Os Jogos Olímpicos de Inverno estão a decorrer este ano em Milão‑Cortina desenrolando-se assim no norte de Itália até 22 de fevereiro. Mas não é a primeira vez que o país acolhe o evento. Foi há 70 anos que Cortina d’Ampezzo recebeu a primeira edição italiana dos Jogos Olímpicos de Inverno, e o contraste com o presente é grande.
Naquele tempo, os VII Jogos Olímpicos de Inverno decorreram de 26 de janeiro a 5 de fevereiro de 1956, reunindo 821 atletas de 32 países em apenas oito modalidades — um programa relativamente pequeno comparado aos padrões atuais, sublinha o The Conversation.
A edição de 1956 foi também marcante por ter sido a primeira a ser transmitida ao vivo — a preto e branco — para várias nações europeias, dando aos Jogos um alcance ainda incipiente mas inovador para a altura.
Além disso, a esquiadora italiana Giuliana Chenal-Minuzzo tornou-se a primeira mulher a recitar o Juramento Olímpico numa cerimónia de abertura, um símbolo de mudança numa época em que o desporto feminino ainda estava em ascensão.
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Naquela altura, a Itália ainda se encontrada a recuperar do pós-guerra mas a própria organização do evento era mais simples, com todos os eventos centralizados em poucas instalações alpinas e com um programa que durava 11 dias, mais curto do que os Jogos da atualidade.
Em contraste, os Jogos de 2026, co-organizados por Milão e Cortina d’Ampezzo, representam uma realidade completamente diferente, não só em termos de dimensão, mas também de ambição e complexidade logística.
Entre os principais destaques está a descentralização geográfica, pois enquanto Cortina 1956 se concentrou num único núcleo alpino, os Jogos atuais distribuem-se por várias regiões, com 15 locais de competição, quatro grandes clusters regionais, seis vilas olímpicas e até cerimónias realizadas em mais do que um local.
Além disso, o número de provas aumentou substancialmente, tendo passado a incluir mais modalidades desportivas.
Ao contrário de 1956, os Jogos Paralímpicos de Inverno hoje também coexistem e partilham parte da infraestrutura dos Jogos Olímpicos, o que denota uma visão mais abrangente e inclusiva do desporto.
Em termos monetários, os jogos de 1956 contaram com um orçamento de cerca de 250 mil dólares, enquanto se prevê que o evento de 2026 custe cerca de 5,9 mil milhões de dólares, num aumento impulsionado pela inflação, transportes e alojamento, requisitos de segurança, construção de instalações e tecnologia.
Por outro lado, também foi registado um aumento significativo nas receitas provenientes de direitos de transmissão, patrocínios e venda de bilhetes.














