A H&M acaba de dar mais um passo estratégico rumo ao mercado premium. A marca sueca abriu um novo espaço shop-in-shop nas emblemáticas Galeries Lafayette, em Paris, um dos maiores ícones do retalho europeu. Com 63 metros quadrados, o espaço está inteiramente dedicado à linha infantil “Adorable”, lançada originalmente em 2024 no centro comercial Selfridges, em Londres.
Destinada a um público mais exigente e com maior poder de compra, a colecção aposta em peças produzidas com materiais como algodão orgânico, lã e seda — posicionadas como essenciais de qualidade herdável, bem distintas do ADN tradicional de moda rápida da H&M. Esta é a primeira incursão da marca neste formato em território francês, reforçando uma estratégia de diversificação e aproximação ao consumidor aspiracional.
O movimento da H&M segue uma tendência crescente entre gigantes do fast fashion que procuram legitimar-se junto do público premium. O grupo Inditex, por exemplo, tem lançado peças de edição limitada através da Zara, acompanhadas de campanhas com estética de luxo. Já a Mango tem vindo a expandir a sua presença nos EUA com linhas mais sofisticadas e posicionamento elevado.
Contudo, esta aproximação ao universo do luxo levanta questões sobre a autenticidade da proposta. Estar presente em lojas prestigiadas ou usar materiais nobres pode ajudar a atrair um novo tipo de consumidor, mas não resolve os problemas estruturais que continuam a afectar o sector — como o excesso de produção, desperdício e impacto ambiental.














