“Usar o Instagram diariamente durante 16 horas é problemático, mas não é vício”, defende em tribunal o CEO da rede social

Notícias
Marketeer
12/02/2026
17:15
Notícias
Marketeer
12/02/2026
17:15
Partilhar

O diretor do Instagram, Adam Mosseri, afirmou em tribunal que utilizar a rede social durante 16 horas num só dia pode ser considerado “problemático”, mas não deve ser automaticamente classificado como dependência. As declarações foram feitas num julgamento em Los Angeles que pretende apurar se plataformas digitais podem ser responsabilizadas por alegados danos na saúde mental de jovens utilizadores, avança a BBC.

Mosseri, que dirige o Instagram há oito anos, é o primeiro executivo de topo de uma grande tecnológica a testemunhar neste processo, que deverá decorrer ao longo de seis semanas. O caso foi interposto por uma jovem identificada apenas pelas iniciais K.G.M., que alega ter sofrido consequências negativas associadas ao uso da plataforma.



A defesa da Meta, empresa proprietária do Instagram, argumenta que os problemas da autora do processo não resultam exclusivamente da utilização da rede social, mas de outros fatores pessoais anteriores. O YouTube também está incluído na ação judicial, enquanto o Snapchat e o TikTok chegaram a acordo antes do início do julgamento.

Durante o depoimento, Mosseri reconheceu que o Instagram tem a responsabilidade de promover a segurança dos utilizadores, sobretudo dos menores. Ainda assim, defendeu que não existe um número universal de horas que determine quando o uso se torna excessivo. “É importante distinguir entre dependência clínica e utilização problemática”, afirmou, sublinhando que não é especialista em vícios.

Confrontado com o facto de a jovem ter passado 16 horas consecutivas na aplicação num único dia, respondeu que tal situação “soa a uso problemático”, mas recusou classificá-la como dependência clínica.

O tribunal ouviu também referências a um inquérito interno da Meta a 269 mil utilizadores, no qual 60% afirmaram ter testemunhado ou sofrido bullying na plataforma numa semana recente. Foi ainda revelado que a queixosa terá apresentado centenas de denúncias relacionadas com assédio online, informação que Mosseri disse desconhecer.

Outro tema debatido foi o impacto dos filtros que alteram a aparência física dos utilizadores. Emails internos de 2019 mostram preocupações de executivos da empresa quanto aos possíveis efeitos negativos dessas funcionalidades na autoestima dos jovens. Mosseri garantiu que a empresa restringiu determinados filtros, embora tenha admitido que as regras foram posteriormente ajustadas.

A Meta enfrenta milhares de processos semelhantes em vários estados norte-americanos, movidos por famílias e autoridades locais. À entrada do tribunal, vários pais e ativistas concentraram-se para exigir maior proteção para menores nas redes sociais.

Nos próximos dias, são esperados os testemunhos de outras figuras de relevo do setor tecnológico, incluindo Mark Zuckerberg, presidente da Meta, e Neal Mohan, diretor executivo do YouTube.




Notícias Relacionadas

Ver Mais