Um estudo recente conduzido pela Universidade de Leeds, no Reino Unido, veio abalar uma das ideias mais comuns no consumo de vestuário: a de que peças mais caras são, necessariamente, mais duráveis. A análise revelou que o preço deixou de ser um indicador fiável de qualidade e resistência, pelo menos no que toca a t-shirts.
A investigação foi levada a cabo pelo Leeds Institute of Textiles and Colour (LITAC), em parceria com a ONG britânica Wrap, e avaliou 47 t-shirts masculinas e femininas comercializadas por marcas britânicas, com preços a variar entre gamas mais acessíveis e o segmento de luxo, incluindo peças que chegam aos 395 euros.
Todas as t-shirts foram submetidas a 50 ciclos de lavagem a 30°C e a testes laboratoriais para aferir a sua durabilidade física. O resultado? A peça mais resistente de todas custava apenas 28 libras. E entre os 10 modelos com melhor desempenho, seis tinham um preço inferior a 15 libras (cerca de 17,50 euros).
O estudo destacou ainda que t-shirts 100% algodão bem concebidas podem ser bastante resistentes ao uso. No entanto, também confirmou que essas peças tendem a encolher mais nas lavagens, comparando com outras composições têxteis.
Para os autores do estudo, a durabilidade deve estar no centro da conversa sobre sustentabilidade.
A investigação surge num momento em que a indústria europeia está a pressionar por mais transparência e critérios claros na avaliação da sustentabilidade dos produtos têxteis. A União Europeia prepara novas regras que vão definir como devem ser medidos fatores como durabilidade física, uso de materiais reciclados ou impacto ambiental.
Este estudo ganha ainda mais relevância num contexto de crítica crescente às plataformas de e-commerce de origem chinesa, que comercializam produtos de moda com preços extremamente baixos e tempos de vida reduzidos, colocando pressão sobre o mercado europeu e os consumidores.














