A VASP vai continuar a assegurar a distribuição de jornais em Portugal nos próximos três anos. A empresa venceu o concurso público internacional lançado pelo Governo para garantir a chegada da imprensa em papel às zonas de baixa densidade populacional, numa operação que pretendia também abrir espaço à concorrência num mercado dominado há anos por um único operador.
A proposta da VASP ficou 78% abaixo do preço estimado pelo Governo, segundo o Expresso, que noticia a adjudicação. O concurso estava dividido em dois lotes territoriais, com um valor global estimado em três milhões de euros para os três anos: um primeiro lote abrangendo Norte e Centro e um segundo destinado ao Oeste e Vale do Tejo, Grande Lisboa, Península de Setúbal, Alentejo e Algarve.
Segundo o resultado preliminar do concurso – seguem-se agora o período de pronúncia dos concorrentes, a aprovação do relatório final, a adjudicação e, por fim, a assinatura dos contratos – a distribuição nos dois lotes foi atribuída à VASP por 763 mil euros por ano, ou 2,3 milhões no total dos três anos, bastante abaixo dos 3,5 milhões e 10,5 milhões, respetivamente, que o Executivo tinha inicialmente estimado para a operação.
A VASP tem vindo a ser o único operador nacional de distribuição de imprensa, numa situação de monopólio que resulta do desaparecimento de outros operadores do mercado, nomeadamente após a insolvência da Distrinews, em 2017. Em 2024, a empresa passou a ser integralmente controlada pelo Grupo Bel, de Marco Galinha.
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Uma das empresas que procurou aproveitar a abertura do mercado foi a Pergaminho Flash, criada este ano e liderada por Rui Marques dos Santos, antigo diretor de operações da VASP. A nova distribuidora apresentou propostas para os dois lotes e assumiu como objetivo constituir uma alternativa nacional à VASP, sendo que entre as diferenças que pretendia introduzir estavam uma maior utilização de tecnologia, automatização da operação, melhoria da logística inversa – nomeadamente na recolha dos exemplares não vendidos – e aproveitamento de rotas já existentes para a distribuição de outros produtos.
Marco Galinha, presidente da VASP, revelou recentemente que a empresa entrega diariamente cerca de 200 mil jornais e recolhe aproximadamente 100 mil devoluções em todo o território nacional. O problema é que nem todas as rotas têm procura suficiente para serem rentáveis.
A VASP chegou a alertar para a possibilidade de cortar rotas em vários distritos, argumentando que não consegue suportar indefinidamente resultados negativos nessas operações. Foi precisamente esta falha de mercado que levou o Estado a intervir, numa intervenção que se enquadra no Plano de Ação para a Comunicação Social e que procura evitar a criação de “desertos noticiosos”.
Marco Galinha muda administração da VASP, a única distribuidora de jornais e revistas












