A comunicação de grandes eventos culturais vive hoje entre a construção de marca, a gestão de reputação e a capacidade de gerar relevância mediática contínua. Num contexto em que os festivais deixaram de comunicar apenas cartazes para afirmar identidade, território e impacto, a assessoria de imprensa assume um papel cada vez mais estratégico. É neste enquadramento que a Porto de Ideias assume a comunicação do Primavera Sound Porto, um dos mais reconhecidos festivais de música em Portugal e com projeção internacional.
Por Sandra M. Pinto
Em entrevista à Marketeer, Carlos Furtado, co-CEO da Porto de Ideias, explica o significado desta parceria, os desafios de comunicar um evento com dimensão global e a evolução do papel da comunicação no universo dos festivais culturais.
O que representa para a Porto de Ideias assumir a assessoria de imprensa de um festival como o Primavera Sound Porto?
Claramente um reconhecimento do nosso trabalho, do nosso profissionalismo e do nosso percurso enquanto agência de comunicação. O Primavera Sound Porto é uma marca conhecida e reconhecida por todos. É um festival de música que está intimamente ligado à cidade do Porto. Por isso foi muito gratificante quando nos escolheram.
De que forma esta parceria reforça o posicionamento da agência no setor da comunicação e dos eventos culturais?
Sem dúvida nenhuma que aumenta o nosso portfólio e o nosso expertise na área de eventos culturais. Temos trabalhado com o Festival N2, em Chaves, estamos a comunicar o Festival Internacional de Órgãos (Fio) que decorre em Guimarães, Santo Tirso e Famalicão, bem como com o Évora Wine. Mas o prestígio e a notoriedade nacional e internacional do Primavera Sound Porto é, sem dúvida, especial.
Quais são os principais desafios na gestão da comunicação de um festival com a dimensão e notoriedade internacional do Primavera Sound Porto?
Há um trabalho permanente de construção reputacional. Um festival desta escala não comunica apenas durante os dias do evento; comunica durante todo o ano. É necessário alimentar a relação com os media, parceiros, patrocinadores e público, garantindo consistência no posicionamento e relevância contínua.
Como é que se constrói uma estratégia de imprensa eficaz para um evento que vive simultaneamente no plano local e global?
A construção da estratégia, de assessoria de imprensa no mercado nacional, que é a nossa responsabilidade, passa muito por identificar diferentes ângulos editoriais que permitam alargar a presença mediática do festival para além da imprensa de âmbito mais artístico e musical. Ou seja, trabalhar o Primavera Sound Porto não apenas pelo seu cartaz, mas também como um motor cultural, turístico, económico e urbano.
Qual o papel da comunicação na consolidação do Primavera Sound Porto como uma das principais marcas culturais em Portugal?
A comunicação teve um papel decisivo na transformação do Primavera Sound Porto de um festival de música numa verdadeira marca cultural em Portugal. Hoje, o reconhecimento do Primavera Sound Porto vai muito além do cartaz anual ou dos dias do evento. Existe uma identidade consolidada, uma perceção de qualidade e uma ligação emocional ao público que foram sendo construídas também através da comunicação. Não temos responsabilidade do passado, mas ainda hoje em conversa com a equipa do Primavera Sound Porto nos referíamos a ele como “o nosso festival”.
De que forma o alinhamento entre cultura, criatividade e território influencia a estratégia de comunicação do festival?
O alinhamento entre cultura, criatividade e território é hoje um dos principais ativos estratégicos de comunicação de um festival como o Primavera Sound Porto. Já não se comunica apenas um cartaz, comunica-se uma experiência cultural integrada na identidade da cidade e na forma como ela se posiciona nacional e internacionalmente.
No caso do festival, existe uma ligação muito forte entre o universo artístico, a dimensão urbana e a própria perceção contemporânea do Porto enquanto cidade criativa, cosmopolita e culturalmente ativa. A estratégia de comunicação procura precisamente reforçar essa associação, mostrando que o festival não acontece apenas “num território”, mas que faz parte da narrativa cultural desse território. A ligação entre o Primavera Sound Porto e a cidade e o espaço que o acolhe é neste momento umbilical.
Que importância tem hoje a relação com os media na promoção e sustentabilidade de grandes eventos musicais?
Somos, na Porto de ideias e eu em particular, defensores dos media enquanto principais responsáveis pela credibilização das marcas. E o Primavera Sound Porto quer afirmar-se como um festival musical, mas com responsabilidades sociais, culturais e ambientais. Como o José Barreiro tem referido, quer ser uma Smart Citie. Só assim é apetecível para as marcas. E esse trabalho faz-se com os media.
Assim, a relação com os media continua a ser absolutamente central para a promoção e sustentabilidade de grandes eventos musicais, embora hoje funcione de forma muito diferente daquela que existia há uma década.
Como é que a Porto de Ideias pretende diferenciar a abordagem de comunicação desta edição face a anos anteriores?
Temos estado a comunicar o Festival enquanto Festival de música com impacto económico na cidade do Porto e na região Norte e com forte preocupação ambiental como referi anteriormente. A comunicação do cartaz já foi feita e o público que vem ao festival procura naturalmente essa informação. Já estão habituados. Nós procuramos contribuir com a credibilização institucional, com novos ângulos de comunicação, com outras temáticas. É um caminho que o José Barreiro e a sua equipa têm vindo a fazer e que espero possamos, a partir de agora, continuar a fazê-lo em conjunto por muito tempo.
Que tendências identifica atualmente na comunicação de festivais e eventos culturais a nível europeu?
Há uma mudança clara de paradigma: os festivais deixaram de comunicar apenas artistas e datas para começarem a comunicar identidade, valores e estilo de vida. Outra muito evidente é a sustentabilidade. Hoje, os grandes festivais europeus sentem necessidade de comunicar práticas ambientais, mobilidade, economia circular e impacto social. A sustentabilidade deixou de ser apenas operacional para passar a fazer parte do posicionamento reputacional dos eventos. Outra tendência relevante é a procura de autenticidade. Os públicos estão mais sensíveis a discursos excessivamente comerciais ou artificiais. É uma tendência global e não apenas dos festivais.
Que ambição tem a Porto de Ideias para o futuro no segmento de comunicação de eventos culturais e musicais?
A nossa ambição é infinita. A Porto de Ideias é constituída por fantásticos elementos, com uma enorme capacidade de trabalho, com uma versatilidade e capacidade de adaptação ímpar que nos fez chegar aqui, com 23 anos de vida. Mas com o crescimento de clientes nesta área, a criação de uma equipa mais especializada é um caminho a explorar. Nunca fomos uma agência de nicho. Mas há sempre uma primeira vez.














