Três mulheres, muitos pratos e uma noite feliz no Faminto

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Maria João Vieira Pinto
10/08/2026
13:05
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Maria João Vieira Pinto
10/08/2026
13:05
Três mulheres, muitos pratos e uma noite feliz no Faminto

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Nunca tinha ido ao Faminto e, confesso, pouco tinha ouvido falar. Em noite de levar duas adolescentes a jantar – que, também elas, já procuram comida de conforto -, espreitei a carta e lancei-me no escuro, acreditando que tinha tudo para correr bem, entre petiscos de sempre, carnes e peixes grelhados na brasa ou sobremesas de babar. Acreditei e correu, apesar de à mesa se terem sentado três personalidades com três apetites diferentes, mas uma vontade comum de aproveitar um jantar sem pressas.

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O Faminto tem aquele ambiente que nos faz sentir confortáveis quase de imediato. Nem demasiado formal, nem excessivamente descontraído. A iluminação é acolhedora, a música está no volume certo e a equipa recebe-nos com simpatia genuína, sem discursos decorados nem formalismos desnecessários.

Assim que nos sentámos, começou o ritual habitual das refeições em família: “pedimos para partilhar?” Claro que sim. Afinal, metade da graça de jantar com filhas é provar um pouco de tudo e comentar cada prato como se estivéssemos num júri gastronómico improvisado.

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As entradas chegaram primeiro e deram logo o tom da noite. Ingredientes frescos, combinações criativas sem exageros e aquela apresentação que apetece fotografar, embora felizmente o sabor tenha sido mais interessante do que a fotografia. Houve garfos a atravessar a mesa e a clássica frase: “só vou provar mais um bocadinho”, entre uma lula a la parrilla com manteiga fumada que estava de sorver o molho com pão, um tártaro de vaca velha que era de uma delicadeza e sabor que não deixou migalha para amostra, e uma tortilla trufada com lascas de presunto (o único a que não fui, só porque não sou das amantes da dita, a trufa!)

Tudo sugestões, ou não nos tivessem dito que estes três eram já os best sellers. Percebemos porquê e recomendamos. Agora, para nós, a refeição poderia ter ficado por ali, que as doses são generosas, ao contrário do que cada vez mais se pratica por aí.

É de conforto que se fala no Faminto, acredite. Pelo que assim continuou nos pratos principais. Pedimos um sargo na brasa e acompanhamentos à parte. A saber: um arroz de forno de rapar o prato e uma alface grelhada com molho Caesar, parmesão e bacon… que já foi a mais!

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Tudo tinha sabor a cozinha pensada com cuidado, a casa, a mimo.

Como nesta casa há ainda mais um ponto positivo, o serviço – atento, cordial, descontraído, mas profissional e de simpatia -, lá fomos convencidas a não sair sem nos perdermos em momentos doces. Se assim tem que ser, que seja. Lá voltamos ao best seller, o Faminto de chocolate, um misto de bolo de chocolate intenso e demoníaco com um toque a kit kat no topo, que se tem mesmo que provar. Para “cortar”, uma tarte de limão merengada, mais normal, mas perfeita na cozedura.

Entre pratos, histórias e muitas garfadas de gargalhadas, o jantar avançou sem nos darmos conta. Falou-se de trabalho e de amores, de viagens e festas, de equilíbrios e relações, num cenário que se mostrou perfeito para o momento.

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No final, saímos com aquela sensação de noite bem passada, porque comemos bem, mas porque o Faminto conseguiu proporcionar algo cada vez mais difícil de encontrar: tempo para estar juntos sem pressa.

E, convenhamos, se um restaurante consegue agradar simultaneamente a uma mãe e a duas filhas com opiniões fortes sobre comida, já merece uma visita.




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