Web Summit: Donativos impulsionam negócio do The Guardian

Notícias
Rafael Reis
06/11/2018
18:36
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06/11/2018
18:36
Web Summit: Donativos impulsionam negócio do The Guardian

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Os donativos dos leitores do jornal The Guardian têm sido um dos catalisadores do negócio da publicação inglesa, representando já 12% das receitas da empresa, estratégia que permitiu inverter os resultados negativos da publicação que soma quase dois séculos.

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Um dos princípios do The Guardian é proporcionar a máxima qualidade do jornalismo. David Pemsel, CEO do The Guardian Media Group, considera que cobrar dinheiro pelo acesso à informação é contraditório para o exercício da democracia, o que levou a empresa a apostar nos donativos por parte dos leitores. «Há quem diga que estamos a mendigar. Mas a verdade é que, desde 2016, quando anunciámos esta estratégia, já alcançámos um milhão de pessoas que pagaram uma subscrição ou fizeram um donativo. Os utilizadores que doam esse dinheiro não só garantem acesso à informação como estão a permitir que quem não tenha possibilidade de pagar pelos conteúdos, consiga aceder aos mesmos», afirma David Pemsel.

Um dos quatro pilares do The Guardian assenta em encorajar os seus utilizadores a contribuírem com donativos. Através da optimização de data e linguagem, o jornal tem conseguido adaptar as mensagens aos utilizadores, de acordo com os assuntos que pretendem ler. E, com isso, assumir-se como uma mais valia e merecedor de investimento por parte dos leitores.

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«Estávamos a perder dinheiro há três anos, mas a nossa estratégia vai permitir-nos atingir o break-even em Março do próximo ano. Temos vindo a percorrer uma jornada muito sofisticada, cada vez mais optimizada para chegar a mais pessoas. Há uma metodologia e um método de negócio que garante este sucesso», explica o CEO.

David Pemsel relata ainda que o número de donativos aumentou depois do Brexit e da eleição de Donald Trump como presidente dos Estados Unidos da América. «É sinal de que as pessoas querem que continuemos a fazer o nosso trabalho e contribuem para que consigamos manter a nossa independência», afirma.

No entanto, este sucesso trouxe consigo consequências negativas, nomeadamente o despedimento de centenas de funcionários, decisões que o CEO vê como duras mas necessárias. «Queremos proteger o The Guardian, encontrando formas de sermos sustentáveis. Isso obrigou-nos ao corte de 500 postos de trabalho nos últimos três anos. Estas decisões são difíceis mas temos de pensar no futuro do jornal», refere.

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Acerca da monetização de notícias publicadas no Facebook, David Pemsel explica que a empresa com a qual tem uma relação «complicada» deve apresentar novas soluções para que o jornal consiga monetizar os seus conteúdos nesta plataforma. «A monetização é baseada na viralidade e não na qualidade. E nós primamos pela qualidade. No entanto, apostámos em formas de mais facilmente propagar o nosso conteúdo no Facebook, como a Instant News. Mas isso não se traduz em ganhos para o The Guardian, pois todo o tráfego fica no Facebook. É necessário que surjam formas de monetizar o nosso negócio no feed de notícias», refere.

Para o futuro, o CEO defende a necessidade de encontrar melhores modelos de negócio, que permitam um jornalismo de qualidade. «Vamos continuar a inovar e a encontrar novas formas de sermos sustentáveis sem nunca comprometer a qualidade do nosso trabalho».

David Pemsel aproveitou ainda para anunciar uma parceria com a Google, para levar conteúdos próprios até ao Google Assistant, de forma a que os smart speakers possam ser uma fonte de notícias para os seus utilizadores.

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Texto de Rafael Paiva Reis




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