Parfois: quem é a dona do império dos acessórios e a quinta mulher mais rica de Portugal?

Notícias
Marketeer
31/05/2025
14:00
Notícias
Lídia Belourico
31/05/2025
14:00


Partilhar

No entanto, de acordo com os números oficiais, Amancio Ortega possui apenas 280 lojas Zara no país. Menos 60 pontos de venda do que a Parfois. A empresa portuguesa de acessórios, que chegou a Madrid há 10 anos e que, desde então, tem vindo a faturar milhões.

De facto, a empresa afirma ter cerca de 1.000 lojas em todo o mundo e faturar mais de 300 milhões de euros por ano, dos quais 40% são gerados em Espanha. Por isso, não é de estranhar que a sua fundadora seja considerada a quinta mulher mais rica de Portugal. Aliás, segundo a Forbes, Manuela Medeiros (67 anos) é uma das empresárias “mais poderosas” de Portugal.

De acordo com o Jornal de Negócios, aos 42 anos, Manuela Medeiros – natural do Porto – teve uma ideia que surpreendeu os que lhe eram próximos. Já tinha viajado muitas vezes para Londres e, depois de ver montras que a inspiraram, em 1994, decidiu criar uma empresa de acessórios, “com o desejo de democratizar o acesso à moda a todas as mulheres”. Assim, a empresária arranjou uma loja na conhecida rua de Santa Catarina, encheu o espaço de cores e, em menos de um mês, tornou-se um sucesso. O motivo? A diversidade de jóias, bolsas e lenços oferecidos a um preço absolutamente razoável, que permitiu a Manuela recuperar rapidamente o seu investimento e abrir a mente à possibilidade de expansão.

Assim, a Parfois desembarcou em Espanha em 2012 e, de acordo com a ModaEs, Medeiros e os seus sócios conceberam um projeto a médio prazo para fazer de Espanha a sede do seu negócio. Tudo através de franchisings e corners em grandes armazéns. Mas o plano não só correu bem, como foi melhor do que o esperado e a Parfois abriu 26 pontos de venda em 2012, 40 em 2013 e mais de 50 em 2014. E, como resultado, em Portugal, os estudantes universitários começaram a estudar o modelo de Medeiros, enquanto as publicações financeiras começaram a apontá-la como uma espécie de génio. Um exemplo que mereceu vários prémios – incluindo o de mulher de negócios do ano em 2019. No entanto, a portuense nunca se sentiu uma super figura. Pelo contrário, sempre manteve um perfil discreto e só raramente deu entrevistas.

“Caracterizo-me por ser uma mulher trabalhadora, para quem a família é muito importante, pelo que gostaria de ser reconhecida como uma boa mãe, uma boa filha e uma boa irmã, uma pessoa amiga dos seus amigos e uma empreendedora que tem verdadeiro prazer em criar e concretizar projectos”, disse ao Viva Porto em 2007, numa entrevista em que também confessou que gosta de manter uma vida equilibrada. Diz que se interessa muito pelo seu negócio, mas também se interessa muito pela família e, por isso, arranja tempo para ir ver os familiares e partilhar até os mais pequenos pormenores com as filhas Bárbara e Mariana, que – voluntariamente – também decidiram trabalhar na Parfois. “Foi uma decisão delas e hoje têm cargos com responsabilidades”, revelou Medeiros no ano passado.

Por outro lado, a milionária garante que não é viciada em trabalho e que nos tempos livres gosta de fazer ginástica, sudoku, visitar exposições de arte e ir ao cinema, além de viajar o mais que pode para fazer uma pausa e não cometer erros. “A verdade é que não tenho medo de cometer erros porque, nas minhas decisões, a margem de erro é muito pequena. Porque sou uma pessoa que leva muito tempo a refletir”, afirma. Da mesma forma, alguns dos seus colegas destacam a capacidade de Manuela liderar sempre “a partir do banco de trás”. Medeiros prefere não aparecer em eventos públicos e prefere que os seus colaboradores, em quem confia plenamente, o façam. Por exemplo, há 16 anos, já revelava que não tinha medo de entregar o controlo da empresa se esta precisasse de outro guia… E, sem pensar duas vezes, ela seguiu-o.

É que, em 2006, Medeiros começou a ceder o poder a Sérgio Marques, o seu antigo diretor financeiro que se tornou CEO. De acordo com o Grande Consumo, sob a liderança de Marques, a Parfois passou de um volume de negócios de 20 milhões de euros para 290 milhões de euros, em 2018, quando ele deixou a empresa. Em seguida, a espanhola María José Folache, antiga CEO da Tous, assumiu as rédeas e permaneceu no cargo até fevereiro de 2021. Segundo a imprensa especializada, a saída de Folache representou uma crise na Parfois. No entanto, em maio do mesmo ano, uma mulher chegou para impor a ordem. Trata-se de Susana Sánchez, a atual CEO da empresa, que – juntamente com Medeiros – tem um plano excecional para os próximos anos: chegar às 1200 lojas físicas, conquistar a Ásia e atingir um volume de negócios de 550 milhões num ano, antes de 2023.

 




Notícias Relacionadas

Ver Mais