O Chanel n°5 não é apenas uma fragrância, é um marco cultural. Com mais de um século de história, o perfume que conquistou celebridades como Marilyn Monroe continua a influenciar o mundo da moda, da publicidade e da perfumaria.
Quando, numa entrevista, Marilyn respondeu que usava apenas “Chanel n°5” para dormir, eternizou uma das frases mais icónicas do marketing de produto. Mas como surgiu este perfume lendário?
Muito antes da Chanel, o perfume já fazia parte da história da humanidade. O uso de fragrâncias remonta a cerca de 4.000 a.C., na Mesopotâmia e no Antigo Egipto, onde óleos aromáticos eram utilizados em rituais e cuidados pessoais. Registos históricos mostram a produção de perfumes à base de lírio já no século IV a.C., com destaque para a figura de Tapputi, considerada a primeira química da história, responsável pela criação de fragrâncias cerca de 1200 a.C.
Avançamos para o século XX, quando outra mulher viria a marcar a história da perfumaria: Gabrielle Bonheur Chanel, mais conhecida como Coco Chanel. Nascida em 1883, em Saumur (França), de origens humildes, começou por trabalhar como costureira e cantora de cabaré. O nome “Coco” terá surgido nessa fase inicial da sua carreira, possivelmente como referência à palavra francesa cocotte.
Inspirada pelas suas vivências e pelas relações próximas com figuras influentes da época, como o aristocrata inglês Boy Capel, Chanel começou a consolidar a sua marca e visão estética, simples, refinada, moderna.
Diz-se que foi durante esse período que Chanel se inspirou no design das garrafas de whisky de cristal que via no apartamento onde vivia, adaptando essa estética minimalista e sofisticada ao frasco do perfume que viria a revolucionar a indústria.
O perfume Chanel n°5 foi lançado em 1921. A fragrância foi criada por Ernest Beaux, um perfumista franco-russo que havia trabalhado para a perfumaria imperial russa. Beaux apresentou a Chanel uma série de amostras, numeradas de 1 a 5 e de 20 a 24. A escolha recaiu sobre a quinta fórmula — e o resto é história.
Mais do que um perfume floral, o Chanel n°5 representava uma revolução: a primeira fragrância com aldeídos sintéticos, que criavam um aroma mais abstrato e duradouro, rompendo com os perfumes tradicionais da época, geralmente mais literais e florais.
O frasco, com linhas direitas e tampa geométrica (redesenhada em 1924), tornou-se um símbolo de modernidade e um exemplo de branding visionário. O Chanel n°5 foi o primeiro perfume a ser promovido como um verdadeiro objeto de luxo, não apenas como cosmético — e a primeira fragrância a beneficiar de uma estratégia de marketing global.
O sucesso do Chanel n°5 não é apenas olfativo. A sua longevidade deve-se a uma gestão de marca exemplar. Da imagem de Marilyn Monroe aos anúncios com Nicole Kidman ou Marion Cotillard, o perfume tem sido associado a figuras que personificam o espírito livre, elegante e enigmático da maison Chanel.
Mais de 100 anos depois do seu lançamento, o Chanel n°5 continua a ser um case study de excelência em branding, inovação e storytelling — um produto que transcende o tempo e as tendências, mantendo-se atual sem perder a essência.














