No OITTO, Carlos Afonso pode levar-nos ao infinito

Da mesa para a bocaGood Living
Maria João Vieira Pinto
23/12/2022
12:27
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Maria João Vieira Pinto
23/12/2022
12:27
No OITTO, Carlos Afonso pode levar-nos ao infinito

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Quando Carlos Afonso estava à frente de O Frade, em Belém, apresentava a sua cozinha como «portuguesa, com sabores originais, equilibrados e acidez». E dizia que o queria era fazer «comida de tacho, com responsabilidade». Produtos nossos que elogiavam a nossa gastronomia, em particular a alentejana. Fui lá e repeti, aconselhei e elogiei. Aquele era (e é) um espaço onde o conforto se serve à mesa.

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Mas Carlos Afonso também tem alma de viajante e de inconformismo. Gosta de criar e avançar. Por isso, quando Renato Santos e Denize Gouvea lhe lançaram o repto de fazer uma parceria, não precisou de pensar muito. Ainda houve a tentação de povoar a cidade com vários Frades, mas o conceito final acabaria por se instalar em pleno Chiado – que arrojo, chef! -, precisamente no número 8B do Largo do Picadeiro, e é em tudo diferente do seu espaço anterior. Quer dizer, em tudo menos em dois pormenores que só fazem toda a diferença: primeiro, faz questão de garantir que os produtos que chegam à sua cozinha são portugueses (com a única excepção das trufas) e, segundo, que o que ali se concebe seja comida que conforte! Tanto um como outro, diria, estão cumpridos, Carlos, neste OITTO cujo nome não é mais que a combinação do número da porta com o infinito. Ou não fosse objectivo do trio de sócios que este seja muito mais que um espaço onde se come.

A intenção da sociedade nasceu num almoço n’O Frade, claro, onde Denize e Renato se renderam aos sabores e conceito. Em poucos dias tinham o sim do chef e em pouco tempo também se puseram à procura de locais. Renato já teve dois espaços em Portugal, na Trofa e em Famalicão. Denize tem o Parador desde há anos, no Rio de Janeiro. Em Lisboa, souberam que a oferta a apresentar só poderia ser desenhada por Carlos Afonso. Mas também souberam que queriam dar as principais honras à cozinha portuguesa. E é o que por ali acontece, de facto.

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O chef, de resto, descreve assim o OITTO: «Um restaurante onde podemos pedir um croquete, comer um pato escabeche ou um arroz de forno a partilhar e terminar com um bife à portuguesa ou uns ovos mexidos com espargos e beber um bom vinho e no final uma mousse com cheirinho, num ambiente que se quer sofisticado, mas também leve, jovem e casual. Um restaurante de produtos, receitas e cozinha portuguesa.» Nós fomos lá e, tirando o ceviche, dizemos que sim.

Há croquetes e rissóis de berbigão, ostras de Aveiro e tártaro de novilho – diz quem comeu que é de repetir. O que repetimos foi mesmo a delícia de corvina que nos chegou com arroz de coentros, bivalves e molho de manteiga branca e ainda aplaudimos o bife de atum servido com esmagada de batata, azeitona e alcaparra. Ainda veio uma bochecha de porco estufada com tamarindo, puré de batata e cebolada mas, a essa, não fui, apesar de ouvir que se desfazia…

No final, se é dos que defende que sobremesa tem que ser de chocolate, então não resista à mousse de chocolate com avelãs e caramelo salgado. N’O Frade já tinha sido pecado que me tinha incentivado a voltar. Ainda bem que neste OITTO o vício se mantém!

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Sofisticado, o OITTO tem uma sala principal com capacidade para 54 pessoas, um bar de barra no piso superior com 12 lugares, uma esplanada para 20 pessoas, e, ainda no piso de cima, a Mesa do Chef que comporta de oito a 12 pessoas. Na sala principal, promove-se um estilo de cozinha de sabores portugueses e o conceito de partilha de pratos e petiscos. No Gastrobar do piso superior é possível uma experiência gastronómica ao balcão, com bebidas e cocktails. A Mesa do Chef, essa está pensada para momentos especiais, com menus “taylor made” para quem os quiser, e na Esplanada propõe-se pratos para degustar, com oferta de petiscos frios, saladas, ceviches, tártaros, selecções de carnes curadas e queijos.

Tudo com um serviço sem crítica. A começar por quem recebe, por quem prepara os cocktails ou por Rodrigo Teixeira Duarte, o escanção que para além de gostar de maridar o vinho com a comida, entende que o que faz a diferença são sempre as pessoas e só com esse olhar é que lhe faz sentido servir!

O preço médio do menu é de 50 euros (sem bebidas).

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Vá lá e depois diga-me coisas!

Nota – Nascido no coração do Alentejo, Carlos Afonso, sotaque q.b. do Baixo Alentejo, amante da pesca e do surf – aliás, o mar está bem presente na sua cozinha – começou a perder-se por cozinhas e cozinhados mal andava. A tia Mariana era a grande alma do Frade, de Beja. A mãe, cozinheira de mão cheia. Claro que Carlos acabaria por seguir caminho de tachos e temperos. E nós agradecemos. Formou-se em Gestão e Produção de cozinha na Escola de Turismo de Portalegre, passou pelo Bica do Sapato, o Tabik, ou o Azurmendi, em Bilbao, e pelo Ocean no Algarve, e hoje confirma que viajar e cozinhar nos melhores restaurantes onde aprendeu a arte do fine dining foi a melhor escola que podia ter tido. Depois de se ter instalado com o primo Sérgio no Frade, bem ao fundo da Calçada da Ajuda, agora, e desde Julho está a mostrar que é possível ir mais longe no OITTO, onde assinou sociedade com Renato Santos e Denize Gouvea que têm como objectivo declarado virem a criar um Grupo (o VCL – Vera Cruz Lusitana) e não ficar por um só restaurante.

Texto de M.ª João Vieira Pinto






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