Uma investigação levada a cabo pela Associação Sueca de Apicultores revelou um problema preocupante nos supermercados do país e possivelmente em muitos outros mercados europeus: a maioria da mel importada que é vendida como tal não cumpre os critérios legais para ser considerada mel.
Segundo os dados divulgados pelo jornal sueco Dagens Nyheter, 90% das amostras analisadas estavam adulteradas. Em vez de mel puro, o conteúdo dos frascos incluía ingredientes não identificados, aditivos e xaropes que contrariam frontalmente a definição imposta pela legislação da União Europeia.
“Não sabemos exatamente o que estamos a comprar”, alerta Yngve Kihlberg, presidente da Associação Finlandesa de Apicultores.
O estudo recorreu a testes de ADN alimentar, uma técnica avançada para detetar substâncias não naturais na composição dos produtos. Entre as 40 amostras testadas, 36 continham ingredientes estranhos ao produto original.
Embora esta descoberta tenha causado choque na Suécia e Finlândia, o problema está longe de ser novo. Em 2022, um relatório da União Europeia já alertava que quase metade da mel importada para o continente apresentava sinais claros de adulteração, especialmente com xaropes açucarados de baixo custo.
O mais preocupante, segundo os especialistas, é que os métodos de controlo tradicionais estão a tornar-se obsoletos. Países como China e Vietname desenvolveram técnicas para fabricar misturas de açúcares altamente refinadas que conseguem escapar aos testes laboratoriais mais comuns.
“É uma armadilha económica”, afirma Kihlberg. “Estas falsificações permitem cortar custos enquanto os consumidores e os apicultores honestos pagam a fatura.”
A diretora do departamento de controlo alimentar da Autoridade Alimentar da Suécia, Ellen Edgren, reconhece que estas mel adulteradas podem estar nas prateleiras dos supermercados, mas garante que não representam um risco para a saúde pública.
“Se fossem perigosas, já teriam sido retiradas do mercado. O problema é ético e económico: estamos a ser enganados”, explicou Edgren.
Ela acrescenta que os falsificadores estão sempre um passo à frente, recorrendo a técnicas cada vez mais sofisticadas para contornar os regulamentos e testes.
Em 2023, a Suécia importou praticamente toda a sua mel de países europeus, mas também recebeu quantidades menores da China, Argentina e Etiópia. O cenário é semelhante na Finlândia, onde a Argentina é o principal fornecedor fora da Europa.
Neste momento, nem mesmo os especialistas conseguem afirmar com segurança o que realmente contêm muitos dos frascos rotulados como “mel”. “É um verdadeiro mistério”, conclui Kihlberg.
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