O Telegram foi a aplicação que registou o maior crescimento no que toca a fraudes com pagamentos autorizados em tempo real em 2025, com os casos a dispararem 233% a nível global face a 2024, segundo o mais recente Relatório de Segurança do Consumidor e Crime Financeiro divulgado pela Revolut.
Em comunicado, a Revolut refere que os dados apontam para uma mudança clara nas tendências criminais, com os burlões a migrarem das redes sociais tradicionais para plataformas de mensagens encriptadas, como o Telegram. “Atualmente, 21% de todas as burlas reportadas à Revolut têm origem nesta aplicação, sendo que 58% das burlas de emprego a nível global começam já no Telegram”.
A fintech sublinha que, “embora a encriptação seja promovida como uma funcionalidade de segurança, tem sido explorada por redes criminosas para operar fora do radar, tornando estas plataformas particularmente eficazes para esquemas mais complexos”.
Apesar da ascensão do Telegram, as plataformas da Meta continuam a concentrar a maior fatia de fraudes reportadas. Em conjunto, representam 44% de todos os casos registados pela Revolut em 2025, marcando o quarto período consecutivo em que o grupo lidera esta estatística.
Já o TikTok apresenta um crescimento significativo: embora o volume total de fraudes permaneça inferior ao das plataformas mais estabelecidas, a percentagem de burlas iniciadas na aplicação é agora seis vezes superior à verificada no mesmo período do ano anterior.
Burlas de compras mantêm-se predominantes
Globalmente, as burlas de compras continuam a ser o tipo mais comum, representando 57% dos casos reportados em 2025. No entanto, as burlas de emprego são as que registam o crescimento mais acelerado, tendo quase triplicado face a 2024 e passando a representar 22% do total.
Em Portugal, o padrão acompanha a tendência internacional. Segundo a Revolut, 25% das burlas reportadas pelos clientes nacionais em 2025 tiveram origem no Telegram. As burlas de compras foram as mais frequentes, correspondendo a 53% dos casos.
Contudo, são as burlas imobiliárias que resultam nas perdas médias mais elevadas no país. Em 2025, cada vítima perdeu, em média, 2.665,32 euros neste tipo de esquema, comparativamente a 388,36 euros nas burlas de compras.
As conclusões do relatório são reforçadas por dados recentes da Juniper Research, que estimam que as plataformas de redes sociais tenham gerado cerca de 4,4 mil milhões de euros em receitas provenientes de anúncios fraudulentos direcionados a utilizadores europeus apenas em 2025.
Para a Revolut, estes números “evidenciam os incentivos financeiros que permitem a proliferação deste tipo de conteúdos e reforçam a necessidade de uma responsabilidade multissetorial no ecossistema digital e de telecomunicações”.












