O sucesso e a felicidade no futuro podem depender da nossa capacidade de assumir riscos calculados, é esta a convicção de Arthur C. Brooks, cientista social e professor na Universidade de Harvard. Na sua mais recente obra, The Happiness Files, publicada a 12 de agosto, Brooks defende que devemos encarar a nossa vida como um empreendedor encara uma startup: com coragem, planeamento e ambição.
Segundo o autor, ainda que o risco esteja sempre presente, é possível desenvolvê-lo de forma consciente. “Se tratar a sua vida como um grande empreendedor trata uma startup entusiasmante, a sua vida será mais feliz, mais significativa e mais bem-sucedida do que alguma vez imaginou”, escreve Brooks, que leciona sobre felicidade em Harvard.
Lançar um negócio implica incerteza. No entanto, a coragem necessária para dar esse passo pode resultar em recompensas financeiras, realização pessoal e autonomia profissional. O mesmo se aplica à vida pessoal: assumir e gerir riscos apropriados é, muitas vezes, o caminho para alcançar resultados fora do comum.
Brooks recomenda visualizar todos os possíveis desfechos de uma decisão arriscada e ponderar bem os riscos e benefícios, tal como um empreendedor faz ao analisar o mercado antes de lançar um produto. Se o resultado parecer possível, ainda que assustador, é sinal de que pode estar no caminho certo. “Se parece simultaneamente possível e aterrador, então provavelmente encontrou o que procura”, afirma.
Decisões como mudar de emprego, comprar casa ou iniciar uma relação amorosa são exemplos de riscos que, quando bem ponderados, podem conduzir a níveis mais altos de satisfação e sentido de vida. O maior obstáculo? O medo do arrependimento. “Os humanos têm uma incrível capacidade de viajar mentalmente no tempo”, explica Brooks. “Conseguimos imaginar o nosso futuro e antecipar arrependimentos — e isso influencia negativamente as decisões que tomamos hoje.”
Este medo leva muitas pessoas a evitar sistematicamente o risco, o que pode impedir oportunidades de crescimento. Para contrariar esta tendência, alguns especialistas sugerem praticar “micro-riscos” diários, como iniciar uma conversa com alguém desconhecido ou tomar uma pequena decisão fora da rotina, de forma a aumentar gradualmente a confiança.
Mesmo que o risco não resulte como esperado, o simples facto de enfrentar o desafio com intenção e preparação contribui para o aumento da felicidade e da autoeficácia, sublinha Brooks: “Se quer aumentar a sua felicidade ao correr um risco, tem de o fazer da forma certa e não por impulso. Fazer um plano permite-lhe saborear a pessoa que quer ser: alguém que faz algo difícil, precisamente por ser difícil.”














