Um incêndio e um combate de social media

A comunicação em todas as suas formas surge como um vislumbre de esperança, com um olhar atento e condescendente

Texto de André Alves, Digital & Web Development Specialist Católica Lisbon School of Business & Economics

Infelizmente existem poucas formas de abordar um tema que por si só rejeita qualquer expressão, chavão ou até mesmo uma descrição. Os recentes acontecimentos que ocorreram em Pedrógão Grande no passado sábado além de serem um atentado para Portugal são também um atentado contra a humanidade. Chamas incandescentes que tornaram uma paisagem maravilhosa em pó, pessoas que se agarraram por largos minutos aos seus entes mais queridos e assim se deixaram ficar, um escuro e doloroso reconhecer que não podemos fazer nada contra uma força inquestionável e imbatível. Esta luta desigual de “David e Golias” que infelizmente nos torna pequenos, muito pequenos, microscópios.

No meio de tanta tragédia, a comunicação em todas as suas formas surge como um vislumbre de esperança, com um olhar atento e condescendente em live-act.

Como se duma moeda se tratasse, o social media, assume a sua forma mais brilhante e também a mais grotesca. A mais brilhante quando toda uma comunidade “mundial” se une em prol dum bem comum, com posts, partilhas e imagens de linhas de apoio. Elevou-se o estatuto de “vir para ficar”. A comunicação online foi uníssona com pedidos de apoio, com reminders de que temos de ajudar o próximo, vindo de todas as partes do globo. Este poder do social media é importante ser discutido, o seu alcance é além-fronteiras, perfis e redes sociais. Transcende qualquer previsão que poderia eventualmente ser feita. Como se sabe as redes sociais há muito que são faladas e exploradas, mas desta forma identifica-se um propósito claro e incisivo de ajuda aos demais. Isto é o estado mais pleno, brilhante e contributivo do social media.

Infelizmente e usando a metáfora há pouco utilizada, a moeda também tem o seu reverso conseguindo-se assim assistir, no mesmo curto espaço de tempo, ao seu oposto.

Uma pivô, de seu nome Judite, a executar um papel de repórter que transmite uma imagem provinda desta catástrofe. Este artigo não tem como core identificar se o comportamento está de acordo com o seu código deontológico, ético e moral, mas sim conseguir apurar o papel que o social media assume nestes casos.

O mesmo poder usado para um bem maior foi usado igualmente para tornar um vídeo viral sobre um comportamento que, para muitas pessoas, é menos próprio. A ilação que se consegue aferir neste caso é que as redes sociais têm uma capacidade sísmica que conseguem fazer tremer os mais incrédulos.

Numa linha cronológica semelhante, as redes sociais permitiram ajudar quem mais precisa e permitiram, igualmente, ajudar quem menos precisava de ser ajudado. Utilizando a ferramenta “Buzzsumo” pode verificar-se quais foram os hot topics mais populares em diversas redes sociais. Para esta análise recorri a três métricas distintas, o Facebook Engagement[1], o Linkedin Shares e o Twitter Shares para verificar a performance de cada momento.

A tragédia que assolou Pedrógão Grande teve um Facebook Engagement no valor 93.440 acções. O outro momento, sobre a pivô, teve um alcance de 22.723 acções. É importante analisar que o primeiro teve um alcance bastante mais significado devido ao vídeo viral que foi produzido em torno da tragédia, usando a plataforma Youtube atingindo mais de 76 mil visualizações.

Consegue-se igualmente aferir que a polémica que envolve a pivô teve o seu ponto alto no dia 19 de Junho quando saíram várias críticas, nomeadamente a de Hélder Reis, repórter e apresentador da RTP, alcançando 3.272 acções.

Se se analisar os shares das plataformas do Linkedin e do Twitter do primeiro tema é possível verificar a ausência de partilhas no Linkedin e 46 partilhas no Twitter versus o segundo tema que teve 63 partilhas no Linkedin e 44 partilhas no twitter.

Em linhas gerais e usando, mais uma vez, como referência os dados obtidos através do Buzzsumo, o tema do incêndio que devastou Pedrógrão Grande teve mais alcance em Facebook e no Twitter enquanto que a polémica da Judite Sousa teve mais partilhas no Linkedin.

É importante salientar que estes dados são adquiridos pelo número de notícias que foram retiradas de vários órgãos de comunicação social online e de blogs. Todas e quaisquer notícias que sejam produzidas dentro do facebook por perfis pessoais, e por esta plataforma ser fechada, invalida a possibilidade de analisar os dados de todos os utilizadores.

Este retrato enaltece que quando uma comunidade se junta em prol de um bem comum claramente supera o lado mais escuro e sombrio do ser humano.

Convém que cada utilizador se lembre que não vive numa ilha sozinho, que tudo é consumível e que tudo pode acontecer, dependente da motivação, que pode ser boa ou má, de quem está entre o dispositivo e a cadeira.

[1] Engagement é o número de acções que os fãs de determinada página tiverem com o post inserido. Inclui gostos, partilhas e comentários.

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