O verão chegou e, com ele, os dias longos, os jantares com amigos, o cheiro a mar e os momentos (tão esperados) de pausa. No entanto, para quem lida com ansiedade, esta época pode trazer mais desafios do que alívio.
A psicóloga clínica Cátia Silva, também supervisora pela Ordem dos Psicólogos Portugueses, explica por que motivo a ansiedade não desaparece com o início das férias – e partilha estratégias práticas para lidar com esta condição, mesmo durante o período de descanso.
Ansiedade: O que é e como se distingue do medo
Antes de tudo, é essencial distinguir ansiedade de medo:
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Medo é uma resposta imediata a um perigo real e concreto.
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Ansiedade é uma reação antecipada a algo que poderá acontecer – muitas vezes associada a pensamentos do tipo: “E se isto correr mal?” ou “E se eu falhar?”
A ansiedade, embora natural em certas situações, pode tornar-se patológica quando o sistema de alerta se mantém ligado sem motivo real, afetando o sono, a concentração, o bem-estar e até a saúde física.
Os diferentes tipos de ansiedade
A ansiedade pode manifestar-se de várias formas, entre elas:
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Ansiedade generalizada: preocupação constante e difícil de controlar.
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Perturbação de pânico: ataques repentinos de medo intenso com sintomas físicos.
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Fobias: medo excessivo de objetos ou situações específicas.
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Ansiedade social: receio de avaliação negativa em interações sociais.
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POC (Perturbação Obsessivo-Compulsiva): obsessões e compulsões repetitivas.
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PTSD (Stress Pós-Traumático): sintomas persistentes após vivências traumáticas.
Férias: libertação ou gatilho?
Embora o verão represente para muitos um momento de relaxamento, a verdade é que as férias podem intensificar a ansiedade por diversos motivos:
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Rutura com a rotina: a perda de estrutura pode ser desconfortável.
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Pressão estética: o “corpo de verão” ainda pesa (infelizmente) na autoestima de muitos.
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Comparações nas redes sociais: férias “perfeitas” dos outros geram frustração.
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Maior convívio social: nem todos se sentem confortáveis com mais interação.
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Idealização do descanso: quando as férias não cumprem as expectativas, pode surgir culpa.
8 Estratégias para gerir a ansiedade durante as férias
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Aceite o que sente: não se culpe por sentir ansiedade em pleno verão.
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Mantenha alguma estrutura: refeições regulares, descanso e movimento ajudam a regular o corpo.
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Evite comparações tóxicas: redes sociais podem distorcer a realidade.
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Cuide do corpo com compaixão: hidrate-se, descanse e mova-se sem pressões.
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Diga “não” sem culpa: selecione os compromissos que fazem sentido para si.
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Desligue-se, literalmente: crie momentos sem ecrãs, sem ruído, sem pressão.
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Respire com intenção: experimente respiração diafragmática (inspirar em 4 tempos, expirar em 6).
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Peça ajuda profissional: a terapia é um recurso valioso e eficaz.
Verão não é sinónimo de perfeição – e está tudo bem
Nem todas as férias são tranquilas. Nem todos os dias de sol vêm sem nuvens internas. O importante é normalizar a experiência, respeitar os próprios limites e dar espaço ao que se sente – com empatia e autocuidado.
A ansiedade pode estar presente, mas não tem de comandar. E com as estratégias certas, é possível viver um verão mais consciente, mais gentil e – acima de tudo – mais leve.














