A prevalência estimada da diabetes em Portugal atingiu os 14,2%, o valor mais elevado de sempre. Além disso, em 2024 registou-se o maior número de novos casos nos Cuidados de Saúde Primários (88.467 diagnósticos). As conclusões são do mais recente Relatório Anual do Observatório Nacional da Diabetes, divulgado pela Sociedade Portuguesa de Diabetologia (SPD).
O relatório confirma a tendência crescente da prevalência da doença no País e alerta para a “persistência de elevados níveis de subdiagnóstico, atribuídos, em parte, à falta de integração dos dados provenientes do sector privado”.
O Observatório Nacional da Diabetes estima ainda que, no ano passado, a doença tenha representado um custo directo entre 1.500 e 1.800 milhões de euros, o equivalente a 0,5-0,6% do PIB nacional e 5-6% da despesa total em saúde. «Este relatório confirma que estamos perante uma epidemia que continua a crescer em Portugal. O aumento constante da prevalência da diabetes exige medidas mais eficazes de prevenção, diagnóstico precoce e articulação entre os níveis de cuidados», afirma em comunicado Rita Nortadas, presidente do Observatório Nacional da Diabetes. «Apesar de termos recuperado os rastreios e as consultas após a pandemia, o número de amputações continua inalterado. É um sinal de que ainda falhamos no controlo das complicações mais graves da doença», acrescenta.
O relatório revela, ainda, tendências positivas nesta área terapêutica que reflectem melhorias no acompanhamento e controlo da doença: registou-se uma redução de 39% nos anos potenciais de vida perdidos por diabetes ao longo da última década; um “ligeiro decréscimo” da doença nas causas de morte; bem como uma “diminuição significativa dos internamentos hospitalares em que a diabetes surge como diagnóstico principal ou associado”.
Os dados mostram ainda que mais de 90% dos internamentos ocorrem na população adulta, e que 85,3% das pessoas com diabetes tiveram pelo menos uma consulta registada no Serviço Nacional de Saúde em 2024.
Em Portugal, cerca de 1,1 milhões de adultos vivem com diabetes, o que “reforça a urgência de políticas de prevenção e acompanhamento”.














