A Mustique cresceu, evoluiu e decidiu mudar de nome. Nasce assim a Gandaia, uma marca que mantém o ADN irreverente e livre da sua antecessora, mas com uma nova maturidade, mais intencional, mais consciente e, acima de tudo, mais portuguesa.
Por Sandra M. Pinto
Nesta entrevista com Pedro Ferraz e da Vera Caldeira, fundadores da marca, conversamos sobre o processo de rebranding, a escolha do novo nome, a visão por trás da nova identidade e os desafios de crescer sem perder a essência. Falámos ainda sobre as novas coleções, a ligação à sustentabilidade, a vontade de internacionalizar a marca e, claro, sobre biquínis que se usam tanto na praia como na cidade. Porque a Gandaia, mais do que uma marca, quer ser um estado de espírito.
O que motivou a decisão de fazer o rebranding da Mustique para a nova marca Gandaia?
A Mustique cresceu e evoluiu e agora é a Gandaia. Sentimos necessidade de acompanhar os tempos. A Gandaia é a versão 2.0 da antiga marca, reforçando o conceito que já era vincado, mas que agora ganha novas linhas: a juntar aos padrões, temos também mais opções neutras e clean.
Quais foram os principais desafios que enfrentaram durante o processo de rebranding?
Acreditamos que o maior desafio foi também o que mais nos motivou a avançar com a mudança: manter alguma da identidade da marca antiga e, ao mesmo tempo, trazer novidade e intemporalidade à Gandaia.
Que significado tem o nome “Gandaia” para a marca e como ele reflete a nova identidade?
Queríamos um nome bem português, porque acima de tudo estamos a apostar na expansão da marca e assim levamos sempre Portugal para o mundo. Gandaia significa diversão, celebração, viver uma vida leve e livre, e isso é a nossa identidade.
De que forma a Gandaia se diferencia da Mustique em termos de posicionamento no mercado?
A Gandaia é uma marca que se expressa de forma mais madura, quer nas coleções, quer na linguagem que imprime: nos canais de comunicação, nas sessões fotográficas, nos modelos, até na decoração das lojas. Queremos manter o nosso público, que cresceu com a Mustique e também se tornou mais maduro, mas que não quer perder a leveza dos dias de sol, dos finais de tarde na praia, das festas com amigos; e queremos chegar a novos públicos, que querem vestir-nos e são espíritos livres como nós.
Quais são os principais valores e mensagens que querem transmitir com a Gandaia?
Na verdade, o que já queríamos transmitir com a marca que construímos desde o dia zero e que começámos em 2018, que quem nos veste é livre para escolher e ser o que quiser. Agora sentimos que a nossa roupa e os nossos acessórios se adaptam mais a diferentes moods. Apesar de termos uma identidade forte, os básicos Gandaia, que nos vão acompanhar em todas as coleções, são muito versáteis e adaptam-se a vários looks – mesmo tendo a nossa assinatura, nem que seja num pormenor.
Como foi o processo criativo para definir a nova identidade visual e o conceito da Gandaia?
Trabalhámos com várias equipas externas, que acreditamos terem vindo agregar mais valor às nossas cabeças que não param. As equipas: Pira Studio – geriu todo o projeto de rebranding – www.pirastudio.co; Desisto – naming & branding – www.desisto.pt; Mano a Mano – website novo – www.manoamanoclub.com; e XXXI Studio – arquitetura das lojas – www.xxxi.studio.
Que feedback receberam dos clientes e do mercado em geral após o lançamento da Gandaia?
As pessoas que já nos seguiam e consumiam Mustique compreendem a mudança e a evolução, acima de tudo. Claro que uma mudança de nome implica um período de adaptação. Faz parte e nós queremos dar o tempo certo para a marca e as mudanças respirarem. Como em qualquer negócio, temos de ter muito bem definida a estratégia que queremos implementar amanhã, para não perdermos nunca o comboio. Estamos confiantes de que este foi o passo certo a tomar.
Quais são as principais novidades ou mudanças na coleção em comparação com a Mustique?
Acreditamos muito numa transição mais equilibrada e não drástica, até porque não é isso que as duas marcas são – opostos. No fundo, queremos muito manter os padrões como a nossa imagem de marca, mas queremos também que a produção de qualidade nos defina. Ou seja, queremos trazer alguma calma à diversão que já nos caracterizava. Porque esta calma também é muito o espelho da marca mais madura que somos, e da luz de fim de dia das ruas de Lisboa.
Como planeiam comunicar e consolidar a nova marca junto do público-alvo?
Estes planos, se já eram uma das nossas prioridades, agora são o foco. Sabemos que só a falar diretamente com o nosso público, podemos conseguir colher bons frutos. E diretamente significa sermos nós, Vera e Pedro, a dar cara e a falar na primeira pessoa.
Quais os objetivos de crescimento e expansão da Gandaia para os próximos meses/anos?
Queremos levar a Gandaia além-fronteiras. Estamos empenhados na expansão e este é um dos eixos que se vai manter em paralelo com os restantes objetivos, porque, na verdade, não há limites. Ainda no passado mês de junho estivemos presentes na Paris Fashion Week, através de um showroom onde apresentamos a coleção Spring/Summer ’26, que adiantamos que se chama ‘Volte Sempre’. Assim, acreditamos que nos aproximamos de stakeholders importantes para o crescimento da marca, nomeadamente, buyers que vão ver em primeira-mão as novidades do próximo verão e podem tornar-se nossos stockists.
Que papel desempenha a sustentabilidade e responsabilidade social na nova visão da Gandaia?
Um papel importante. Hoje em dia não podemos ter um negócio sem que este seja um dos pilares base para manter uma marca contemporânea e, acima de tudo, ligada e atenta. A preocupação com o mundo que nos rodeia é a base. Produzimos tudo em Portugal, onde podemos garantir boas práticas de sustentabilidade e ética. Esforçamo-nos a cada coleção para utilizar de forma eficiente os tecidos, reaproveitando as sobras para novos produtos, como no caso dos “tube tops” da nossa coleção de swimwear.
O que podem os consumidores esperar da Gandaia em termos de inovação e experiência de compra?
Queremos, acima de tudo, oferecer aos nossos clientes uma experiência melhorada, quer comprem online ou em loja. Daí a importância de alinhar a linguagem da compra online, através do site, e da compra nas lojas físicas. O rebranding trouxe-nos isso mesmo, um fio condutor que nos permite, de forma coerente (esperamos nós) proporcionar uma boa experiência ao consumidor.
Como descreve o estilo e a personalidade da Gandaia em poucas palavras?
O perfil Gandaia é o espelho do que somos, espíritos livres, que gostam muito de uma boa festa, de estar com amigos, de viajar e conhecer o mundo, de aproveitar a vida no seu expoente máximo.
Existem planos para futuras colaborações ou lançamentos especiais com a nova marca?
Novas colaborações vão sempre fazer parte do nosso futuro. Lançámos no início do mês de julho as novas fardas para a equipa do restaurante O Velho Eurico. Esta colaboração retrata a essência do espírito da equipa d’O Velho Eurico que está totalmente alinhada com a nossa. Estão agora disponíveis a tshirt e a camisa para que o público possa também vestir a alma portuguesa do Eurico. Este é o exemplo de parcerias que nos movem e nos motivam a fazer mais e melhor, a elevar a Gandaia a outro patamar.
Lançam agora uma nova coleção de biquínis da Gandaia: qual é a inspiração por trás dela?
Os biquínis são um must have da coleção de verão, já assim era com a Mustique. Decidimos criar um padrão que uniformizasse este lançamento, disponível em três combinações de cores: castanho e amarelo, azul-turquesa e rosa, e vermelho e rosa. Além dos biquínis, e sempre com o objetivo de diminuir o desperdício e aumentar o aproveitamento de tecidos, criámos também os tube tops que podem também servir de saias.
Vocês veem os biquínis mais como uma peça de moda do dia a dia ou ainda como roupa de praia? Porquê?
Nós vemos os biquínis e os tube tops como mais um acessório que pode ser utilizado na praia, claro, ou estilizado de forma criativa num look do dia a dia.
De que forma a Gandaia tem procurado inovar no design e funcionalidade dos seus biquínis para que sejam usados além da praia?
Acreditamos que hoje em dia existem inúmeras utilizações possíveis para os biquínis e a criatividade não tem limites. Vendemos as três peças em separado para dar ao público Gandaia essa liberdade, desde o momento da compra. Inclusivamente, o tube top, que é uma estreia na coleção, quando combinado com as cuecas do biquíni parece um fato de banho.
Como a marca responde à crescente tendência de usar biquínis em contextos urbanos ou sociais?
Estamos muito atentos às tendências, principalmente, expressas nas redes sociais. E uma das grandes tendências do TikTok é, precisamente, a estilização de peças como biquínis com roupas do dia a dia. Queremos acompanhar as tendências e até criá-las, por isso, vamos sempre associar-nos a quem nos ajude a fazê-lo, como stylists, para podermos ter um olhar vanguardista sobre a utilização das nossas peças.
Que tipo de público a Gandaia quer atingir com esta nova proposta?
Mais do que atingir novos públicos, ou segmentar grupos, queremos que todas as pessoas se sintam bem com as roupas e os acessórios Gandaia, quem se identifica e vê no nosso produto um extra para melhorar um look, um mood, um dia.
Quais são os principais desafios ao criar peças que sejam versáteis para várias ocasiões?
É muito difícil criar produtos que falem para todas as pessoas. Aquilo que queremos é apresentar produtos de qualidade e que sejam contemporâneos, mas ao mesmo tempo intemporais. Estes dois componentes são exigentes, mas confiamos no processo e na nossa capacidade criativa. Estamos constantemente a pesquisar, a aprender, a procurar os melhores fornecedores, os melhores tecidos. Tudo interessa, para que no final, cada peça cumpra o seu propósito, e esse só pode ser dado por quem as compra.
Quais são as principais peças ou estilos que destacariam como mais versáteis e porquê?
Acreditamos que toda a coleção é bastante versátil, isso diz respeito à imaginação de cada um. Ainda assim, os básicos, a novidade na coleção Gandaia, são, naturalmente, mais fáceis de conjugar e por isso mais versáteis.
A Gandaia planeia expandir esta linha para outras categorias de roupa que também promovam essa versatilidade?
A liberdade faz parte do ADN da nossa marca. Somos muito atentos a tendências. Por exemplo, no passado, já desenvolvemos têxtil mesa em parceria com a Omer Gilony e uma coleção limitada para crianças. De certeza que a Gandaia vai ter muitas novidades, somos espíritos criativos
Na sua opinião, como a mudança de hábitos de consumo está a influenciar o mercado de swimwear e moda praia?
Hoje em dia existem muitas marcas de produção local no mercado de swimwear e moda praia, já não existem só as grandes marcas de fast fashion. É natural que se a concorrência é maior o mercado se torne mais exigente, mas isso só pode estimular-nos a fazer mais e melhor, a procurar diferenciarmo-nos de outras marcas, ao mesmo tempo, que nos mantemos coerentes com a linguagem Gandaia.
Como a marca se posiciona em relação à inclusão e diversidade na escolha de modelos e tamanhos nesta nova coleção?
A Gandaia é uma marca genderless. Mesmo utilizando mulheres e homens nas produções fotográficas, a nossa coleção é bastante versátil. Temos vários clientes que nos dão exatamente esse feedback: sentem que as peças Gandaia não têm género.
Qual foi a maior surpresa durante o desenvolvimento e lançamento desta coleção?
Tivemos várias, mas a primeira que me vem à cabeça foi a óptima resposta que tivemos à nossa coleção de swimwear feminino. Foi uma categoria que explorámos pela primeira vez no ano passado com a Mustique. É uma categoria muito específica – há marcas inteiras dedicadas só a bikinis e fatos de banho para senhora. Não é fácil desenhar um bom bikini, que assente bem em vários corpos. Este ano tivemos uma resposta incrível aos nossos, as clientes adoraram tanto os padrões como o fit das peças. Estamos muito contentes e ansiosos para que vejam o que já temos planeado para o próximo verão.














