A Kraft Heinz Co. estará a planear uma cisão interna, numa tentativa de reagir à evolução do comportamento dos consumidores e travar a descida das suas ações, segundo fontes próximas da empresa, revela imprensa norte-americana.
De acordo com o plano avançado, a empresa está a avaliar a possibilidade de cindir grande parte do seu negócio alimentar numa nova entidade. Isto permitiria à empresa concentrar-se em segmentos de crescimento mais rápido, como os molhos.
As mesma fontes, que preferiram o anonimato, dão conta de que a Kraft Heinz ainda está a ultimar os detalhes da cisão, que poderá ser anunciada nas próximas semanas.
As ações da Kraft Heinz subiram 2,5% na sessão de Nova Iorque na sexta-feira, dando à empresa um valor de mercado superior a 32 mil milhões de dólares. “Conforme anunciado em maio, a Kraft Heinz tem vindo a avaliar potenciais transações estratégicas para libertar valor para os acionistas”, disse um porta-voz da empresa à Bloomberg.
No último relatório de resultados da empresa, o CEO Carlos Abrams-Rivera afirmou estar “extremamente consciente das crescentes pressões sobre o setor alimentar”, incluindo tarifas, ansiedade dos consumidores e “inflação incremental”..
A Kraft Heinz, que deverá divulgar os resultados do segundo trimestre a 30 de julho, foi constituída numa fusão em 2015 orquestrada pela 3G Capital e pela Berkshire Hathaway Inc., de Warren Buffett. As ações perderam quase dois terços do seu valor desde então, e a Berkshire cedeu recentemente os seus lugares no conselho da empresa. O acordo criou um gigante do setor alimentar embalado com uma gama de nomes conhecidos, desde o ketchup Heinz e o molho de tomate Classico ao Jell-O e aos cachorros-quentes Oscar Mayer.
Mas a empresa combinada tem lutado para expandir as suas vendas, com a receita a diminuir nos últimos dois anos fiscais, à medida que o gosto do consumidor muda e a concorrência se intensifica. A rendibilidade, medida pela margem operacional, também desceu no ano mais recente. Em abril, a Kraft Heinz reduziu a sua projeção anual de vendas e lucros, alegando a deterioração do sentimento dos consumidores.
As empresas de alimentos embalados, em geral, estão a lutar contra a mudança de sentimento dos consumidores que optam por opções mais saudáveis e menos processadas, bem como por marcas próprias mais baratas. Os reguladores federais também pressionam por listas de ingredientes mais curtas e naturais.
Uma reconfiguração do mundo dos alimentos embalados acelerou esta semana, quando a fabricante italiana de doces Ferrero International SA aceitou adquirir a WK Kellogg Co., fabricante dos Froot Loops e de outros cereais icónicos.














