Uma investigação recente está a lançar uma nova pressão sobre a indústria publicitária global, ao expor o papel de uma das suas maiores holdings na promoção da imagem das petrolíferas. Em causa está a WPP, apontada como peça central numa estratégia de greenwashing avaliada em cerca de 1,5 mil milhões de dólares nos Estados Unidos desde a assinatura do Acordo de Paris.
Segundo a análise conduzida pela plataforma DeSmog, a gigante britânica terá sido o principal parceiro de comunicação de empresas como ExxonMobil, Chevron, Shell e BP, sendo responsável por uma fatia significativa das campanhas publicitárias desenvolvidas para o mercado norte-americano.
Os dados apontam que dois terços dos anúncios destas petrolíferas terão sido criados por agências do grupo, incluindo redes como Ogilvy ou Wavemaker. Para além da criatividade, a WPP terá assegurado serviços completos – desde o desenvolvimento de campanhas à compra de media e análise de audiências – desempenhando um papel determinante na construção da narrativa pública da indústria fóssil.
O problema, segundo investigadores e críticos, reside na natureza dessas mensagens. Diversas campanhas foram classificadas como “enganosas”, promovendo soluções tecnológicas ou compromissos ambientais que não refletem a realidade operacional destas empresas, ao mesmo tempo que contribuem para atrasar políticas de descarbonização, refere o The Guardian.
A controvérsia ganha uma maior dimensão quando confrontada com os compromissos públicos da própria WPP, tendo em conta que, em 2022, o grupo anunciou uma política interna para não aceitar projetos que contrariassem os objetivos do Acordo de Paris. No entanto, fontes internas e ex-colaboradores indicam que o trabalho com clientes do setor petrolífero continuou, levantando dúvidas sobre a eficácia – ou aplicação – dessas diretrizes.
Algumas campanhas específicas chegaram mesmo a ser citadas em relatórios do Congresso dos EUA como exemplos de greenwashing, incluindo anúncios que procuravam associar combustíveis fósseis a soluções energéticas mais sustentáveis. Este caso volta assim colocar a indústria publicitária no centro da discussão sobre responsabilidade climática. Mais do que intermediários, agências e holdings são hoje vistas como atores ativos na construção de narrativas, com impacto direto na opinião pública e na formulação de políticas.














