As mulheres passaram a liderar, pela primeira vez, o volume de reclamações de consumo em Portugal, tendo representado 50,09% do total de queixas registadas em 2025 no Portal da Queixa. Ao longo do ano passado foram registadas 119.564 reclamações apresentadas por mulheres.
E esta tendência está a manter-se este ano, sendo que, nos meses de janeiro e fevereiro, as mulheres representaram 51,86% das queixas, num total de 39.380 reclamações registadas.
As conclusões são do estudo “O Perfil da Mulher Consumidora em Portugal 2026”, realizado pela Consumers Trust Labs por ocasião do Dia Internacional da Mulher, que se assinala este domingo, dia 8 de março.
Segundo o relatório, este crescimento “reflete maior literacia digital, maior consciência dos direitos do consumidor e menor tolerância perante falhas nos serviços, sobretudo em áreas associadas ao comércio eletrónico, logística e serviços públicos”, com a mulher portuguesa a tornar-se “uma das principais auditoras da qualidade dos serviços”, utilizando plataformas digitais para denunciar falhas, exigir soluções e alertar outros consumidores.
Analisando por setores, o de Correio, Transporte e Logística mantém-se como a principal fonte de descontentamento, representando 13,92% das queixas femininas. Este é seguido pelo setor Compras, Moda e Joalharia (10,07%) e Serviços e Administração Pública (7,94%). Entre as entidades mais referidas nas ocorrências estão empresas como CTT, GLS, Worten e Perfumarias Primor.
Nos serviços públicos, o (IHRU) Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana é a entidade mais reclamada pelas consumidoras, num contexto marcado por atrasos na atribuição de apoios à renda e processos administrativos.

Segundo o estudo, o principal motivo de reclamação apontado pelas mulheres está relacionado com entregas e atrasos logísticos, que representam 24,66% das queixas, ao qual se segue o da qualidade do serviço ou do produto (23,62%) e o de problemas financeiros e transações, incluindo reembolsos (22,61%).
A análise permitiu ainda traçar o perfil da mulher que reclama online, a qual apresenta uma idade média de 40 anos, sendo que a maioria das reclamações provém da faixa etária entre 25 e 44 anos, que concentra cerca de 55% das queixas femininas.
Em termos geográficos, a maior parte das reclamações provém dos grandes centros urbanos, com Lisboa a liderar com 31,74%, seguida do Porto (17,94%) e Setúbal (10,86%), com Aveiro (5,45%) e Braga (5,44%) a completarem o grupo dos distritos com maior volume de queixas.

O estudo identifica ainda que existem diferenças na resposta às reclamações, sendo que 55,81% das queixas apresentadas por mulheres são resolvidas, numa taxa inferior à dos homens, que atinge os 59,47%.
“As conclusões deste barómetro são claras: o perfil da mulher consumidora em Portugal é o de uma ‘gestora de crises’ que utiliza a tecnologia para exigir o cumprimento de direitos básicos. Este relatório evidencia que a qualidade do serviço não é um luxo, mas uma pré-condição para a estabilidade social e o crescimento económico num país onde a voz feminina nunca foi tão ouvida, nem tão determinante”, diz Sónia Lage Lourenço, CEO do Portal da Queixa, citada em comunicado.














