Não era possível fazer um evento da dimensão do Rock in Rio, em Portugal ou no Brasil, se o festival não tivesse o apoio das marcas. A declaração é de Roberta Medina, vice-presidente Executiva do Rock in Rio, que à margem do evento de apresentação da Colecção Rock in Rio Eyewear pelo Rock in Rio Lisboa e a Opticalia, esteve à conversa com a Marketeer. A vice-presidente Executiva explicou ainda como foi feito o desenvolvimento desta parceria e o papel que a marca Rock in Rio teve no desenho da colecção que integra um total de 96 referências e se apresenta em duas linhas: Mundo e Lisboa.
Acompanhe a conversa.
As marcas continuam a ser muito importantes para o Rock in Rio?
Super importantes. A gente só consegue entregar o nível de infraestrutura, de investimento, de acabamento e de artistas que a gente faz por conta do investimento das marcas. Senão não era possível fazer um evento da dimensão do Rock in Rio. Não só em Portugal. Mesmo no Brasil, o mercado publicitário é que permite que a gente vá além de um festival tradicional, que a gente possa propor algo muito mais ousado.
Neste caso, com a Opticalia, o desenvolvimento de produto foi conjunto?
A gente acompanhou. Mas eu acho que em determinado momento o que lhes disse foi “quem entende de óculos e do que vende são vocês”. O que é que o Rock in Rio precisa garantir? Que nada ofende a marca do Rock in Rio. Mas o Rock in Rio não vai ousar dizer para o seu parceiro o que é que funciona.
Eu acho que a beleza é a soma das duas visões de mundo: o que o nosso mundo e quem gosta da nossa marca vibra e se apaixona, mas com o conhecimento deles do mercado. Quem sou eu para brigar para ter um detalhezinho que depois faz o negócio ser pior?
Acima de tudo, o sucesso é de o negócio ser bom. O negócio sendo bom para eles é bom para a gente. Para nós é um privilégio poder ter a marca ligada ao lifestyle, à inspiração, ao comportamento dentro de casa. Agora a pessoa põe os óculos e o Rock in Rio está lá dentro. Isso é muito especial. Acho que a nossa contribuição é trazer a inspiração da marca Rock in Rio, a contribuição deles é entender do mercado deles e fazer o produto mais bacana. Eu fiquei impressionada com a quantidade, a variedade de opções.
A ideia de haver os óculos pesados para cada um dos públicos, foi vossa ou da Opticalia?
Isso foi conjunto, muito deles também. Vem da conversa colectiva que é “quem é o Rock in Rio?”, “Quem é a marca em que eles estão investindo?” Eu acho que está claríssimo. Quando a gente conseguiu entender que os melhores anos são os anos que a gente consegue ir a todos: ser porta de entrada para o mundo dos festivais, do entretenimento para as famílias e atender a silver generation. Em termos de marketing em relação à silver generation o mercado não evoluiu, mas acho que nós atendemos a isso, às pessoas que inauguraram o Rock in Lisboa com a gente. Porque ele ficou mais velho não gosta mais de música? Não gosta de sair? Claro que ele não aceita a mesma infraestrutura. Não vai comer pó, não vai para perrengue. Mas se você tiver um produto de qualidade, com conforto, etc, claro que ele quer ir. Por que ele não queria ir?
Acho que foi aquela estranheza que o Rock in Rio causou em Portugal em 2004, quando foi Paul McCartney. O público do Paul McCartney só raciocinava ver o Paul McCartney sentado na bancada. Perguntava-se “o que é isso da BelaVista, no meio de Chelas?”
Vamos mostrando que é possível ser diferente. Como com as famílias. A galera entrava, olhava a infraestrutura e dizia “ué, posso trazer meu filho?” E ficavam felizes. E isso vai até o mínimo detalhe. A equipe tinha insistido muito para fazer a sala sensorial em 2024, que era uma coisa que a gente já fazia no Brasil. Eu ficava na dúvida, mas a equipa queria para caramba. Abriu portas. A primeira família que veio falar comigo veio agradecer. “Obrigada que vocês têm esse serviço, se não eu não podia vir com o meu filho.” E o filho estava ao lado.
Tudo o que a gente possa fazer para que todo mundo se sinta bem-vindo, a gente faz. Quando eles conseguem retratar isso na colecção, é a nossa natureza. Então, é muito legal. É a natureza do festival, que é, de facto, conseguir chegar a toda a gente com o mesmo espírito jovem de celebração, cada um do seu jeitinho.
Texto de Maria João Lima
*A jornalista escreve segundo o Antigo Acordo Ortográfico














