Depois da casa arrombada trancas na porta: empresas gastam milhares para corrigir erros da IA

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Marketeer
08/07/2025
17:50
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Contudo, a realidade tem mostrado que essa poupança inicial pode transformar-se numa despesa muito maior de modo a se conseguir corrigir os erros da própria IA.

De acordo com um recente artigo da BBC, está a emergir uma verdadeira “indústria artesanal” de escritores e programadores especializados em reparar as falhas causadas pela IA. E aqueles que dominam estas tarefas estão a aproveitar para aumentar os seus rendimentos.

Sarah Skidd, gestora de marketing de produto nos EUA, contou à BBC que não receia ser substituída pela IA, até porque, pelas suas recentes experiências, grande parte do seu trabalho tem sido corrigir os erros que a tecnologia comete.

Este ano, foi abordada por uma agência que precisava urgentemente de refazer um texto publicitário feito por um chatbot de IA, com o objetivo de economizar. Segundo Sarah, o texto era “muito básico” e desinteressante, incapaz de captar a atenção ou de vender de forma eficaz.

“Supunha-se que o texto iria vender e despertar interesse, mas acabou por ser muito banal,” explicou. Para transformar o trabalho, teve de começar do zero, gastando cerca de 20 horas no processo. Com uma tarifa de 100 dólares por hora, o cliente acabou por gastar cerca de 2 mil dólares, um valor muito superior ao que teria custado contratar um profissional desde o início.

Este cenário está a tornar-se cada vez mais comum, com várias empresas a tentar substituir os trabalhadores despedidos durante a recente febre da IA, para depois se verem forçadas a recorrer novamente a profissionais humanos.

Sophie Warner, co-proprietária da agência digital britânica Create Designs, revelou que tem recebido um número crescente de pedidos para corrigir os problemas causados pela IA.

“Antes, os clientes contactavam-nos para resolver problemas no site ou implementar novas funcionalidades,” disse Warner à BBC. “Agora, vão primeiro ao ChatGPT.”

Num dos casos recentes, um cliente ficou três dias sem site e teve de pagar quase 500 dólares para a agência resolver um erro causado por uma pequena linha de código gerada pela IA. Uma correção manual teria levado apenas 15 minutos.

“Muitas vezes temos de cobrar uma taxa de investigação para perceber o que correu mal, porque os clientes não querem admitir o erro,” acrescentou Warner. “E o processo de correção demora muito mais do que se tivessem consultado profissionais desde o início.”

Apesar de beneficiarem financeiramente destes erros da IA, tanto Sarah como Sophie não são contra a tecnologia, mas estão frustradas com a ideia errada de que a IA pode substituir o trabalho especializado.




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