Com uma nova legislação aprovada pelo Senado francês a 10 de Junho, o país torna-se pioneiro na regulação da promoção de marcas de ultra-fast fashion por influenciadores digitais e outros meios de comunicação.
A medida, que contou com apoio quase unânime, visa travar a disseminação de hábitos de consumo insustentáveis alimentados pelas redes sociais. Plataformas como Instagram, TikTok e YouTube estão no centro da discussão, sendo agora expressamente proibida a promoção de marcas conhecidas por práticas agressivas de produção em massa e preços extremamente baixos, casos de Shein ou Temu.
A nova lei não se limita a restringir a publicidade tradicional, como televisão, rádio ou imprensa escrita, mas incide, de forma inédita, sobre o marketing de influência. Criadores de conteúdo que colaborem com marcas de ultra-fast fashion arriscam multas pesadas, sendo responsabilizados pela pegada ecológica das marcas que promovem.
Este é um dos primeiros esforços legislativos que associa diretamente o marketing digital aos danos ambientais provocados por determinados padrões de consumo.
Além das restrições publicitárias, a legislação prevê a introdução faseada de uma eco-taxa por peça de roupa vendida: 5 euros em 2025, com aumento progressivo até 10 euros por artigo em 2030. Este valor será limitado a 50% do preço de venda ao público, para evitar distorções excessivas.
As marcas serão também obrigadas a divulgar indicadores ambientais como emissões de carbono, consumo de recursos e capacidade de reciclagem dos produtos. A informação deverá ser clara e comparável, numa tentativa de influenciar escolhas mais conscientes por parte dos consumidores e maior responsabilidade por parte das empresas.
De acordo com dados da Agência Francesa do Ambiente, são deitados fora cerca de 35 artigos de vestuário por segundo em França
A legislação distingue entre fast fashion e ultra-fast fashion. Grandes retalhistas europeus como a Zara ou a H&M não estão abrangidos pela proibição dirigida aos influenciadores, nem pelas taxas mais elevadas, o que já motivou críticas por parte de grupos ambientalistas, que consideram a distinção uma brecha que favorece marcas europeias.














