Por Sónia Correia dos Santos, diretora de PR e Marketing da Timeless Portugal
Fala-se cada vez mais em nation branding, isto é, na forma como um país se apresenta ao mundo. Portugal, nos últimos anos, tem investido fortemente na construção da sua marca-país. Mas, entre todos os veículos de promoção – desde campanhas publicitárias até eventos internacionais –, a experiência turística destaca-se como a forma mais eficaz e genuína de comunicar “Portugal”.
Nenhuma estratégia consegue competir com a força da experiência. Quem visita Portugal leva consigo algo que nenhuma campanha consegue comprar: a memória de uma vivência autêntica. Seja o pôr do sol no Tejo, o sabor de um pastel de nata acabado de sair do forno, a hospitalidade de uma aldeia no interior ou a adrenalina de surfar nas ondas da Nazaré, é na experiência sensorial e emocional que Portugal conquista.
São vivências que ficam gravadas na memória e que se transformam em histórias partilhadas. Nenhuma campanha de marketing consegue competir com a autenticidade dessa experiência direta. É aí que a marca ganha corpo.
O turismo tem ainda uma vantagem rara: mostra Portugal na sua pluralidade. Num único país cabem a tradição e a inovação, o fado e a música eletrónica, o Douro e o Alentejo, Lisboa cosmopolita e as ilhas que são paraísos naturais. Ao atrair visitantes, o país apresenta ao mundo não apenas os seus destinos, mas também a sua cultura, a sua criatividade e a sua capacidade de acolhimento.
E há um efeito multiplicador que não se pode ignorar. Cada turista transforma-se num embaixador informal, partilhando fotografias, vídeos e recomendações. O “boca a boca digital” que nasce do turismo é hoje mais poderoso do que qualquer cartaz publicitário em Times Square. É autêntico, espontâneo e, sobretudo, credível.
Este movimento traz consigo efeitos colaterais. O turismo não fala apenas a quem procura férias. Um país que conquista pela sua oferta turística ganha igualmente atratividade para o investimento estrangeiro, para o acolhimento de estudantes internacionais e até para a fixação de novos residentes. Portugal, ao projetar-se como destino turístico de qualidade, moderno e diverso, fortalece a sua reputação global em várias frentes. Como se tem vindo a comprovar.
Portugal não precisa de se inventar para se vender. Precisa, isso sim, de continuar a valorizar aquilo que já o distingue: hospitalidade, autenticidade e diversidade. E é através do turismo que essa identidade se comunica melhor. Porque, no fim de contas, a marca Portugal não se explica – vive-se.













