Mais do que um concurso de música, a Eurovisão é uma plataforma de visibilidade internacional com um potencial único para transformar artistas em marcas globais. Em apenas três minutos, um artista pode não só conquistar um público de mais de 160 milhões de espectadores, como também consolidar uma identidade de marca pessoal que transcende o palco.
Se o talento vocal e a qualidade da canção continuam a ser essenciais, o branding pessoal tornou-se um dos fatores decisivos para o sucesso duradouro dos participantes. A presença em palco, a estética visual, a coerência narrativa e a ligação emocional com o público são hoje elementos centrais de uma estratégia pensada para além do espetáculo.
Loreen: a força da coerência emocional
A artista sueca Loreen, vencedora em 2012 e novamente em 2023, é um dos exemplos mais sólidos de branding pessoal bem-sucedido no contexto da Eurovisão. A sua estética minimalista, aliada a uma narrativa introspetiva e espiritual, construiu uma marca autêntica, reconhecível e emocionalmente envolvente.
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Narrativa clara: empoderamento, liberdade, espiritualidade.
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Estética visual consistente: tons escuros, estilo nórdico, movimentos suaves.
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Experiência sensorial: mais do que atuações, Loreen oferece momentos imersivos.
Måneskin: atitude como identidade global
A banda italiana Måneskin, vencedora em 2021, mostrou como transformar rebeldia em capital de marca. Com uma imagem provocadora e uma forte presença nas redes sociais, o grupo tornou-se um fenómeno global — tanto na música como na moda.
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Identidade ousada: irreverência, diversidade, energia juvenil.
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Parcerias estratégicas: colaborações com marcas como Gucci reforçam o ADN visual e aspiracional.
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Branding transmediático: da Eurovisão para festivais internacionais, editoriais de moda e redes sociais.
Chanel: de desconhecida a fenómeno pop
A artista espanhola Chanel protagonizou, em 2022, uma das maiores viragens de carreira pós-Eurovisão. Com uma performance altamente coreografada da canção “SloMo”, aliou carisma, técnica e sensualidade num pacote visual apelativo — facilmente replicável nas redes sociais.
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Imagem aspiracional e profissional: confiança, feminilidade e controlo.
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Aposta no TikTok: desafios virais e fragmentos de atuação criaram proximidade com o público mais jovem.
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Da televisão para a cultura pop: Chanel tornou-se ícone em tempo recorde.
Os casos de Loreen, Måneskin e Chanel ilustram que, no palco da Eurovisão, não basta cantar bem — é preciso criar uma marca pessoal com significado. Esta lógica aplica-se tanto a artistas como a empresas e profissionais que procuram destacar-se num mercado global e competitivo.
Quatro lições-chave:
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Coerência estética e narrativa: a imagem visual e a mensagem devem alinhar-se em todos os canais.
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Presença digital ativa: dominar plataformas como TikTok, Instagram ou YouTube amplia a influência.
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Ligação emocional: marcas que criam emoção geram fidelização.
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Alianças estratégicas: colaborações com outras marcas ou sectores reforçam o posicionamento.














