Opinião de Ana Barros, CEO Martech Digital
No universo da programação, há uma expressão informal que se tem vindo a popularizar: “vibe coding”. Refere-se àquele estado quase meditativo em que o programador se entrega ao código com foco, música ambiente, luz certa e uma sensação de que tudo está alinhado. Um estado de flow criativo, onde o raciocínio técnico e a intuição andam de mãos dadas. Curiosamente ou talvez não, é precisamente esse estado que muitos de nós, no marketing, também procuramos.
Afinal, por detrás dos dashboards, dos funis, das métricas e da performance, está uma missão maior: criar ligações significativas com pessoas. E isso exige mais do que ferramentas e planeamento, exige contexto, consciência e vibe.
O Marketing não é só ciência, é arte com alma.
Ao longo dos últimos anos assistimos a uma crescente pressão sobre as equipas de marketing para provar resultados, gerar leads, escalar audiências, automatizar processos. Tudo legítimo. Mas, por vezes, esquecemo-nos de que a criatividade precisa de espaço. Não há boas campanhas feitas à pressa. Não há boas ideias quando a mente está saturada. E não há inovação quando tudo é reativo e orientado apenas por KPIs.
Tal como os programadores em “vibe coding”, os profissionais de marketing precisam de momentos de entrega criativa para criar campanhas com autenticidade, que falem ao coração das pessoas e não apenas aos algoritmos. Para escrever conteúdos com impacto, que traduzam a marca de forma coerente, empática e relevante. Para desenvolver experiências digitais que vão além do funcional e criem verdadeiras emoções.
Dados, sim. Mas emoção, também.
O marketing eficaz hoje é uma dança entre o que sabemos e o que sentimos. Dados e criatividade não são opostos, são parceiros. Mas o verdadeiro desafio está em encontrar o ritmo certo. Porque se nos concentrarmos apenas na análise, perdemos a essência da marca. E se criarmos apenas com intuição, ficamos reféns do acaso.
O “vibe coding” no marketing é isso mesmo: aquele momento raro em que estratégia, intuição e criatividade se alinham, e o trabalho deixa de ser apenas execução para se tornar construção de significado. Então que tal criar ambientes que favoreçam o flow criativo?
Se queremos equipas mais inovadoras, marcas mais humanas e campanhas mais memoráveis, temos de criar condições para que o marketing respire. Isto significa dar tempo e liberdade criativa às pessoas, sem sufocar o processo com urgência constante. Apostar numa cultura de experimentação onde o erro seja parte do caminho e não um motivo de penalização. Mas também, promover uma ligação real entre dados e insights humanos com espaço para explorar hipóteses e fazer perguntas antes de saltar para soluções.
No marketing, também se programa com emoção. Talvez não escrevamos código todos os dias, mas no marketing também há linguagem, lógica, arquitetura, testes e ajustes. Mas, acima de tudo, há um propósito: comunicar com impacto, criar valor e gerar transformação.
Por isso, da próxima vez que estiver a desenvolver uma campanha, um conceito ou uma narrativa, pergunte-se: estou a operar no piloto automático? Ou estou em modo vibe coding?
Porque o marketing mais eficaz não nasce da pressão, mas da sintonia entre dados, criatividade e emoção. E quando essa sintonia acontece, não só criamos marcas mais fortes como também criamos equipas mais felizes.














