TIP on Experiences

fotografia_2Ambos emigraram e fizeram parte da sua carreira fora do País. E foram as experiências que trouxeram na bagagem no regresso a Portugal que serviram de mote para uma conversa informal entre o maestro António Victorino de Almeida e Fernando Nogueira. Os dois foram ontem os convidados da mais recente TIP Talk organizada pela Marketeer, um evento que acontece ao final da tarde, no Jardim de Inverno do Edifício Fidelidade (ex-Mundial Confiança), no Chiado, e que pretende ser ponto de encontro para a troca de ideias e partilha de informações junto de um grupo restrito de convidados.

O maestro emigrou muito jovem para Viena de Áustria, na década de 60, após ter recebido uma bolsa de estudo para estudar Composição na Academia de Música. Acabaria por viver durante 27 anos em Viena, onde foi inclusive adido cultural da embaixada portuguesa. «Era uma cidade onde ainda se vivia a guerra. Não era que houvesse destroços, mas viam-se as balas», recordou António Victorino de Almeida. Todas as barreiras acabariam por se desvanecer com o tempo. «Os países [Portugal e Áustria] não são assim tão diferentes. Há o problema da língua – quanfo fui, não falava uma palavra de alemão -, mas quando se começa a entrar mais dentro do país, começamos a perceber que somos muito mais parecidos do que poderíamos pensar», confessou António Victorino de Almeida.

Foi com esta mentalidade aberta que sempre pautou a sua vida de emigrante e a sua própria carreira, o que lhe permitiu ir-se adaptando a uma cultura diferente e ir ganhando notoriedade além-fronteiras. Profissionalmente falando, uma das parcerias que mais o marcou foi com a actriz e cantora austríaca Erika Pluhar, com quem viria a dar nem mais nem menos do que 752 concertos! «Num dos primeiros concertos, a Erika – que não estava ainda muito à vontade para cantar em público – pediu-me para nos sentarmos no palco antes que chegassem as pessoas, porque assim eram elas que ficavam nervosas. Algumas não sabiam bem como reagir quando entravam, outras simplesmente aplaudiam», recordou António Victorino de Almeida.

Bem mais tardia, aos 51 anos, foi a experiência internacional de Fernando Nogueira, actual presidente da Fundação Millennium BCP. A convite do banco, esteve emigrado em Angola, França e Luxemburgo. Confessa que aceitou o convite, apesar da resistência inicial da mulher, para «dar o exemplo» aos quatro filhos, abrir-lhes os horizontes num mundo cada vez mais globalizado. «Hoje dois vivem em Portugal e os outros dois em Londres», contou.

Também a sua integração foi pacífica – «fui de espírito aberto e também não notei diferenças abismais entre os países», como recorda o próprio -, apesar de ter enfrentado algumas dificuldades, nomeadamente na implementação do banco angolano. «Para França fui com alguma apreensão, por causa das entidades de supervisão. Mas tive sempre liberdade para fazer o que queria, quer no banco francês quer no luxemburguês», afirmou Fernando Nogueira.

A principal diferença cultural apontada pelos dois foi na importância e no apoio dados à cultura por parte das instâncias governamentais. «A cultura faz uma tremenda falta ao Turismo do País», criticou António Victorino de Almeida. «A ópera de Viena dá prejuízo, mas é ao mesmo tempo uma fonte de receitas da cidade, porque não se pode contabilizar apenas as bilheteiras, mas os restaurantes, os hotéis, os aviões…», exemplificou.

Texto de Daniel Almeida

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