Um legado familiar com os olhos postos no futuro

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01/06/2026
09:40
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Quatro gerações de liderança feminina ajudaram a transformar uma empresa familiar numa das mais reconhecidas produtoras de vinho do país. Entre tradição, inovação e visão de futuro, a Casa Ermelinda Freitas continua a afirmar-se dentro e fora de Portugal.

Tradição, inovação e continuidade cruzam-se na história da Casa Ermelinda Freitas, uma empresa familiar que se destaca no panorama vitivinícola nacional pela singularidade de ter sido liderada, ao longo de quatro gerações, por mulheres. Sob a liderança de Leonor Freitas, Presidente do Conselho de Administração, a empresa consolidou a sua presença em mercados internacionais e reforçou a aposta em novas áreas de negócio, sem nunca perder a ligação à terra e à herança familiar. Em entrevista à Marketeer, aborda os desafios que moldam o futuro do sector, o processo de sucessão para a quinta geração e a visão que continua a orientar o crescimento da marca. 

A Casa Ermelinda Freitas afirma-se como um caso singular no panorama vitivinícola português: quatro gerações de mulheres na liderança. O que significa, para si, estar às rédeas de uma casa histórica sob uma matriz feminina e que marca imprime essa visão na cultura da empresa?

Estou extremamente gratificada por tido a família que tive, que me deixou as bases que eu consegui dar continuidade, todo este sentimento dá-me uma grande satisfação e alegria. Na Casa Ermelinda Freitas o passado é sempre uma marca para o futuro, quando se conhece e vive o passado temos sempre uma melhore vivencia do presente e do futuro. Estar à frente de uma casa com esta herança é, acima de tudo, um ato de respeito pelo passado e de responsabilidade para com o futuro. A liderança feminina na Casa Ermelinda Freitas não foi uma escolha ideológica, mas uma imposição do destino que as mulheres da família abraçaram com uma força invulgar. Esta matriz imprime na cultura da empresa uma gestão mais emocional, intuitiva e focada no detalhe. Não olhamos apenas para os números; olhamos para as pessoas e para a videira como parte da família. É uma visão de longo prazo, onde a paciência e o cuidado se sobrepõem à pressa do lucro imediato.

A entrada da sua filha, Joana Freitas, em funções estratégicas representa mais do que continuidade, representa evolução. Como encara o processo de sucessão numa casa familiar e que valores considera essenciais transmitir para que o legado se mantenha vivo e relevante?

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A sucessão numa empresa familiar é um equilíbrio delicado entre honrar o que foi feito e permitir o novo. A Joana Freitas vai ser a quinta geração de mulheres na gestão da Casa Ermelinda Freitas, é a maior compensação que posso ter, é a garantia da evolução e da modernização do futuro da empresa. Penso que a característica principal que que se tem de ter é aceitar o trabalho dos mais novos, os mais novos gostarem do trabalho que vão desempenhar. É uma cooperação mútua, mas sobretudo gostar, respeitar o que já foi feito, atualizar para ser uma empresa moderna, ao fim ao cabo evoluir sem nunca esquecer as suas raízes.

“O legado não é uma peça de museu, é uma chama que precisa de ser alimentada.”

Para que o legado se mantenha vivo, é essencial que a próxima geração sinta a mesma paixão pelo “pó da terra” que sentiram as gerações anteriores, mas com as ferramentas e a visão cosmopolita que o mundo moderno exige.

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O setor vitivinícola atravessa uma fase de transformação estrutural, alterações climáticas, pressão de custos, novos mercados e novos consumidores. Quais são hoje os maiores desafios do setor e onde encontra a convicção para continuar a investir com ambição?

O setor vive um momento de exigência máxima. As alterações climáticas obrigam-nos a uma gestão da água e do solo muito mais rigorosa, e a pressão dos custos exige uma eficiência extrema. É uma fase como também outros sectores passaram, temos de ter a noção que tudo evolui, tudo muda e que temos de ir ao encontro do gosto do consumidor que também vai mudando, a nível nacional e internacional. O maior desafio é não desistir, ou seja, estar sempre atento e se possível antecipar a evolução.

Encontro o ânimo para investir quando vejo o reconhecimento dos nossos vinhos no mundo. Acredito que, perante a globalização, a resposta é a identidade. Continuamos a investir porque acreditamos que o vinho português, onde os vinhos da Casa Ermelinda Freitas se inserem, tem uma alma única que o consumidor moderno, mais consciente e exigente, saberá valorizar.

O recente lançamento do vinho “Destemido”, homenagem ao seu pai, assume um forte valor simbólico e artístico.

Não há dúvida que o “Destemido” foi a homenagem merecida ao meu pai Manuel João de Freitas Jr. Merecia.  O nome simboliza a grande força que ele tinha para enfrentar os problemas, a grande capacidade que ele tinha de reconhecer as características das mulheres e de as valorizar, na altura não era normal. Sempre teve muita força para ultrapassar críticas no meio rural permitindo sempre que eu estudasse e ganhasse assas para voar, portanto tinha muita força de vencer e ultrapassar dificuldades. Na liderança, a coragem manifesta-se na capacidade de tomar decisões difíceis em momentos de incerteza. Na vida, ser destemido é manter a nossa essência mesmo quando o vento sopra contra. Este vinho é o reflexo desse carácter: forte, direto e com uma nobreza que não precisa de artifícios.

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O enoturismo tornou-se uma extensão da identidade da casa. Como imagina a experiência ideal na Casa Ermelinda Freitas para um público que valoriza natureza, autenticidade e tempo de qualidade longe da agitação urbana?

A experiência ideal na nossa casa é aquela que permite o “desligar”. Imagino os nossos visitantes a caminhar pelas vinhas, a sentir o aroma da terra e a provar os vinhos no lugar onde eles nascem. Queremos oferecer um luxo que não é ostentação, mas sim autenticidade. É o tempo de qualidade, uma conversa sem pressas à volta de uma mesa com produtos da região, onde a simplicidade é elevada ao estado de arte. É sentir que, por umas horas, pertencem a esta família e a esta paisagem.

Na propriedade, descobrem-se os detalhes dos processos de vinificação antigos e atuais, assim como de Memórias e Afetos, e conhece-se a história da família e a construção desta empresa, que se iniciou na venda de vinho a granel (sem marca) com vinhas desde 1920, e que se lançou com a primeira marca em 1997. Desvendam-se também as técnicas de vinificação antigas, através dos utensílios agrícolas, dos antigos lagares, e de algumas imagens e objetos relacionados com as tradições regionais associadas às vindimas.

No exterior existe contacto com as vinhas (na vinha pedagógica) onde estão plantadas as mais de 30 castas presentes na produção dos vinhos da marca. No centro de vinificação, inaugurado no final do ano 2016, observam-se todas as fases de produção, do esmagamento até ao engarrafamento. Durante a visita pode também ver-se o trabalho laboratorial da equipa de enólogos da empresa. Destaque ainda para a Sala de Ouro, onde estão expostas as mais altas distinções atribuídas aos vinhos Ermelinda Freitas, bem como uma pequena exposição sobre a produção das rolhas de cortiça.

Depois da visita, abrem-se as portas da antiga adega da família, agora denominada “Espaço de Memórias e Afetos”

Existem várias possibilidades de visitas disponíveis no nosso site para marcação:

Prova constituída por 5 vinhos, entre tinto, branco, rosé e moscatel acompanhados por apontamento produtos regionais.
Duração: 1h30
10 € por pessoa

Prove 4 vinhos e descubra o encanto das três regiões onde estamos situados: Minho, Douro e Península de Setúbal, esta prova é acompanhada por produtos regionais e ainda lhe damos a conhecer o nosso azeite extra-virgem produzido no Douro.
Duração: 1h30
10 € por pessoa

Convidamo-lo a uma experiência sensorial nesta prova comentada de 5 vinhos monovarietais, acompanhado por produtos regionais.
Duração: 1h30
15 € por pessoa

Desfrute de uma prova premium, saboreando os brancos, tintos e moscatéis topo de gama da nossa casa, acompanhados por produtos regionais e azeite extra-virgem. Mínimo de 4 pessoas.
Duração: 1h30
25 € por pessoa / NÚMERO DE PARTICIPANTES: 4 pessoas mínimo

https://www.ermelindafreitas.pt/pt/enoturismo/

Se pudesse descrever um dia ideal entre vinhas e cavalos, que imagem ou momento escolheria para ilustrar essa ligação, a luz da manhã sobre as vinhas ou um fim de tarde silencioso entre campo e adega?

O dia ideal seria ter os dois momentos, a luz da manhã sobre as vinhas é o momento da conexão física. De manhã é quando o ar ainda está fresco e o cheiro a terra húmida se mistura com o calor que emana do dorso do cavalo. Já o fim de tarde silencioso entre o campo e a adega é o momento da conexão espiritual. Quando o sol se põe, as sombras alongam-se e o ritmo abranda.




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