“Sempre colocámos o consumidor no centro, permitindo-lhe avaliar, elogiar ou criticar”, Willy Mansion, fundador do selo “Sabor do Ano”

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Sandra M. Pinto
31/03/2026
10:00
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Sandra M. Pinto
31/03/2026
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Ao longo de mais de 25 anos, o selo “Sabor do Ano” tem vindo a redefinir a forma como consumidores e marcas se relacionam com a alimentação, promovendo produtos de qualidade, sabor genuíno e, mais recentemente, sustentabilidade. Fundado em França por Willy Mansion, o prémio nasceu da vontade de colocar o consumidor no centro da avaliação e transformar a escolha de produtos numa experiência mais consciente e criteriosa. Em Portugal, há 10 anos, o selo tornou-se uma referência no setor alimentar, guiando decisões de compra e reforçando a confiança nas marcas.

Por Sandra M. Pinto

Nesta entrevista exclusiva, Willy Mansion, fundador da Monadia e criador do prémio, e Cátia Fernandes, Country Manager da Global Quality Iberia Portugal, partilham a história do selo, os pilares que garantem a sua credibilidade, os desafios da internacionalização e a importância do consumo sustentável no futuro da alimentação.

Pode contar-nos como nasceu o selo “Sabor do Ano” em França e qual foi a inspiração para criá-lo?
Willy Mansion – Quando criei o prémio Saveur de l’Année (“Sabor do Ano”), estava ligado à restauração. Queria que os consumidores pudessem dar a sua opinião sobre o sabor dos produtos que encontravam nas lojas, mas da forma mais rigorosa possível. A primeira coisa que fiz foi construir uma metodologia sólida, com laboratórios de análise sensorial. A ideia era simples: colocar o sabor e o prazer no centro de um novo critério de compra, apoiando-se na inteligência coletiva dos cidadãos. Hoje, com as redes sociais, isso parece normal, mas há 30 anos era inovador. O sucesso foi imediato. Respondia a uma necessidade. Permitia aos consumidores expressarem-se sobre a sua alimentação e terem um verdadeiro guia de compra. E também destacávamos empresas e marcas que realmente o mereciam.

Quais foram os momentos-chave na história do prémio que considera decisivos para o seu sucesso internacional?
Willy Mansion – Antes de mais, a minha exigência ao nível metodológico. Os produtos são testados pelos consumidores num laboratório de análise sensorial acreditado, que segue um restrito protocolo e garante a imparcialidade da prova. É a nossa singularidade há 30 anos. Tanto quanto sei, ninguém conseguiu implementar um sistema semelhante. É isso que nos permite ter a confiança das marcas e dos consumidores.
Outro elemento essencial foi a introdução de critérios de sustentabilidade. Trata-se de um sistema que temos vindo a aperfeiçoar há 5 anos e que continuará a evoluir bastante. Estes pilares permitem ao prémio atravessar fronteiras com credibilidade.

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O selo chegou a Portugal há 10 anos. Como se tornou uma referência para os consumidores portugueses?
Cátia Fernandes – O “Sabor do Ano” regressou a Portugal, sob a responsabilidade da Global Quality Ibéria, em 2016. Ao longo destes 10 anos realizámos mais de 125 mil provas e premiámos cerca de 1500 produtos. Durante este período o selo tornou-se uma referência graças à credibilidade do método e à forte comunicação junto dos consumidores, O facto de serem os consumidores portugueses a testar os produtos reforça a identificação e a confiança no selo. Atualmente, o “Sabor do Ano” é o selo de qualidade líder no setor alimentar com 92% awareness. É uma ferramenta de marketing que aumenta as vendas, a notoriedade da marca e distingue os produtos da concorrência. Dados do mais recente estudo que efetuámos com a ALSFullsense em Portugal demonstram que 87% dos consumidores considerou o SABOR o atributo mais importante na escolha de um produto e 78% dos entrevistados considerou que um produto premiado “Sabor do Ano” é superior a outro concorrente sem o selo.

Que diferenças notou entre o mercado francês e o português em termos de perceção de qualidade e consumo de produtos alimentares?
Willy Mansion – É muito difícil responder a essa questão. Vejo sobretudo um grande ponto em comum: Portugal e França são países com uma forte tradição culinária. Ambas as populações gostam de cozinhar, de desfrutar da mesa e de consumir produtos de qualidade.
Neste contexto, o prémio impôs-se facilmente. Naturalmente, devido às nossas tradições, não consumimos exatamente os mesmos produtos, mas quando algo é bom, ficamos satisfeitos de ambos os lados da fronteira. E isso é o essencial!

Há cinco anos, incorporou critérios de sustentabilidade nos prémios. O que o motivou a dar esse passo?
Willy Mansion – Há seis anos tornei-me avô. Tomei consciência de que tinha uma responsabilidade perante as gerações futuras. Também me apercebi da fragilidade do nosso mundo. É-me insuportável imaginar que os meus netos possam viver num mundo caótico, com recursos esgotados, temperaturas insuportáveis, catástrofes naturais constantes e com o desaparecimento de várias espécies… Quando chegar o meu último suspiro, quero poder olhar os meus netos nos olhos. Tornei-me, assim, um empresário comprometido e reinventei a minha empresa. Era importante para mim oferecer ao meu neto um futuro mais desejável neste planeta. Não vou salvar o mundo sozinho, mas, enquanto cidadão do mundo, devo fazer a
minha parte!

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Que impacto acredita que os prémios têm no incentivo ao consumo sustentável por parte dos consumidores?
Willy Mansion – É importante saber que mais de um terço das emissões de gases com efeito de estufa resultantes das atividades humanas — e que contribuem para as alterações climáticas — estão relacionadas com a alimentação (Fonte: Nações Unidas). Temos, portanto, de nos mobilizar para consumir de forma diferente. Essa tornou-se a nossa razão de ser: orientar os cidadãos para adotarem, com prazer, uma alimentação mais sustentável, de modo a preservar o futuro das próximas gerações. Há cinco anos que temos vindo a evoluir os critérios de seleção dos nossos prémios, para destacar e incentivar as transformações profundas nos mercados alimentares. As marcas ganham bónus se obtiverem uma boa pontuação em termos de impacto: trata-se da análise da qualidade nutricional do produto e do respeito pelo ambiente.
Eis os critérios analisados:
Nutri-Score: A qualidade nutricional do produto é avaliada através do sistema de classificação de A a E, que deve ser claramente integrado na embalagem.
Reciclabilidade das embalagens: a embalagem deve ser concebida com materiais recicláveis ou reutilizáveis, o que requer uma reflexão profunda sobre os materiais utilizados e a sua apresentação visual.
Compromissos de sustentabilidade: os compromissos ecológicos devem ser visíveis e compreensíveis, muitas vezes através de certificações ou logótipos específicos.

Que impacto acredita que os prémios têm no incentivo aos consumidores para adotarem um consumo mais sustentável?
Willy Mansion – Se os fundamentos metodológicos do selo forem sólidos, torna-se uma referência de compra credível para todos os que desejam uma alimentação mais responsável. Essa é precisamente a nossa ambição: orientar os cidadãos a consumir de forma diferente para preservar o planeta.

Quais são os desafios de avaliar produtos que combinam qualidade e sustentabilidade?
Willy Mansion – O maior desafio é a antecipação. Trabalhamos nisso há 5 anos. O setor alimentar está em transformação progressiva. Para além dos critérios históricos que fazem a força do “Sabor do Ano” (Saveur de l’Année) – o prazer do sabor, acrescentam-se agora indicadores de impacto que permitem avaliar os produtos à luz de novos desafios: nutrição, composição, reciclabilidade, compromissos e transparência. Estes critérios baseiam-se em referências reconhecidas e validadas por entidades independentes, para garantir objetividade nas iniciativas das marcas.

Como vê a evolução da consciência ambiental entre empresas e consumidores nos últimos anos?
Willy Mansion – Hoje, mais de dois terços da população mundial estão preocupados com a questão climática (72%), independentemente da geração. 30% estão mesmo revoltados. E 77% já sentem os efeitos das alterações climáticas na sua região (estudo IPSOS 2021). Todos somos afetados. Enquanto dirigentes, também temos a responsabilidade de mostrar o caminho. O que me tranquiliza é que a mudança já começou. A revolução ainda é silenciosa, mas existe. Muitas empresas já estão a agir por um mundo mais sustentável, reinventando o consumo, a habitação, as cidades, a finança, entre outros. Também participamos nisso. É hoje a minha vida, o meu mundo, o meu caminho.

Qual é o segredo para manter uma inovação constante num prémio com mais de 29 anos de história?
Willy Mansion – Nunca descansar sobre os resultados alcançados. Tento projetar-me no mundo que está a emergir, mantendo-me fiel aos meus valores. Hoje, a inovação alimentar já não assenta apenas na receita ou no sabor (embora continue a ser central). Se negligenciarmos o prazer, não conseguiremos envolver os consumidores na mudança. A inovação baseia-se agora numa combinação de fatores:
• cadeias agrícolas mais sustentáveis
• alternativas de consumo
• inovação industrial e circular
• segurança nutricional, entre outros.
Estes sinais mostram que a transformação alimentar já está em curso, em toda a cadeia de valor. É necessário dar-lhes visibilidade e apoiar os empreendedores e equipas que assumiram riscos para colocar estes produtos no mercado.

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Que papel desempenham os consumidores nos testes e avaliações do “Sabor do Ano”?
Willy Mansion – Os consumidores são o coração do prémio. Cada avaliação e cada opinião moldam os resultados. Os consumidores participam em testes cegos, sem referência às marcas e avaliam critérios como sabor, aspeto, textura e satisfação geral, e são eles que determinam quais os produtos distinguidos. Sem eles, o “Sabor do Ano” não existiria.

Como o feedback dos consumidores influenciou a evolução do selo ao longo dos anos?
Willy Mansion – Sempre colocámos o consumidor no centro, permitindo-lhe avaliar, elogiar ou criticar os produtos. Para manter coerência, é fundamental considerar também as questões da sociedade, de forma a não dececionar os consumidores nem comprometer a confiança. É nosso dever.

Na sua opinião, o que faz um produto realmente se destacar para receber o selo “Sabor do Ano”?
Willy Mansion – Antes de mais, o sabor! É a base da avaliação e continuará a sê-lo, pois faz parte do nosso ADN. No entanto, os consumidores procuram cada vez mais produtos saudáveis e naturais, com menos ingredientes e receitas mais simples — uma alimentação mais respeitadora das pessoas, dos animais e da natureza. E isso é positivo, porque precisamos de mobilizar todas as competências para criar os produtos do futuro.

O “Sabor do Ano” tornou-se um selo de referência reconhecido pelos consumidores. Qual foi a estratégia de marketing que considera mais decisiva para construir essa notoriedade?
Willy Mansion – Nunca optar pelo caminho mais fácil. Sempre quis que o prémio tivesse significado. Comuniquei sempre de forma transparente sobre a metodologia e continuo a fazê-lo. Quero que as marcas tenham orgulho no prémio e que consigam explicar o processo. Quando há orgulho, a comunicação torna-se natural e a notoriedade cresce mais facilmente.

De que forma a nova imagem do selo em Portugal reflete a identidade da marca e a aproximação aos consumidores modernos?
Cátia Fernandes – O design gráfico desempenha um papel fundamental na forma como um produto é percebido pelos consumidores. Quando se trata de produtos premiados, como os do Sabor do Ano, torna-se um veículo essencial para comunicar os valores do produto.
A nova imagem do selo em Portugal e nos restantes países reflete modernidade. Procurámos uma identidade visual mais atual, alinhada com os valores dos consumidores contemporâneos, mantendo o reconhecimento da marca. Esta nova imagem foi também ela validada por consumidores portugueses, através de um estudo realizado sobre a perceção da nova imagem. Além do selo clássico existem diferentes selos que possibilitam à marca potenciar as características diferenciadoras do produto e/ou a política de produção da empresa, tais como Sabor do Ano Top Inovação, Sabor do Ano Bio, Sabor do Ano Sustentável, Sabor do Ano Kids.

Em termos de marca e comunicação, como equilibra a promoção de produtos de qualidade com os critérios de sustentabilidade, sem perder a atratividade para o público?
Willy Mansion – A chave é contar a história completa do produto: mostrar o valor gustativo e o impacto positivo. Quando bem feito, os consumidores aderem e o prémio mantém-se atrativo.
Cátia Fernandes – Em Portugal, disponibilizamos às marcas distinguidas um plano integrado de marketing e comunicação, com múltiplas ações pensadas para valorizar as características dos produtos premiados: presença em programas de televisão com chefs a desenvolver receitas, campanhas de publicidade, publirreportagens, passatempos, colaborações com influencers e ativações no ponto de venda, entre outras iniciativas que reforçam notoriedade e proximidade junto do consumidor.

Hoje, o “Sabor do Ano” está presente em vários países. Quais são os maiores desafios e oportunidades de internacionalização de um selo de qualidade?
Willy Mansion – O desafio é adaptar sem trair o ADN. A oportunidade é demonstrar que um prémio centrado no consumidor e na sustentabilidade funciona em qualquer país. Comer bem e proteger o planeta são temas universais.

Como vê o futuro do consumo sustentável globalmente, e qual é o papel de prémios como o “Sabor do Ano” nesse cenário?
Willy Mansion – Numa sociedade de excesso, onde precisamos reduzir a pegada carbónica e preservar recursos, o consumo sustentável é inevitável.
Para um futuro mais justo e habitável, já sabemos o caminho. As empresas têm um papel essencial. Com “Sabor do Ano”, queremos assumir um papel relevante na alimentação sustentável, destacando produtos que contribuem para o bem comum. Os cientistas dizem que temos cerca de dez anos para evitar o pior. É preciso agir já.

Para si, qual é o maior orgulho ao olhar para os 25 anos de existência do selo e 10 anos de presença em Portugal?
Willy Mansion – Ter conseguido atravessar três décadas. Ver que o nosso trabalho tem impacto real. A fidelidade e confiança das marcas. E, pessoalmente, continuar motivado. O meu segredo é nunca deixar de acreditar que vamos conseguir — todos juntos. Os nossos filhos contam connosco.




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