Web Summit: «Tirar fotografias não faz de ti fotógrafo»

John Rankin Waddell, mais conhecido por Rankin, é dos fotógrafos mais conceituados do mundo, tendo fotografado celebridades como Kate Moss, Madonna, David Bowie, The Rolling Stones e a rainha Elizabeth II, entre outras. Numa era em que a maioria das pessoas tem um smartphone com câmara digital no bolso, e perante uma plateia do Web Summit composta, em grande medida, por criadores de conteúdos, o polémico fotógrafo britânico deixou uma provocação: «Tirar fotografias não faz de ti fotógrafo. Nos dias de hoje, se queremos ser fotógrafos, temos de saber exactamente como usar uma máquina.» E foi ainda mais longe: «Se as apps tornam as vossas fotografias boas, isso não faz de vocês bons fotógrafos.»

No palco ContentMakers da conferência que decorre em Lisboa, Rankin afirmou que «a fotografia, como meio, está morta». Isto porque, na sua opinião, não basta ter apenas o conhecimento técnico e saber tirar fotografias. «Temos de ser criativos, ter vontade de aprender a usar as novas ferramentas tecnológicas e experimentar novos territórios, como o cinema», explicou.

Nesse sentido, revelou que há muitos anos que usa o mesmo método para fotografar, e que consiste em fazer sempre um teste (com um modelo diferente) antes da fotografia final. «Há três regras de ouro na fotografia: preparação, preparação e preparação», reiterou. Além disso, revelou que é adepto fervoroso das aplicações móveis de realidade aumentada. «Se trouxeram algo de bom, é que já ninguém critica o uso de Photoshop, porque há crianças de 10 anos a criar imagens manipuladas!»

A par da longa carreira, de mais de 30 anos, como fotógrafo, Rankin fundou a revista Dazed (anteriormente, Dazed and Confused) e lançou a produtora audiovisual Rankin Film. Duas vertentes que, nas palavras do próprio, o ajudaram a abrir horizontes, a saber trabalhar em equipa, e a ser melhor fotógrafo. Recentemente, lançou também uma agência criativa homónima, sediada em Londres, que está a trabalhar a conta de marcas como Range Rover e Unilever. A Rankin poisiciona-se como uma agência full service. «Tentamos juntar todos os aspectos da criação. Fazemos filmes, animação, tudo o que for preciso. Podemos fazer três ou quatro grandes trabalhos criativos por dia, e não três ou quatro por ano. A maior parte das agências não está preparada para isso», frisou.

Questionado sobre quem lhe deu mais prazer fotografar até hoje, Rankin não quis especificar um nome. «Muitas das pessoas com as quais trabalhei, acabei por me “apaixonar” por elas. E quando essa ligação existe, o trabalho acaba por correr melhor. Uma das fotografias mais conhecidas que fiz até hoje é o retrato da rainha Elizabeth [no Palácio de Buckingham]. E sabem que mais? Até pela rainha me “apaixonei”!», brincou.

Texto de Daniel Almeida

 

Foto de Sam Barnes/Web Summit via Sportsfile

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