Web Summit: «Ad blocking foi uma chamada de atenção»

Para Maurice Levy, o surgimento dos softwares de bloqueio de anúncios é a prova de que nem sempre os anunciantes e as suas agências têm tido a melhor abordagem no meio digital: «Por vezes, somos demasiado intrusivos e irritamos os consumidores.» No segundo dia do Web Summit, o CEO do Publicis Groupe, estreou o palco do PandaConf (o espaço do evento dedicado ao Marketing) para falar sobre o “Estado da nação publicitária”. À conversa com Jim Edwards, jornalista do Business Insider, o responsável sublinhou o impacto positivo que a tecnologia tem tido sobre a indústria publicitária, mas falou também sobre o reverso da medalha.

De acordo com o responsável – um dos maiores gurus do Marketing e Publicidade -, o ad blocking é um problema que afecta publishers, clientes e agências, mas que pode, no entanto, ser resolvido a partir de dentro da própria indústria criativa: «Uma das soluções é desenvolver software anti-ad-blocking, mas outra passa por sermos mais criativos! É da nossa responsabilidade criar anúncios que as pessoas queiram ver, com os quais possam aprender algo. O ad blocking foi uma chamada de atenção para a indústria», frisou.

Maurice Levy contou ainda que «desde o final dos anos 80» que o grupo tem procurado estar «atento às principais tendências» tecnológicas, o que contribuiu para que hoje seja «líder no mercado digital». Hoje, o digital representa já 54% do negócio do Publicis Groupe, que tem inclusive acordos estratégicos com empresas como a Google e o Facebook. «Para os nossos clientes, é importante que tenhamos um leque alargado de serviços», justificou, lembrando que até a Igreja Católica «sabe que hoje há uma uma maneira diferente de passar a sua mensagem. O Vaticano tem uma equipas de pessoas muito versadas no digital.»

Já sobre o investimento publicitário nos meios tradicionais, Maurice Levy reconheceu que estes têm sido castigados pelo maior share of market de plataformas como a Google ou o Facebook, sublinhando a urgência de uma reinvenção destes meios. «De um momento para o outro alguém pode chegar e mudar as regras», notou, acrescentando que, no caso da televisão, as audiências estão «estagnadas». «A grande diferença é que as audiências [televisivas] estão mais dispersas e o investimento está dividido por pequenos canais», constatou.

Mais do que estar atento às novas ferramentas digitais, o Publicis Groupe tem vindo a investir em startups de base tecnológica, através do Publicis TEMA Accelerator. Só desde o início deste ano, 90 startups, de várias áreas de actividade, receberam um total de 10 milhões de euros de investimento por parte do grupo publicitário, que está a comemorar 90 anos de actividade.

Texto de Daniel Almeida

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