Por Soraia Pedroso da Costa, CEO & founder — SoraiaPedroso Boutique de Comunicação
Vivemos numa era em que tudo parece instantâneo: likes, views, impressões, presenças fugazes em manchetes e, com isso, nasceu uma ideia perigosamente tentadora: a de que a notoriedade é algo que se pode comprar. Que basta aparecer. Que uma campanha certa ou uma entrevista isolada garantem reconhecimento duradouro. Mas, não garantem nem reconhecimento, nem reputação.
A verdade é que notoriedade não se compra. Constrói-se. Com tempo, consistência, visão e, acima de tudo, estratégia. Porque aparecer é fácil, mas permanecer na memória coletiva, ser reconhecido como referência e manter coerência entre o que se diz e o que se faz — isso é um trabalho de fundo. Uma construção paciente. Uma conquista que se faz a muitas mãos, mas que começa com uma decisão: a de comunicar com propósito.
A notoriedade verdadeira não depende de uma ação isolada. Depende de uma presença pensada, sustentada por valores, por conteúdo relevante e por uma relação consistente com os vários stakeholders da marca. Os media são importantes, claro, mas não bastam. Porque o que sai hoje pode ser esquecido amanhã e só as marcas que têm algo a dizer, de forma continuada, conseguem ficar.
Contudo, a confusão entre visibilidade e notoriedade é comum, mas são conceitos radicalmente diferentes. Visibilidade é aparecer. Notoriedade é marcar. Visibilidade pode ser comprada. Notoriedade tem de ser construída. Uma marca pode ser altamente visível e, ainda assim, irrelevante. O contrário também acontece: marcas que quase não falam, mas que quando o fazem são ouvidas e isso não acontece por acaso. Acontece porque foram consistentes. Porque souberam esperar. Porque construíram antes de comunicar.
Em assessoria de imprensa, há um trabalho muitas vezes invisível, mas fundamental. É o trabalho de afinar mensagens, de construir narrativas, de posicionar vozes. É a repetição inteligente, a coerência cuidada, a capacidade de saber quando falar e quando esperar. Porque comunicar com impacto não é aparecer sempre. É aparecer quando faz sentido, com algo que mereça ser ouvido.
Num mundo cada vez mais ruidoso, a coerência tornou-se uma vantagem competitiva e a paciência uma estratégia. As marcas que realmente conquistam notoriedade são aquelas que entendem que a comunicação é um pilar estratégico do negócio. Que percebem que é na consistência da presença, na qualidade do discurso e na verdade da relação que se constrói reputação. E reputação não se herda, conquista-se.
Muitas marcas ainda procuram soluções rápidas para problemas de fundo, mas não há atalhos para a construção de autoridade. Não há fórmulas mágicas para se tornar uma referência. Há trabalho. Há escuta. Há consistência. Há coragem para escolher o silêncio quando ele vale mais do que o ruído. Há visão para resistir à pressa e escolher o tempo certo, pensar a longo prazo, mesmo quando tudo à volta grita por resultados imediatos.
Na ansiedade dos resultados imediatos, muitas vezes perde-se a oportunidade de construir algo maior. Algo que resista ao tempo e à velocidade do ciclo noticioso. Porque notoriedade é isso: não é ser falado hoje. É ser lembrado amanhã. E para isso é preciso tempo e trabalho. Muito trabalho.
Quem quer ser reconhecido tem de estar disposto a fazer o caminho. A construir presença com intencionalidade. A investir em relações, não apenas em campanhas. A saber que a visibilidade pode ser comprada, mas a notoriedade é conquistada e leva tempo. Mas vale a pena. Porque quem constrói com tempo, constrói para durar.














