A plataforma X (ex-Twitter) está a alterar o seu modelo de monetização, ao reduzir os pagamentos a criadores que recorrem a clickbait ou à reciclagem de conteúdos. A medida foi anunciada por Nikita Bier, head of product do X, que revelou cortes substanciais nas receitas de contas identificadas como “aggregators”, ou seja, perfis que republicam rapidamente conteúdos de terceiros sem acrescentar valor.
Na prática, estes criadores já sofreram uma redução de cerca de 60% nos pagamentos, estando prevista uma nova descida adicional de 20%, refere o The Guardian. A decisão assenta na ideia de que o excesso de publicações sensacionalistas e repetitivas tem vindo a “poluir” o feed, prejudicando a visibilidade de criadores originais e limitando o crescimento de novos autores na plataforma.
Com esta mudança, o X procura inverter uma dinâmica que incentivava a produção em massa de conteúdos com títulos apelativos, muitas vezes acompanhados de expressões como “BREAKING”, com o objetivo de maximizar visualizações e receitas.
A plataforma mantém a sua posição de não interferir com o alcance ou a liberdade de expressão, mas deixa claro que não irá recompensar financeiramente práticas consideradas manipulativas ou de baixo valor acrescentado, ao mesmo tempo que se encontra a testar novas ferramentas para identificar os autores originais dos conteúdos e garantir que recebem uma parte mais justa das receitas geradas.
A implementação das novas regras, no entanto, já está a gerar controvérsia entre alguns criadores, que alegam ter sido desmonetizados ou penalizados sem explicação clara. Alguns influenciadores com grande audiência afirmam ter registado quedas abruptas nas receitas, levantando dúvidas sobre os critérios utilizados pela plataforma para classificar conteúdos como clickbait ou agregação, numa reação que evidencia um dos principais desafios da economia dos criadores, e que se prende com a dependência de algoritmos e políticas internas, muitas vezes pouco transparentes.
A decisão do X insere-se numa tendência mais abrangente de reconfiguração dos modelos de monetização nas redes sociais, com maior foco na qualidade e autenticidade do conteúdo. Ao penalizar práticas como o “engagement farming” – produção massiva de conteúdos desenhados apenas para gerar cliques – a plataforma procura assim melhorar a experiência do utilizador e reforçar a credibilidade do feed.
Para marcas e anunciantes, este movimento poderá traduzir-se num ambiente mais controlado e com maior qualidade, reduzindo a exposição a conteúdos sensacionalistas e potenciando associações mais seguras.














