O setor da beleza está a atravessar uma transformação estrutural. O relatório Face Value, da consultora Worldpanel, evidencia que em 2024 os hábitos dos consumidores deixaram de ser encadeados em rotinas fixas e ganharam fluidez, agora, respondem a momentos específicos do dia, que a empresa apelida de “Beauty Spaces”. São lugares como “Work Mode”, “Sweat & Reset” ou “Evening Exhale”, onde os produtos cumprem funções concretas: potenciar a confiança ou favorecer o relaxamento.
Apesar da subida nos gastos com beleza, o uso de produtos está a estagnar ou mesmo a baixar em volume. Na Europa, observa-se um abrandamento no consumo, e na China há uma queda de 4% em despesa e de 1% em volume. Isto significa que as marcas carecem de ajustamentos criativos e estratégicos se querem prosperar em 2025.
Os consumidores preferem hoje produtos que combinem múltiplas funcionalidades num só passo. Exemplos incluem séruns capilares que limpam e acalmam após o desporto, condicionadores leave-in e óleos que nutrem durante a noite. Estes novos formatos híbridos proliferam, sobretudo em “Sweat & Reset” e “Lights Out”, refletindo a procura por beleza eficiente, flexível e adaptada a um estilo de vida em movimento.
A forma tradicional de expor produtos em loja está a perder relevância. Os consumidores privilegiam agora experiências alinhadas com os seus estados de espírito ou necessidades. O social commerce cresce exponencialmente, enquanto pop-ups por tema ou função ganham notoriedade. Plataformas como TikTok e YouTube Shorts tornaram-se vitrines de utilização em tempo real.
O novo paradigma da beleza configura-se à volta de momentos, não de rotinas. As marcas que captarem esta mudança estarão na linha da frente de uma nova era do mercado. A beleza do futuro será aquela que melhor se insere na vida real e nas necessidades do agora.














