Já ouviu falar em lifestyle creep? Em português, poderíamos traduzir como “inflação de estilo de vida”, uma tendência subtil, mas poderosa, que pode estar a sabotar as suas finanças sem se aperceber.
É natural que, à medida que o rendimento aumenta, sintamos vontade de melhorar o nosso estilo de vida: um jantar mais requintado, um upgrade no telemóvel, umas férias mais luxuosas. O problema? Este comportamento muitas vezes instala-se de forma discreta, mas persistente e quando damos por isso, as poupanças já estão a derreter.
Neste artigo, explicamos o que é o lifestyle creep, como o reconhecer e, acima de tudo, como o controlar antes que arruíne os seus objetivos financeiros.
Segundo os especialistas em finanças pessoais, lifestyle creep é o fenómeno em que os gastos aumentam proporcionalmente ao aumento do rendimento. É muitas vezes motivado pela necessidade de acompanhar os outros , o chamado ‘efeito Jones’, em que, ao vermos os outros a gastar mais, sentimos que também devemos fazê-lo.
Este comportamento manifesta-se de várias formas: trocar de carro por um modelo de luxo, fazer compras por impulso em marcas premium ou planear escapadinhas frequentes ao estrangeiro. Mas há também versões mais subtis: pedir mais comida fora, fazer mais compras online ou assinar mais serviços de streaming.
O lifestyle creep é, muitas vezes, um reflexo emocional. Sentimo-nos recompensados, achamos que “merecemos” gastar mais, ou simplesmente queremos alinhar-nos com o padrão de vida que vemos nas redes sociais.
É um aumento lento e quase impercetível dos gastos, que só percebemos quando começa a afetar a nossa poupança ou a causar stress financeiro.
Nem tudo é negativo. Afinal, é legítimo querer usufruir do fruto do seu trabalho.
Vantagens:
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Melhoria da qualidade de vida;
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Aumento da motivação e bem-estar;
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Sensação de progresso pessoal e profissional.
Desvantagens:
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Diminuição da poupança;
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Falta de flexibilidade financeira;
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Risco de viver “de ordenado em ordenado”, mesmo com salário elevado;
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Stress causado por obrigações financeiras desnecessárias.
Embora seja um fenómeno comum, existem formas simples de o manter sob controlo:
1. Esteja consciente da mudança
O primeiro passo é reconhecer quando os seus hábitos de consumo estão a mudar. Acompanhar os seus gastos mensais, rever extratos e utilizar aplicações de orçamento pode ajudar a perceber padrões e agir a tempo.
2. Defina objetivos financeiros claros
Quer poupar para uma casa? Ter um fundo de emergência? Reformar-se mais cedo? Defina essas metas para que os seus gastos estejam alinhados com os seus valores e ambições.
3. Viva abaixo das suas possibilidades
Só porque pode pagar, não significa que deva comprar. Antes de qualquer despesa significativa, pergunte-se:
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É uma necessidade ou um desejo?
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Vai melhorar a minha vida a longo prazo?
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Está alinhado com os meus objetivos financeiros?
4. Automatize a poupança
Para evitar tentações, automatize transferências mensais para contas-poupança ou de investimento. Isso garante que uma parte do seu rendimento é “escondida” antes de ter a hipótese de a gastar.














