Escolher um operador de televisão já não depende apenas do preço ou do número de canais. A facilidade de utilização da box, a gestão das gravações, a rapidez na navegação ou até a proteção da privacidade também podem fazer a diferença na experiência do utilizador. E foi precisamente isso que a DECO PROteste decidiu avaliar numa análise aos serviços de televisão dos três principais operadores nacionais: Vodafone, Nos e Meo.
O estudo, realizado com o apoio de um laboratório independente, simulou a experiência de um novo cliente desde a instalação do serviço em casa e avaliou aspetos como a configuração inicial, o agendamento de gravações, a pausa de emissões em direto, a gestão da privacidade, as aplicações móveis e a rapidez na mudança de canais.
A conclusão coloca a Vodafone no topo da tabela, conquistando o selo de “Melhor do Teste” e uma classificação global de 82%. A operadora destacou-se pelo equilíbrio entre rapidez, simplicidade de utilização, flexibilidade na gestão de gravações e canais e pela abordagem mais transparente à privacidade dos utilizadores.
Logo atrás surge a Nos, com 81%, elogiada pela personalização da experiência, pela criação de perfis e listas de favoritos, bem como por funcionalidades diferenciadoras, como a possibilidade de seguir atores, apresentadores ou outras figuras públicas para reunir automaticamente conteúdos relacionados.
A Meo ocupa a terceira posição, com uma classificação global de 67%. Apesar de a DECO PROteste considerar que oferece um serviço robusto e rápido, identifica margem para melhorias, sobretudo na gestão de gravações, na configuração inicial e nas opções de privacidade.

Controlo parental continua a ser um ponto fraco
Apesar da evolução registada nos últimos anos, a associação de defesa do consumidor conclui que nenhum dos operadores disponibiliza ainda um sistema de controlo parental verdadeiramente completo. Segundo a análise, a Vodafone aplica a classificação indicativa a todo o agregado familiar, a Nos aproxima-se da solução ideal através do perfil “Kids” e a Meo limita a utilização de PIN às compras e aos conteúdos para adultos.
Um dos aspetos em que a Vodafone mais se distinguiu foi precisamente a gestão da privacidade, sendo que o serviço permite aceitar ou recusar funcionalidades como as recomendações personalizadas e disponibiliza um menu simples para consultar e alterar as preferências relativas à recolha de dados.
Também a Nos recebeu uma avaliação muito positiva nesta categoria, embora a DECO PROteste assinale que a box não esclarece explicitamente se existe partilha de dados com entidades terceiras. Já a Meo ficou atrás neste parâmetro, uma vez que apenas apresenta uma opção relacionada com publicidade personalizada, sem um processo dedicado para o consentimento da recolha e utilização de dados.
A análise destaca igualmente as aplicações móveis dos operadores. A app da Vodafone foi elogiada pela flexibilidade, permitindo aceder ao serviço fora de casa através de dispositivos Android TV ou Apple TV sem custos adicionais, enquanto a aplicação da Nos também recebeu uma boa classificação, embora o acesso através de Apple TV ou Android TV implique uma mensalidade extra de 2,49 euros.
No caso da Meo, apesar da app Meo Go ter agradado aos utilizadores, o acesso ao serviço fora de casa implica um custo adicional de 4,99 euros por mês.
Para garantir condições comparáveis, a DECO PROteste analisou os pacotes de fibra ótica mais económicos dos três operadores – Vodafone (46,50 €), Nos (45,49 €) e Meo (45,49 €) -, todos com velocidade de download de 1 Gbps e box 4K. Os serviços foram instalados no mesmo local e utilizados durante três semanas por um painel de consumidores de diferentes idades e níveis de experiência. Além da experiência prática, foram efetuadas medições técnicas, como o consumo energético dos equipamentos, e considerados os resultados do inquérito de satisfação da associação realizado no final de 2025.












