Web Summit: Já chega de aplicações móveis?

Como podem as marcas sobreviver num ecossistema digital cada vez mais competitivo e fragmentado? Para Mada Seghete, co-fundadora da consultora norte-americana Branch, uma das regras de ouro está em priorizar o investimento, em vez de dispersar o budget de forma homogénea pelos diversos canais. «As marcas devem ter a sua própria “fortaleza” de mercado, ou seja, devem escolher uma plataforma – que pode ser mobile ou um website, por exemplo – na qual apostam mais forte para criar a sua base de consumidores e apenas depois convencê-los a utilizarem os outros pontos de contacto» com a marca, através de banners, por exemplo, defendeu a responsável, no Web Summit.

Numa intervenção subordinada ao tema “The mobile marketing trends you need to know about in 2020”, Mada Seghete começou por escrutinar os principais desafios que, na perspectiva da Branch, vão marcar o mobile marketing no próximo ano.

Desde logo, as marcas devem evitar criar mais aplicações móveis. Isto porque o mercado está saturado, centralizado – 96% do tempo total despendido em aplicações móveis está nas 10 aplicações mais populares do mundo -, e os consumidores não estão tão receptivos a este tipo de produtos como inicialmente se pensava. «Quem daqui estiver a pensar criar uma app, saiba que é incrivelmente difícil penetrar neste mercado», alertou. Além disso, acrescentou, os consumidores preferem pesquisar e ter resultados imediatos sobre informações relevantes (como o menu de um restaurante, por exemplo) do que terem de utilizar uma aplicação móvel, onde a jornada é mais complexa e demorada.

Outra tendência sinalizada pela co-fundadora da Branch é a fragmentação do mercado. «O mobile é um canal cada vez mais fragmentado. E esta fragmentação está a piorar, não só ao nível das plataformas mas também dos dispositivos conectados. Já não basta às marcas falarem para os consumidores que estão no telemóvel», sublinhou.

Também a realidade aumentada deverá crescer no próximo ano, à medida que players como a Google e Apple lançam novos produtos e serviços (como óculos de realidade aumentada) baseados nesta tecnologia. De acordo com Mada Seghete, esta representa uma oportunidade para as marcas criarem novas experiências, nas plataformas móveis, para os consumidores, e para se associarem a players tecnológicos especializados nesta área. «Quando vêm uma nova plataforma ou ferramenta tecnológica emergente, aproveitem. Não fiquem estagnados», aconselhou.

Texto de Daniel Almeida

Fotografia de Stephen McCarthy / RISE via Sportsfile

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