tornou-se um pilar indispensável: permite segmentar audiências, personalizar conteúdos e reforçar a notoriedade da marca de forma eficiente e escalável. Estar presente online já não basta. É preciso estar estrategicamente presente.

O desafio, no entanto, mantém-se: equilibrar controlo e autonomia. As PME que centralizam decisões garantem coerência global, mas podem perder agilidade local. O futuro passará por estruturas mais flexíveis, que mantenham a consistência da marca sem comprometer a adaptação cultural. É nessa fronteira, entre a visão global e a sensibilidade local, que nasce a verdadeira vantagem competitiva.

O caso das PME portuguesas demonstra que o sucesso internacional é uma questão de atitude. Exige curiosidade, capacidade de aprender com os mercados e vontade de inovar constantemente. Mais do que exportar produtos, estas empresas exportam identidade, um modo de pensar e de fazer que combina o rigor da gestão com o toque humano da cultura portuguesa.

A nova geração de marcas portuguesas já não quer apenas chegar mais longe. Quer deixar marca.

 

 

 

 




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