Com mais de um século de história, representa muito mais do que estilo: é uma expressão de herança, excelência artesanal e visão estratégica — pioneira naquilo que hoje entendemos como branding.
Para compreender o impacto do Monograma LV, é preciso recuar até 1896. Georges Vuitton, filho do fundador Louis Vuitton, criou o símbolo com o intuito de proteger os produtos da casa de falsificações. Em homenagem ao seu pai, desenhou as iniciais “LV” entrelaçadas, complementadas com motivos florais inspirados na arte japonesa e na estética vitoriana.
A proposta foi disruptiva. Esta identidade visual distinta e inconfundível rapidamente conquistou o imaginário coletivo, tornando-se sinónimo de sofisticação e autenticidade. O Monograma foi mais do que um elemento decorativo, marcou o início de uma nova era na construção de marcas de luxo, décadas antes do conceito de “gestão de marca” ganhar tração.
Já em 1965, Gaston-Louis Vuitton, neto do fundador, detalhou os elementos-chave do Monograma: as letras “LV” elegantemente entrelaçadas; um losango com uma flor de quatro pétalas ao centro; a mesma flor aplicada em positivo; e um círculo que contém outra flor de pétalas arredondadas. A combinação destas formas cria um padrão equilibrado e intemporal, desenhado para resistir às tendências efémeras e manter-se atual.
Ao longo das décadas, a Louis Vuitton foi mantendo viva a sua herança através da inovação. Um dos momentos mais emblemáticos aconteceu em 2014, com a campanha Celebrating Monogram, em que a marca convidou seis criadores de renome internacional para reinterpretar o padrão icónico. Christian Louboutin, Karl Lagerfeld, Rei Kawakubo, Frank Gehry, Marc Newson e Cindy Sherman foram os protagonistas desta homenagem artística, criando malas e peças únicas que uniam o design contemporâneo à tradição da maison.
Antes disso, colaborações com artistas como Stephen Sprouse e Takashi Murakami já haviam trazido uma linguagem mais gráfica e pop ao Monograma, provando que este não era um símbolo preso ao passado, mas sim um canvas vivo e mutável.
A modernização do Monograma passou também pelas mãos do calígrafo Claude Mediavilla, que redesenhou os elementos ornamentais para garantir a sua reprodução fiel em novos suportes e formatos digitais. Esta atualização cuidada manteve a integridade gráfica do padrão, assegurando a coerência visual da marca no século XXI.
Atualmente, o Monograma continua presente em clássicos como os modelos Speedy e Keepall, mas também em novas colaborações, edições limitadas e produtos digitais. Mesmo perante transformações estéticas e culturais, os seus elementos essenciais mantêm-se inalterados, numa prova de consistência estratégica.
Em 2010, um estudo da consultora Millward Brown posicionava a Louis Vuitton como a 29ª marca mais valiosa do mundo, um feito notável para uma casa que nasceu de um artesão e cuja força reside, até hoje, na fidelidade à sua história. Mas o verdadeiro valor do Monograma vai além dos números: representa uma ligação emocional e cultural que atravessa gerações.
A força do Monograma Louis Vuitton está em saber equilibrar três mundos: o da arte, da moda e do design. Cada peça que ostenta este padrão carrega uma herança feita à mão, alimentada por inovação técnica e uma visão estética apurada.














