As peles voltaram à ribalta nas passarelas do outono/inverno 2025-26, marcando presença em desfiles de marcas como Tory Burch, Fendi, Miu Miu ou Simone Rocha, e nos looks de celebridades como Hailey Bieber, Taylor Swift e Rihanna. No entanto, esta tendência levanta questões cada vez mais urgentes sobre sustentabilidade e bem-estar animal.
Desde que a Gucci anunciou em 2017 que deixaria de usar peles verdadeiras – decisão que influenciou grande parte da indústria de luxo –, assistiu-se a uma explosão no uso de alternativas sintéticas. Mas essas soluções, muitas vezes feitas à base de poliéster e derivados de combustíveis fósseis, apresentam também problemas ambientais sérios, uma vez que não são verdadeiramente circulares.
Como resposta, surgem agora alternativas mais sustentáveis, como a Savian: uma pele 100% vegetal desenvolvida pela empresa de biotecnologia BioFluff. Produzida em Itália com fibras como urtiga, linho e cânhamo europeus, esta nova pele fez a sua estreia num casaco da designer Stella McCartney durante a COP28 e já integrou coleções da marca dinamarquesa Ganni na Copenhagen Fashion Week.
“Estamos a trabalhar com várias marcas de moda nos mercados de luxo, contemporâneo e acessível para desenvolver materiais adequados às suas necessidades”, afirmou Roni Gamzon, cofundador da BioFluff.
Por outro lado, o preço continua a ser um obstáculo à massificação: “Muitas marcas construíram uma dependência de materiais sintéticos de baixo custo fabricados em massa no Extremo Oriente, tornando impossível para nós competir puramente em preço.”
A BioFluff integra a La Maison des Startups, programa de aceleração da LVMH para soluções inovadoras – o mesmo grupo que, em contradição, também apoia financeiramente a The International Fur Federation.
Enquanto isso, o mercado de peles artificiais continua a evoluir. “Reviver looks históricos para roupas contemporâneas é uma parte natural do ciclo da moda”, explica Natascha Radclyffe-Thomas, professora associada na Ravensbourne University. Mas também alerta: “O tópico de pele falsa é muito complicado.”
Segundo Eshita Kabra-Davies, fundadora da plataforma de aluguer By Rotation, a durabilidade das peles artificiais de qualidade tem permitido o seu reaproveitamento e circulação, especialmente entre marcas como a Charlotte Simone, muito procurada por nomes como Dua Lipa e Madonna.
No entanto, para defensores dos direitos dos animais como Emma Håkansson, da Collective Fashion Justice, nem mesmo a pele vintage é uma solução aceitável. “A pele vintage continua a ser uma roupa feita da pele de um animal morto e enjaulado desnecessariamente. É um símbolo contínuo da supremacia humana sobre outros animais.”
Num setor em que estilo, ética e inovação caminham lado a lado, a pele vegetal como a Savian pode representar o futuro da moda.














