Consumo de notícias nas redes sociais é uma tendência crescente e transgeracional

Notícias
Marketeer
03/09/2025
10:16
Notícias
Marketeer
03/09/2025
10:16


Partilhar

O consumo diário de notícias através das redes sociais revela uma tendência crescente e transversal a todas as faixas etárias, mas apenas os mais jovens colocam as redes sociais no top 5 de meios mais credíveis.

 

Esta é uma das principais constatações da mais recente edição do estudo Meaningful Media, realizado pela Havas Media Network com o objetivo de estudar a forma como os portugueses se relacionam com os meios de comunicação e a publicidade.

 

De acordo com o estudo, embora a utilização de um meio para efeitos de atualização continue a ser o principal driver de relevância para todas as faixas etárias, as motivações por detrás desta perceção têm vindo a alterar-se e persistem diferenças geracionais.

 

O entretenimento é, indiscutivelmente, algo que as gerações mais velhas (45 a 64 anos) procuram nos meios, a rivalizar de perto com a função informativa. Já para a Geração Z, a relevância dos meios é cada vez mais assente na descoberta de coisas novas, função que atribuem maioritariamente a motores de busca e redes sociais.

 

 

No que respeita à credibilidade, esta é mais consensual, com os canais de TV aberta a permanecerem como os meios mais credíveis em todas as idades, seguidos dos jornais.

 

Não obstante, a partir de 2023, regista-se uma mudança entre os mais jovens (15 aos 34 anos), com os motores de busca a ganharem território em detrimento da rádio e, especialmente, com as redes sociais a entrarem para o A graph of a number of people AI-generated content may be incorrect.top5 de credibilidade.

 

 

O consumo crescente de conteúdos noticiosos através das redes sociais pode ser um fator determinante para este aumento de credibilidade – inclusive com os vídeos virais a tornarem-se, cada vez mais, o “prime time” dos jovens, não só como fonte de entretenimento, mas também de informação.

 

Paralelamente, a tendência de “fuga a notícias” (“news avoidance”) está a aumentar, refletindo cansaço face à negatividade e ao contexto de permacrise. Se associarmos este movimento à crescente substituição do jornalismo profissional por criadores de conteúdos digitais, ou “jornalistas-influencers”, impulsionada por algoritmos, enfrentamos riscos acrescidos de escassez de confiança, potenciados pela desinformação e polarização de opiniões.

 

Mas a tendência de fuga à negatividade não se faz sentir apenas entre os consumidores, surge também entre as marcas, já que a publicidade associada a conteúdos jornalísticos caiu 33% entre 2019 e 2024, a nível global=. Em Portugal, esta queda foi de 27%, ligeiramente abaixo. Isto embora haja estudos que demonstrem que a presença de publicidade em contextos de elevada credibilidade tem eficácia superior.

 

Já no que diz respeito à forma como as diferentes gerações encaram a publicidade, os resultados continuam a mostrar perceções muito distintas.

 

Os mais jovens revelam menor tolerância face à publicidade e são os que mais utilizam adblockers – 54% dos 15-34 anos utilizam adblockers, face a apenas 21% da geração X.

Uma imagem com texto, captura de ecrã, Tipo de letra, design Os conteúdos gerados por IA podem estar incorretos.

No entanto, esta faixa etária também reconhece que uma boa qualidade criativa e uma segmentação relevante contribuem positivamente para a sua experiência com anúncios. Entre os mais velhos, existe uma maior aceitação da publicidade, quase uma questão cultural assente no hábito.

 

Este é o retrato da forma como diferentes gerações se relacionam com o ecossistema mediático, divergindo nas motivações e comportamentos. Gerações mais jovens mais propensas a consumir user generated content, a colocarem menos valor no jornalismo profissional, a procurar um consumo mais imediato e menos curado. Ao passo que gerações mais velhas aceitam melhor conteúdos longos, curados, de produção profissional, que associam a entretenimento e credibilidade.

 

 

 

Nota técnica:

Nesta quarta edição do estudo, foram realizadas 600 entrevistas a pessoas residentes em Portugal Continental, com idades compreendidas entre os 15 e os 64 anos, realizadas em novembro de 2024.

 




Notícias Relacionadas

Ver Mais