Talões de compra em papel podem deixar de ser obrigatórios em Espanha, enquanto Portugal analisa a medida

Notícias
Sandra M. Pinto
04/02/2026
09:45
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Sandra M. Pinto
04/02/2026
09:45
Talões de compra em papel podem deixar de ser obrigatórios em Espanha, enquanto Portugal analisa a medida

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Em Espanha, supermercados como Mercadona, Lidl e Dia estão a ponderar que os talões de compra só sejam impressos se o consumidor o solicitar. Atualmente, cerca de 5.000 milhões de talões são impressos anualmente, consumindo 4.500 toneladas de papel e 10 milhões de euros, o equivalente a 28 voltas à Terra se fossem colocados em linha.

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A proposta da Asedas surge num contexto em que a maioria das compras é de baixo valor. Segundo dados da associação, 30% das cestas contêm apenas entre um e quatro artigos e custam menos de 10 euros; 60% incluem entre cinco e 25 produtos, com valores entre 10 e 50 euros; e apenas 10% ultrapassam estes valores. Apesar de muitos consumidores recusarem o talão, a legislação obriga à sua impressão, o que gera desperdício e custos desnecessários.

Ignacio García Magarzo, diretor-geral da Asedas, explicou ao el economista que “num terço das compras, o talão é abandonado na caixa. Propomos que continue a ser gerado eletronicamente para efeitos de controlo, mas que só seja impresso a pedido do consumidor”.

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A associação sublinha que outros países europeus já adotaram medidas semelhantes. Em França, desde agosto de 2023, o talão só é impresso se o cliente o solicitar. Na Suíça e nos Países Baixos, a impressão é opcional, independentemente do método de pagamento, enquanto na Suécia os talões de cartão não são impressos. No Reino Unido, muitas cadeias de supermercados estão a reduzir gradualmente a impressão obrigatória, optando por talões apenas a pedido.

Além do impacto ambiental, a proposta também se enquadra numa lógica de modernização e economia circular. Segundo a Asedas, “a medida poderia reduzir significativamente o consumo de recursos naturais e os custos operacionais, ao mesmo tempo que responde à preferência dos consumidores por soluções digitais”. A associação defende que esta mudança é o próximo passo natural, depois da adoção de pagamentos digitais, sacos reutilizáveis e outras iniciativas de sustentabilidade no setor.

E em Portugal? 

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Contactámos a Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED) para conhecer a posição do setor em Portugal. A associação explicou que “acompanha os esforços de muitos dos seus associados em desmaterializar a faturação com clientes, parceiros e consumidores, numa lógica de adesão e aceitação voluntária e não imposta. Tem sido, aliás, um tema estratégico para o setor, rumo à digitalização e à eficiência operacional e ambiental”.

A APED acrescenta que “é um procedimento que tem vindo a fazer o seu caminho paralelamente à evolução digital dos consumidores. Há uma rejeição crescente e consistente das faturas em papel após a compra, pelo que esta trajetória é inevitável na modernização do setor e na melhoria da experiência de compra”.

No entanto, a associação alerta que esta medida deve ser acompanhada pelo Estado: “É incompreensível que a admissibilidade das faturas em formato PDF ainda não esteja consagrada de forma definitiva em diploma, sendo renovada ano após ano apenas como medida temporária. Temos lutado para que esta medida seja regulamentada de forma definitiva, garantindo maior previsibilidade e organização para empresas e consumidores”.

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A APED sublinha ainda que “continuamos disponíveis para trazer soluções razoáveis e úteis para todos, sem pôr em causa a transparência dos processos e o trabalho das diferentes autoridades em causa”.

Se estas mudanças avançarem, os consumidores poderão escolher se querem receber o talão físico, digital ou simplesmente dispensá-lo, tornando a experiência de compra mais moderna, eficiente e sustentável.




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