Fundada em 1926 por Andreas Stihl, considerado o “pai” da motosserra moderna, a Stihl é a marca de motosserras mais vendida no mundo, estando em nada menos que 160 países e respondendo por um volume de negócios de 5,48 mil milhões de euros em 2025. A celebrar o centenário, a empresa familiar alemã aponta ao futuro com o objectivo de liderar a transformação energética no sector, substituindo gradualmente a oferta de motosserras a combustão por soluções eléctricas, mais amigas do ambiente. E Portugal, onde opera há 27 anos, é um mercado estratégico nesse caminho rumo à electrificação.
Hoje, um em cada quatro produtos vendidos pela marca já é alimentado a bateria. «O objectivo é claro: alcançar a bateria na tecnologia a mesma posição de liderança que construímos ao longo de décadas nos equipamentos a combustão», afirma à Marketeer Juvenal Martins, director-geral da Stihl Portugal.

Para tal, a empresa tem lançado soluções que aumentam a autonomia, potência, rapidez de carregamento e robustez dos equipamentos, com destaque para o sistema proprietário Allpro, destinado ao segmento profissional. Recentemente, inaugurou ainda a nova fábrica de Oradea, na Roménia, dedicada apenas à produção de baterias e equipamentos eléctricos. «A electrificação não é uma tendência passageira. É uma transformação estrutural do sector e queremos liderá-la», reitera.
A mudança, explana, está na experiência de utilização. As motosserras a bateria são mais silenciosas, produzem menos vibrações, exigem menos manutenção e têm uma utilização mais confortável. Destinam-se mais ao uso em ambientes urbanos, em trabalhos próximos de zonas habitacionais e em operações onde o ruído é uma preocupação. «Existem ainda aplicações muito exigentes, sobretudo na exploração florestal intensiva, onde os equipamentos a combustão continuam a desempenhar um papel importante. Mas a evolução tecnológica está a ser muito rápida», frisa Juvenal Martins.
Quanto ao mercado português, tem desempenhado um papel relevante nesta transformação no seio do grupo germânico. Hoje, cerca de 26% das unidades vendidas pela Stihl no mercado nacional já são alimentadas a bateria, um indicador alinhado com a média global do grupo. «Vemos uma crescente procura por parte de municípios, empresas de manutenção de espaços verdes, hotéis e utilizadores particulares que valorizam o menor ruído, a ausência de emissões directas e a facilidade de utilização», salienta o director-geral da Stihl Portugal.
De resto, a aposta na electrificação contribuiu para que a subsidiária portuguesa tenha encerrado o ano de 2025 com um resultado líquido de 34,2 milhões de euros, o que representou um crescimento de 17% face ao ano anterior e o melhor resultado de sempre da operação nacional. «Portugal foi também o mercado que mais cresceu proporcionalmente entre as filiais da Stihl na Europa Ocidental, algo que nos deixa naturalmente muito orgulhosos», destaca.
Centro de formação em Sintra
Sublinhando a importância da subsidiária portuguesa no contexto do crescimento europeu do grupo, em Setembro de 2025 a Stihl inaugurou novas instalações em Sintra, que resultaram de um investimento a rondar 10 milhões de euros. O edifício representa um novo marco estratégico para o grupo, ou não integrasse um dos maiores centros de formação da marca na Europa, com capacidade para treinar mais de 500 profissionais por ano.
Dispõe de salas técnicas onde são desenvolvidas acções de formação em operação e manutenção de equipamentos, segurança, tecnologia de baterias, arboricultura, floresta, jardinagem profissional e assistência técnica. «Mais do que ensinar a utilizar máquinas, procuramos contribuir para a qualificação e segurança de todo o sector», refere Juvenal Martins. Em breve, as instalações passarão a integrar um centro de treino outdoor, que permitirá recriar cenários reais de trabalho, um espaço único no grupo. «A formação sempre foi uma prioridade para a Stihl. Os nossos equipamentos são utilizados em actividades exigentes, desde a floresta à agricultura, passando pela manutenção de espaços verdes e trabalho urbano. Acreditamos que a excelência do produto deve ser acompanhada de excelência na utilização. O centro de formação de Sintra foi concebido precisamente para isso», sublinha.
Além disso, as instalações integram o maior showroom europeu da Stihl, com cerca de 280 m² de exposição, onde estão reunidas mais de 200 máquinas e 600 referências de acessórios. «As novas instalações de Sintra representam um sinal da confiança que a Stihl deposita em Portugal e do papel cada vez mais relevante que o mercado português desempenha no contexto europeu. Falamos de um investimento de 10 milhões de euros que nos permite estar mais próximos dos clientes, concessionários e profissionais que utilizam os nossos equipamentos», sublinha o director-geral. «Portugal tem condições para ser um dos mercados de referência nesta transição [energética] e queremos que o nosso centro de formação tenha um papel importante na disseminação destas novas tecnologias.»
Além das motosseras
Cem anos após ter inventado a motosserra, este continua a ser o produto mais emblemático e mais vendido pela Stihl. Em paralelo com o desenvolvimento de equipamentos e baterias eléctricas, a empresa continua a investir no desenvolvimento de soluções a combustão mais eficientes e sustentáveis, como o novo combustível sintético e de origem biogénica Stihl MotoMix 100, que permite reduzir as emissões de CO₂.
Porém, ao longo das últimas décadas, o portefólio evoluiu de forma significativa, com a introdução no mercado de vários equipamentos motorizados e acessórios para sectores como a jardinagem, agricultura ou construção. Hoje, inclui aparadores, roçadoras, corta-sebes, sopradores, corta-relvas, lavadoras de alta pressão, aspiradores, ferramentas de poda e toda uma gama de soluções a bateria, além de uma panóplia de acessórios. Ao todo, a companhia responde por mais de 2800 patentes registadas.
Estas soluções destinam-se a uma base heterogénea de clientes, tais como profissionais da floresta, agricultura, municípios, empresas de manutenção de espaços verdes, prestadores de serviços, mas também utilizadores particulares. De resto, cerca de 65% das vendas da Stihl no mercado nacional são provenientes do segmento particular e 35% do profissional. «Continuamos a ter uma forte presença nos segmentos florestal e agrícola, que fazem parte do ADN da marca, mas, nos últimos anos, temos assistido a um crescimento muito interessante em áreas ligadas à manutenção urbana, paisagismo, jardinagem profissional e utilização doméstica, um segmento que cresce de dia para dia», explana Juvenal Martins.
No mercado nacional, a Stihl dispõe actualmente de 230 pontos de venda e 180 concessionários. No entanto, os planos da empresa prevêem a entrada na grande distribuição, à semelhança do que já aconteceu em mercados como Alemanha, França ou Polónia, numa estratégia que visa complementar a presença na rede especializada.
«O objectivo é simples: aumentar os pontos de contacto com os consumidores e tornar a marca mais acessível. Neste momento, estamos a avaliar as melhores oportunidades para o mercado português», adianta o director-geral.
A Stihl em números
Em todo o mundo
Fundação: 1926, em Waiblingen, na Alemanha
Volume de negócios: 5,48 mil milhões de euros (em 2025)
Colaboradores: 20 246 (no final de 2025)
Presença internacional: em cerca de 160 mercados
Peso das exportações: 91% da facturação
Peso da tecnologia a bateria: 27% do total das vendas
Rede comercial: 40 subsidiárias de vendas e marketing, 100 importadores e mais de 55 mil revendedores especializados.
Em Portugal
Início da operação: 1999
Volume de negócios: 34,2 milhões de euros em 2025 (+17% vs. 2024)
Peso da tecnologia a bateria: 26% do total das vendas
Rede comercial: 230 pontos de venda e 180 concessionários.
Este artigo faz parte da edição de junho (n.º 358) da Marketeer












